A alimentação saudável ocupa um espaço crescente nas escolhas dos brasileiros e no mercado de alimentos e bebidas. A procura passa por refeições equilibradas, alimentos frescos, produtos funcionais, redução de determinados ingredientes e opções que atendam diferentes hábitos e necessidades alimentares.
Esse comportamento aparece em pesquisas recentes. A Voz do Consumidor 2025, da PwC, aponta que mais de 70% dos brasileiros entrevistados pretendem aumentar o consumo de produtos frescos nos meses seguintes à pesquisa. Saúde, praticidade e preço aparecem entre os fatores que interferem nas escolhas alimentares.
Para empresas da indústria de alimentos e bebidas, restaurantes e outros negócios de alimentação, acompanhar esses hábitos ajuda a entender quais produtos, ingredientes e serviços encontram espaço entre consumidores com perfis distintos.
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O que é alimentação saudável?
Alimentação saudável envolve mais do que a escolha isolada de determinados alimentos. Ela depende de uma dieta capaz de fornecer os nutrientes necessários ao funcionamento do organismo, incluindo carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e água.
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), “uma alimentação saudável ajuda a proteger contra a má nutrição em todas as suas formas, bem como contra as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), entre elas diabetes, doenças cardiovasculares, AVC e câncer”.
O conceito também ganhou novas aplicações comerciais. Produtos naturais, funcionais, orgânicos, à base de plantas e voltados a necessidades alimentares específicas fazem parte desse mercado, assim como refeições prontas e outros serviços relacionados à alimentação.
Qual é a importância da alimentação saudável para os brasileiros?
A alimentação equilibrada participa da prevenção de doenças crônicas e está relacionada ao bem-estar e à saúde da população.
Segundo o Congresso Internacional sobre Obesidade, 56% dos adultos brasileiros têm obesidade ou sobrepeso hoje. A estimativa é que, até 2044, 48% dos adultos brasileiros sejam afetados pela obesidade e outros 27% viverão com sobrepeso.
A desnutrição também faz parte do quadro nutricional do país. O Panorama da Obesidade de Crianças e Adolescentes, divulgado pelo Instituto Desiderata, registrou redução da taxa de desnutrição entre 2015 e 2018, seguida por aumento gradual do indicador entre os grupos etários acompanhados pelo SUS, com pico em 2019.
Nesse quadro, uma alimentação equilibrada auxilia no controle do peso e na redução de fatores associados a doenças como diabetes tipo 2.
Como está o mercado de alimentação saudável?
Os números ajudam a dimensionar a presença desse tipo de alimento no consumo. Um relatório da Research and Markets avaliou o mercado mundial de alimentos de saúde e bem-estar em 554,04 bilhões de dólares em 2024.
No Brasil, o estudo Panorama do Consumo de Alimentos Saudáveis no Brasil em 2023 apontou que aproximadamente 46% dos brasileiros consumiam alimentos considerados saudáveis.
A pesquisa da PwC de 2025 acrescenta um dado mais recente a essa leitura: mais de 70% dos consumidores brasileiros consultados pretendiam aumentar a ingestão de produtos frescos. O levantamento mostra também que preço continua tendo peso na decisão de compra, o que coloca lado a lado saúde e orçamento familiar.
Há diferenças entre faixas etárias e gerações. A geração Z, por exemplo, demonstra atenção não só à aparência e à textura dos produtos, mas também à função que eles podem exercer dentro de seus hábitos alimentares.
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5 tendências do mercado de alimentação saudável
1. Alimentação vegetariana, vegana e flexitariana
Vegetarianismo, veganismo e flexitarianismo ganharam presença no consumo brasileiro nos últimos anos. Pesquisa do Ibope Inteligência (2018) mostrou que a parcela dos brasileiros que se declaravam vegetarianos passou de 8% em 2012 para 14% em 2018.
O flexitarianismo, baseado na redução do consumo de produtos de origem animal sem sua exclusão completa, também aparece nesse movimento. Dados do Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) indicaram que 46% dos brasileiros entrevistados haviam deixado de consumir carne pelo menos uma vez por semana, por vontade própria.

2. Alimentos à base de plantas
O avanço das dietas vegetarianas, veganas e flexitarianas também trouxe maior presença de alimentos à base de plantas.
Segundo um levantamento feito pela Euromonitor, divulgado pelo The Good Food Institute Brasil (GFI Brasil), em 2023, no Brasil, as vendas no varejo de carne vegetal faturou 1,1 bilhão de reais, um aumento de 38% em relação ao ano anterior.
Ainda, conforme a pesquisa “Olhar 360° Sobre O Consumidor Brasileiro e o Mercado Plant-based”, também do GFI Brasil, 39% da população já consome carnes vegetais.
Pelo menos uma vez por mês, 13% dos respondentes indicam o consumo tanto de carne quanto de alternativas vegetais para leite, derivados do leite e ovos. Isso demonstra a crescente receptividade dos brasileiros em relação aos alimentos plant-based.
3. Redução do consumo de açúcar
A redução de alimentos com açúcar também está se tornando uma prioridade, o que impulsiona a inovação em adoçantes.
De acordo com a Exactitude Consultancy, o mercado global de adoçantes naturais (Stevia, Xilitol, Manitol e outros) foi avaliado em 2,8 bilhões de dólares em 2020 e deve atingir 3,8 bilhões de dólares até 2028, registrando um possível crescimento de 6,1% ao ano durante o período estimado.
Chocolates, bebidas, snacks e outros produtos com menor teor de açúcar fazem parte desse trabalho de reformulação, no qual sabor e características sensoriais precisam ser considerados junto à composição do produto.
4. Atenção à saúde intestinal
A saúde intestinal também ganhou presença na pesquisa e no desenvolvimento de alimentos. Produtos sem glúten, alimentos ricos em fibras e bióticos estão entre as categorias relacionadas ao tema.
Por falta de acesso a alguns nutrientes, por diversos motivos, a alimentação completa passa a ser um desafio no mundo contemporâneo. E isso impacta não só a saúde intestinal como o bem-estar como um todo.
“O primeiro ponto de qualquer tipo de tratamento é cuidar do seu intestino, porque se você está com um problema de pele, por exemplo, você precisa fazer com que os nutrientes sejam absorvidos devidamente para que cheguem até ela”, explica Fúvia Biazotto, pesquisadora sênior da Sanavita, durante evento da Fi South America 2023.
5. Cuidado com o sistema imunológico
O sistema imunológico ganhou atenção especial a partir da pandemia de covid-19 e continua relacionado ao desenvolvimento de alimentos, ingredientes e suplementos.
Alimentos ricos em fibras, probióticos e prebióticos, que atuam na melhora da disbiose intestinal, são tendência no mercado.

Além deles, alimentos funcionais, enriquecidos com vitaminas e minerais, e os suplementos naturais também estão ganhando a atenção.
Como apontado pela nutricionista Máisa Tapajós no conteúdo original, órgãos reguladores passaram a permitir novas alegações funcionais relacionadas à imunidade, usadas pela indústria em diferentes produtos. Vitaminas e minerais, como vitamina C, zinco e ferro, fazem parte dessas formulações, junto a outras substâncias estudadas para essa finalidade.
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Como a indústria alimentar pode se adaptar às novas demandas do consumidor?
Mudanças no consumo chegam diretamente às áreas de pesquisa, desenvolvimento, formulação, produção e comunicação das empresas.
Desenvolvimento de produtos
A presença de consumidores vegetarianos e flexitarianos sustenta pesquisas com produtos à base de plantas capazes de entregar características de textura e sabor próximas às referências tradicionais.
O trabalho com proteínas alternativas inclui matérias-primas derivadas de ervilha, grão-de-bico e algas, entre outras fontes.
Sustentabilidade e transparência
A sustentabilidade e a transparência também participam das escolhas de parte dos consumidores. Origem dos produtos, práticas produtivas e informações disponíveis na embalagem ajudam o público a entender o alimento que está comprando.
Nesse ponto, uma, rotulagem clara e informativa e a transparência na cadeia de suprimentos têm papel direto na comunicação com o consumidor.
Comunicação e incentivo ao consumo
A comunicação deve informar com precisão os atributos nutricionais e as características do produto, evitando promessas que não possam ser sustentadas.
Campanhas educativas podem ajudar o consumidor a compreender ingredientes, composição e formas de consumo. O tema também está relacionado ao marketing de ingredientes na indústria de alimentos e bebidas
Alimentação saudável também chega ao food service e aos pequenos negócios
A procura por refeições associadas à saudabilidade não fica restrita às gôndolas. Restaurantes, hotéis, buffets, empresas de alimentação e profissionais autônomos também atendem pessoas mais atentas aos ingredientes, ao equilíbrio das refeições e às suas necessidades alimentares.
O Sebrae identifica alimentos naturais, funcionais, orgânicos e à base de plantas entre as frentes presentes nesse mercado. Para micro e pequenas empresas, o levantamento cita produtos frescos e funcionais e práticas como o aproveitamento integral dos alimentos.
Marmitas equilibradas, refeições congeladas, confeitaria com ingredientes alternativos, produtos destinados a públicos específicos e serviços de alimentação sob encomenda são exemplos citados pelo Instituto Gourmet Brasil.
Nesse tipo de operação, saber cozinhar é apenas parte do trabalho. Formação de preço, custos, compras, aproveitamento dos ingredientes, redução de desperdícios e segurança dos alimentos interferem diretamente no funcionamento do negócio.
A adaptação de receitas também exige conhecimento técnico para conciliar composição, sabor e textura. Glaucio Athayde, CEO do Instituto Gourmet Brasil, resume essa questão:
“Hoje, quem trabalha com gastronomia precisa entender que o consumidor não procura apenas uma refeição. Ele quer praticidade, sabor e, cada vez mais, uma alimentação que esteja alinhada ao seu estilo de vida. Isso exige profissionais preparados para conhecer os ingredientes, dominar técnicas e adaptar receitas sem transformar a comida saudável em algo sem sabor ou distante da realidade das pessoas”
Uma das formas de atuação citadas no material é o chef residencial, profissional que prepara refeições na casa do cliente e pode desenvolver cardápios de acordo com preferências, rotina e necessidades da família.
O movimento ocorre dentro de um setor com volume expressivo de contratações. Dados do Novo Caged mostram que alojamento e alimentação registrou saldo de 25.580 postos formais entre janeiro e abril de 2026, após mais de 600 mil admissões no período. O dado se refere ao conjunto de alojamento e alimentação e não especificamente aos profissionais ligados à gastronomia saudável.
Quais são as vantagens da alimentação saudável?
Para consumidores
Uma dieta equilibrada e nutritiva está diretamente associada a uma melhora da saúde em geral, uma vez que ajuda a reduzir o risco de doenças crônicas como obesidade, diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardíacas e certos tipos de câncer.
Uma alimentação rica em nutrientes também participa do funcionamento adequado do sistema imunológico e de outras funções do organismo.
Para indústria
Para a indústria de alimentos, o consumo de produtos associados à saúde e ao bem-estar cria novas possibilidades de portfólio e atendimento a diferentes públicos.
De acordo com a Euromonitor International, a estimativa citada no conteúdo original indicava que o mercado mundial de alimentos saudáveis poderia superar 1 trilhão de dólares até 2026.
Máisa Tapajós também apontou que a indústria vem trabalhando na oferta de produtos mais ricos nutricionalmente e em formulações ligadas à imunidade.
Categorias como alimentos orgânicos, produtos plant-based e alimentos sem glúten permitem atender grupos com hábitos e necessidades diferentes.

Mercado de alimentação saudável mantém espaço para novos produtos e serviços
Os hábitos alimentares registrados pelas pesquisas ajudam a explicar por que a saudabilidade segue presente na indústria e no food service. Dados mais recentes, como os da PwC, acrescentam à discussão a intenção de aumentar o consumo de alimentos frescos, sem retirar da equação fatores como preço e praticidade.
Para a indústria, isso chega à formulação, aos ingredientes, à rotulagem e ao desenvolvimento de produtos. Nos serviços de alimentação, interfere na montagem dos cardápios, nas técnicas de preparo e na gestão da operação.
O mercado reúne públicos e formatos distintos: alimentos funcionais, orgânicos, plant-based, produtos com menor teor de açúcar, refeições prontas e serviços voltados a preferências alimentares específicas. A leitura do comportamento do consumidor, portanto, precisa caminhar junto com qualidade, segurança dos alimentos, sabor e viabilidade econômica.