Por Ricardo Martin*

A indústria de alimentos e bebidas vive uma transformação profunda e acelerada, que está, cada vez mais, nas mãos dos consumidores. São eles que, ao buscar saudabilidade e funcionalidade nos produtos que consomem, redefinem prioridades, abrem novos mercados e desafiam empresas a repensar suas ofertas em uma velocidade sem precedentes.

E isso trouxe dinamismo ao ambiente de negócios. Neste contexto, aliado ao desenvolvimento tecnológico que passamos a ter neste século, startups surgiram e empresas tradicionais precisaram se reinventar e se adaptar rapidamente a estas transformações. Isto em um momento em que consumidores exigentes têm mais facilmente acesso a informações. Inovar, então, tornou-se mandatório. E desafiador.

Os números confirmam essa aceleração. Segundo a consultoria Dealroom, o investimento global em foodtech cresceu quase dez vezes nos últimos cinco anos, alcançando US$ 10,6 bilhões em 2025. Já o levantamento “Startup Landscape: Foodtechs 2025”, da Liga Ventures em parceria com o Bioma Food e dados da Startup Scanner, revela que, entre as tendências que estão transformando o setor, a que mais vem despontando é a de novos alimentos e bebidas, com o desenvolvimento de produtos inovadores para novos hábitos e mercados

Esse movimento se alinha a um dado revelado pela pesquisa “Top Global Consumer Trends 2025“, da Euromonitor International: as pessoas não querem apenas viver, querem envelhecer com qualidade. Refletindo essa mentalidade, 52% dos consumidores acreditam que serão mais saudáveis nos próximos cinco anos do que são hoje. Esse anseio ganha contornos concretos em um levantamento recente da Tetra Pak em 17 países, incluindo o Brasil: 59% dos consumidores preocupados com a saúde preferem opções prontas para beber — escolha motivada pela conveniência, portabilidade e facilidade de uso.

É esse cenário que torna o momento atual único. A inovação na indústria de alimentos e bebidas é hoje impulsionada, de um lado, pelo avanço tecnológico que viabiliza ecossistemas cada vez mais sofisticados na cadeia produtiva e, de outro, pela demanda dos consumidores por produtos que combinem praticidade, saudabilidade, funcionalidade e personalização. Desde o início dos anos 2000, esse duplo movimento elevou significativamente a complexidade da inovação no setor, com tendências mudando em velocidade crescente e exigências ligadas à saúde e ao bem-estar se multiplicando. O desenvolvimento de novos produtos deixou de seguir um modelo linear e passou a depender de processos colaborativos, testes rápidos e validações constantes. Assim, as empresas que conseguem reduzir o tempo entre a identificação de uma oportunidade e o lançamento de uma novidade no mercado conquistam vantagem competitiva expressiva.

Ricardo Martin, Gerente de Marketing para Inovação e Novos Negócios da Tetra Pak Brasil

Como empresa que fornece soluções para processamento e embalagens de alimentos e bebidas, vivenciamos essa conjuntura na prática — o que nos levou a novas ofertas em resposta às demandas e aos desafios dos mais diversos players. Em 2017, com investimento de R$ 40 milhões, inauguramos no Brasil o Centro de Inovação ao Cliente (CIC), um espaço que viabiliza processos completos de inovação colaborativa, por meio de ferramentas únicas, guiando a geração de ideias baseada em dados, criação e validação de conceitos escaláveis e desenvolvimento e teste de formulações na nossa planta piloto altamente flexível e tecnológica. No primeiro semestre deste ano, o centro recebeu outros R$ 10 milhões para expansão, fruto de uma estratégia global que empregamos neste e em outros CICs e Centros de Desenvolvimento de Produtos (PDCs) ao redor do mundo.

Esses elementos ilustram um entre muitos exemplos de como, tanto no Brasil quanto no mundo, há uma demanda clara do segmento de alimentos e bebidas por inovação em um contexto desafiador. Empresas que aprenderem rapidamente, se adaptarem às transformações e responderem às demandas dos consumidores antes mesmo que elas se consolidem terão sucesso real — e ambientes colaborativos, com atores que tragam perspectivas distintas para a discussão e para a prática, serão essenciais para fomentar essa inovação. E enquanto apoiadores da indústria de alimentos e bebidas de ponta a ponta, vemos que é essencial trocas de experiências para acelerar a transformação da indústria rumo ao futuro que os consumidores já demandam, colocando nossa expertise, tecnologia e ecossistema de inovação a serviço de quem quer transformar ideias em realidade.

* Ricardo Martin é Gerente de Marketing para Inovação e Novos Negócios da Tetra Pak Brasil