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Por dentro da Bioeconomia: o que é e qual sua importância para a sustentabilidade industrial

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A bioeconomia representa um movimento transformador dentro da indústria de alimentos e bebidas, promovendo a sustentabilidade através da inovação. Saiba como ela pode ser a chave para enfrentar os desafios ambientais e de sustentabilidade na indústria.

A bioeconomia está presente no setor de alimentos e bebidas por meio do desenvolvimento de diversos produtos, entre eles, o uso de ingredientes regionais utilizados com técnicas responsáveis. 

Porém, esse cenário vai além. Para se ter uma ideia, estima-se que só no Brasil, a bioeconomia gere faturamento industrial de R$ 248 bilhões anuais até 2050, segundo estudo da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), em parceria com a Embrapa.

Isso mostra que esse modelo de produção industrial é totalmente próspero, pois além de aumentar a eficiência dos produtos, também protege o meio ambiente. E a indústria só tende a se beneficiar. 

O que é bioeconomia?

A bioeconomia abrange o uso sustentável de recursos biológicos para produzir alimentos, energia, produtos e serviços, por meio da aplicação de tecnologias avançadas. 

Com elas é possível otimizar processos produtivos, visando a sustentabilidade e a redução de impactos negativos no ambiente.

Ela se diferencia dos outros setores que têm como premissa o uso de recursos naturais, porque utiliza a inovação e tecnologia para desenvolverem modelos sustentáveis de produção. 

mulher em laboratório com jaleco e óculos de proteção mexendo em tubos de ensaio

Quais os principais tipos de bioeconomia?

Existem várias facetas da bioeconomia, desde a agricultura sustentável até soluções inovadoras em alimentos e bebidas. 

Os tipos de bioeconomia podem ser classificados com base em suas aplicações, objetivos e nas áreas de impacto. 

Bioeconomia dos recursos naturais

Esta vertente da bioeconomia concentra-se na produção sustentável e no uso de recursos biológicos, como plantas, animais e microrganismos, para a produção de alimentos, materiais e energia. 

Ela visa reduzir a dependência de recursos fósseis, promovendo a sustentabilidade e a conservação da biodiversidade. Além disso, inclui agricultura sustentável, silvicultura, pesca e aquicultura.

A indústria de alimentos e bebidas, por exemplo, tem visto um aumento significativo no uso de ingredientes regionais e práticas sustentáveis, refletindo a demanda por produtos que não só nutrem o corpo mas também protegem o planeta.

Durante o Summit Future of Nutrition da FiSA 2023, Keyvan Macedo, diretor de Sustentabilidade da Natura&Co, exemplifica trazendo como modelo as ações adotadas pela Wickbold.

“Há exemplos de empresas nacionais que estão buscando formas de inovar em seus produtos de maneira sustentável e, para isso, se aproximando de comunidades indígenas. Uma delas é a Wickbold, empresa 100% nacional que, em uma parceria com a Origens Brasil, adquire castanhas do Brasil, matéria-prima utilizada em muitos de seus pães e bolos, de comunidades amazônicas. A Origens Brasil é uma rede que promove negócios sustentáveis na Amazônia em áreas prioritárias de conservação.”, enfatiza.

Bioeconomia industrial

A bioeconomia industrial tem como foco a biotecnologia e nos processos biológicos industriais para a criação de novos produtos e serviços.

Isso inclui o uso de biofábricas, engenharia genética e tecnologias de fermentação para produzir ingredientes alimentícios, além de biocombustíveis, bioquímicos, biomateriais e produtos farmacêuticos. 

Em relação ao setor de alimentos, podemos citar: 

Aqui estão algumas maneiras pelas quais a bioeconomia industrial está impactando a produção de alimentos:

Produção de alimentos mais sustentável

A bioeconomia industrial promove práticas agrícolas sustentáveis, como a agricultura de precisão e o cultivo de plantas resistentes a doenças e condições climáticas adversas. Isso ajuda a aumentar a eficiência na produção de alimentos, reduzir o desperdício e minimizar o impacto ambiental.

Alimentos funcionais 

Também promove a produção de alimentos funcionais, que oferecem benefícios adicionais à saúde além da simples nutrição. Isso inclui alimentos enriquecidos com vitaminas, minerais, antioxidantes e outros compostos bioativos.

Tecnologias de processamento inovadoras

A bioeconomia industrial impulsiona o desenvolvimento de novas tecnologias de processamento de alimentos que são mais eficientes, econômicas e sustentáveis. Isso inclui técnicas como a biotecnologia, a nanotecnologia e a utilização de enzimas e microorganismos para melhorar a qualidade e a segurança dos alimentos.

Redução do desperdício de alimentos

Além disso, ajuda a reduzir o desperdício de alimentos, aproveitando subprodutos agrícolas e resíduos de alimentos para produzir biocombustíveis, biomateriais, ingredientes alimentares e outros produtos de valor agregado.

Em resumo, a bioeconomia industrial está transformando a maneira como produzimos, processamos e consumimos alimentos, tornando o sistema alimentar mais sustentável, eficiente e resiliente.

Bioeconomia circular

A bioeconomia circular enfatiza a importância de sistemas e processos circulares que minimizam o desperdício e promovem o uso eficiente dos recursos naturais. 

Engloba o conceito de economia circular aplicado aos recursos biológicos, incentivando a reciclagem de materiais orgânicos e o reaproveitamento de resíduos biológicos para criar valor adicional. 

Exemplos de bioeconomia circular incluem a compostagem, a produção de energia a partir de resíduos orgânicos e o upcycling de subprodutos agrícolas e alimentares.

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Vantagens da bioeconomia

Sustentabilidade 

A bioeconomia promove a utilização de recursos renováveis e biológicos, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e diminuindo a emissão de gases de efeito estufa.

Além disso, conserva a biodiversidade, pois encoraja práticas agrícolas e industriais que respeitam a biodiversidade, promovendo a conservação de ecossistemas e a utilização sustentável de recursos biológicos.

Eficiência na produção

Incentiva a utilização otimizada de recursos biológicos, minimizando resíduos através da reutilização, reciclagem e valorização de subprodutos e resíduos biológicos.

Benefícios econômicos

Ao promover inovações sustentáveis, a bioeconomia pode criar novas indústrias e oportunidades de emprego, especialmente em áreas rurais.

E oferece a oportunidade para países e regiões diversificarem suas economias, desenvolvendo setores baseados em recursos biológicos e reduzindo a vulnerabilidade a choques externos.

Segurança alimentar 

Apoia a produção sustentável de alimentos, contribuindo para a segurança alimentar global e promovendo práticas agrícolas que são menos prejudiciais ao meio ambiente.

Também estimula a pesquisa e o desenvolvimento de novos alimentos e ingredientes que beneficiam a saúde, alinhados com as demandas crescentes por nutrição e bem-estar.

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Pilares da bioeconomia

Os três pilares fundamentais da bioeconomia são: sustentabilidade, inovação e circularidade. 

A sustentabilidade enfatiza o uso responsável dos recursos naturais, garantindo que as gerações futuras possam atender às suas necessidades. 

Enquanto isso, a inovação está no coração da bioeconomia, explorando novas tecnologias e processos para melhorar a eficiência e a sustentabilidade. 

E a circularidade promove o reuso, a reciclagem e a valorização de resíduos, transformando-os em novos produtos e energias, minimizando assim o desperdício e o impacto ambiental.

No Brasil, a bioeconomia encontra um terreno fértil, dada a riqueza de sua biodiversidade e potencial agrícola. O país já possui leis que incentivam a adoção de práticas sustentáveis na indústria, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e o Código Florestal. 

Contudo, para que esse potencial seja plenamente explorado, é necessário superar desafios como a falta de infraestrutura adequada e a necessidade de maior investimento em pesquisa e desenvolvimento.

Exemplos práticos da bioeconomia no setor de alimentos

Exemplos de bioeconomia na indústria incluem o uso de subprodutos da agricultura para criar embalagens biodegradáveis e a utilização de tecnologias de bioenergia para reduzir o consumo de combustíveis fósseis. 

Empresas como a Natura&Co e a Wickbold são exemplos de bioeconomia no Brasil. Estão formando parcerias com comunidades locais para criar produtos sustentáveis e inovadores que apoiam tanto o meio ambiente quanto as economias locais. Essa é uma das tendências em ingredientes para 2024.

Outras aplicações práticas são os alimentos biofortificados, como o arroz dourado, produzido a partir de alterações genéticas.

Principais desafios enfrentados no país

Entre os desafios para a bioeconomia no Brasil, destacam-se:

A superação desses desafios é essencial para que o país possa aproveitar plenamente o potencial da bioeconomia.

Como comunicar práticas de bioeconomia aos consumidores?

Para comunicar ao consumidor as ações da empresa nessa área de bioeconomia, é preciso adotar uma comunicação clara e objetiva, destacando os benefícios ambientais e sociais dessas práticas. 

Utilizar exemplos concretos e casos de sucesso pode ajudar a ilustrar o impacto positivo da bioeconomia, incentivando uma maior adesão por parte do público.

Como promover e impulsionar o setor?

É essencial a colaboração entre governos, empresas e instituições de pesquisa. Incentivos fiscais, subsídios para pesquisa e desenvolvimento, além da criação de parcerias estratégicas são algumas das medidas que podem estimular o crescimento do setor.

Para isso, é essencial comunicar seus benefícios de forma eficaz aos consumidores, destacando não apenas os aspectos ambientais, mas também os benefícios para a saúde e bem-estar que produtos podem oferecer

Relacionado: [Ebook] Food ingredients South America 2023: Panorama do mercado de ingredientes no Brasil e as tendências no segmento 

Tendências para os próximos anos

montagem com DNA ao lado de tubos de ensaio

As tendências para os próximos anos incluem o aumento do investimento em tecnologias de bioeconomia, a expansão do uso de biomateriais e bioenergia, e uma maior integração entre os setores agrícola, industrial e de serviços. 

Crescimento da bioenergia

A demanda por fontes de energia renováveis e sustentáveis continua a crescer, e a bioenergia está no centro dessa transformação. 

No setor de alimentos e bebidas, espera-se um aumento significativo no uso de biocombustíveis, biogás e biomassa, não apenas para alimentar operações industriais, mas também como uma forma de valorizar resíduos orgânicos. 

Inovações em biomateriais

Os biomateriais, feitos a partir de recursos renováveis, estão definidos para revolucionar as embalagens de alimentos e bebidas. 

A pesquisa em bioplásticos, biopolímeros e materiais compostáveis está avançando rapidamente, prometendo embalagens sustentáveis, mas também oferecem propriedades superiores em termos de durabilidade e conservação do produto. 

A bioeconomia oferece uma rota promissora para a indústria de alimentos e bebidas no Brasil, permitindo não só o desenvolvimento sustentável mas também a inovação.

 

LEIA MAIS

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  2. Biomas brasileiros na indústria de alimentos: tendência veio pra ficar
  3. Como viabilizar a inserção de nanotecnologia na indústria alimentícia?
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