Produzir mais com menos desperdício, reduzir custos operacionais, garantir segurança dos alimentos e atender consumidores cada vez mais atentos à sustentabilidade. Esses desafios têm acelerado a modernização da indústria de laticínios, que encontra na automação e nas tecnologias inteligentes importantes aliadas para elevar a competitividade.

Na Fispal Tecnologia 2026, fabricantes apresentaram soluções capazes de otimizar praticamente todas as etapas da produção — da recepção do leite ao envase, passando pelo controle de processos, embalagem e preparação dos produtos para expedição. O foco não está apenas no aumento da produtividade, mas também na redução de perdas, na confiabilidade operacional e na eficiência do uso de recursos.

Medição mais precisa aumenta o controle da produção

O controle preciso do processo é um dos pilares para garantir rendimento, padronização e qualidade na fabricação de leite e derivados. Por isso, uma das tendências observadas na feira é o avanço de tecnologias de instrumentação capazes de reduzir erros de medição ao longo da produção.

Entre as soluções apresentadas está o medidor de vazão do tipo Coriolis, indicado para aplicações como recebimento de leite, carregamento e descarregamento de caminhões, produção de iogurtes e outras formulações que exigem elevada precisão.

O diferencial da tecnologia está na capacidade de compensar automaticamente a presença de ar no leite — um problema comum na indústria e que pode comprometer a precisão dos medidores volumétricos convencionais.

“A tendência é utilizar tecnologias cada vez mais precisas para eliminar erros de processo e garantir maior confiabilidade na produção”, afirmou Leandro Stobodzian, gerente de Negócios de Alimentos e Bebidas da Conaut Krohne.

Além do Coriolis, a empresa apresenta medidores eletromagnéticos, sensores de nível para tanques de armazenamento e medidores de condutividade utilizados em sistemas CIP/SIP, fundamentais para monitorar a eficiência dos processos de limpeza das linhas de produção.

O resultado é um controle mais rigoroso das operações, redução de perdas de matéria-prima e maior estabilidade na fabricação dos produtos.

Embalagens mais sustentáveis começam pelo processo de envase

A redução do consumo de materiais também ganha espaço entre as prioridades da indústria de alimentos. Na área de envase, uma das novidades apresentadas na Fispal Tecnologia propõe uma mudança importante na fabricação de embalagens tipo “lápis”, amplamente utilizadas para produtos lácteos.

O equipamentorealiza o envase diretamente a partir de bobinas, dispensando o uso de embalagens previamente conformadas.

Segundo Rayton Matheus, engenheiro da Emil, essa tecnologia permite reduzir em até 70% o consumo de material de embalagem, o que gera economia de insumos e menor impacto ambiental. Mas os ganhos vão além da sustentabilidade.

O sistema incorpora a tecnologia Squeezer Roller, responsável por retirar praticamente todo o ar da embalagem antes da selagem. Ao mesmo tempo, realiza a limpeza da região onde ocorre a solda e promove o resfriamento imediato da embalagem após o fechamento.

“Conseguimos uma qualidade próxima de 99% na solda, um dos principais desafios desse tipo de embalagem”, explicou o engenheiro.

A solução também foi desenvolvida para reduzir intervenções de manutenção. O equipamento trabalha com manutenção predominantemente preventiva e programada, reduzindo paradas inesperadas da linha.

Em capacidade produtiva, o sistema alcança até 30 embalagens por minuto para produtos de 1,8 kg, podendo chegar a 40 unidades por minuto em embalagens de menor gramatura.

Automação elimina gargalos e reduz a dependência de mão de obra

A automação das linhas de envase continua sendo uma das principais estratégias da indústria para enfrentar desafios como escassez de mão de obra, aumento da produtividade e padronização dos processos.

A Taimak apresentou soluções que automatizam etapas frequentemente responsáveis por gargalos na produção: a alimentação dos frascos, o empacotamento e a preparação dos pallets para expedição.

Os posicionadores automáticos organizam e alimentam continuamente as linhas de envase, reduzindo intervenções manuais e garantindo maior estabilidade operacional.

As capacidades variam entre 6 mil e 20 mil frascos por hora, permitindo atender desde pequenas fábricas até grandes plantas industriais.

Já as empacotadoras automáticas podem produzir entre 500 e 1.600 fardos por hora, enquanto versões semiautomáticas oferecem capacidade de aproximadamente 250 fardos por hora, tornando a tecnologia acessível também para empresas em fase de expansão.

Como complemento da linha, a empresa apresenta uma nova envolvedora de pallets, responsável pela aplicação automática de filme stretch após o empacotamento, facilitando o transporte, o armazenamento e a logística dos produtos acabados.

Equipamentos preparados para o ambiente dos laticínios

Outro aspecto valorizado pelas indústrias está relacionado à durabilidade dos equipamentos em ambientes que exigem higienizações frequentes.

Por isso, as máquinas apresentadas possuem estrutura predominantemente em aço inox 304, material resistente aos agentes químicos utilizados na limpeza industrial.

Os equipamentos também atendem às exigências das normas NR10 e NR12 e oferecem mais segurança operacional aos colaboradores.

A simplicidade mecânica das soluções reduz significativamente a ocorrência de falhas, enquanto a assistência técnica nacional e a disponibilidade de peças de reposição permitem respostas rápidas em eventuais manutenções, de acordo com Jessé Hendges, executivo de vendas da Taimak.

Eficiência deixa de ser diferencial e passa a ser requisito

As soluções apresentadas na Fispal Tecnologia mostram como a modernização da indústria de laticínios avança em diferentes etapas da produção, da medição e do envase à preparação dos produtos para expedição.

Além de ampliar a capacidade produtiva, essas tecnologias ajudam a reduzir perdas, melhorar o controle dos processos e otimizar o uso de materiais e recursos. Em um setor pressionado por custos, exigências de qualidade e metas de sustentabilidade, investir em equipamentos mais precisos, automatizados e confiáveis passa a fazer parte da estratégia de competitividade das indústrias.