Por Danilo Zorzan*
As bebidas alcoólicas fazem parte da vida em sociedade há pelo menos 10 mil anos. Se antes eram feitas de forma mais artesanal, avançaram e ganharam escala com a produção industrial. Então, seja por hábito que transpassa os séculos, pelo consumo difundido em diversas culturas em diferentes ocasiões ou pela disponibilidade em todos os cantos do mundo trazida pela indústria, o segmento de bebidas alcoólicas, ao longo dos tempos, consolidou-se como parte da vida social.
Como então trazer inovação a um setor que não é exatamente novo? Como atrair o olhar do consumidor? De uma forma resumida, a saída passa por conveniência e praticidade, em especial no segmento de RDT – “ready to drink” (bebidas prontas para beber).
Criar experiências, apesar de desafiador, pode se mostrar promissor neste contexto. Estamos falando de um segmento que, nos anos mais recentes, vem passando por algum declínio, especialmente entre os mais jovens. Pesquisa da Ipsos-Ipec mostrou que entre pessoas de 25 a 34 anos, 47% afirmaram em 2023 não consumir alcoólicos, saltando a 61% no ano passado. Já levantamento da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) aponta que o consumo de cerveja no Brasil em 2025 caiu 5%.
Contudo, o mercado de bebidas alcoólicas prontas para beber vem crescendo. De acordo com a Euromonitor International, globalmente, no varejo, foram projetadas vendas preliminares de mais de 7,1 bilhões de litros de bebidas alcoólicas prontas para beber (ready to drink) em 2025. Nessa categoria, o Brasil fica em oitava posição em vendas, com aproximadamente 160 milhões de litros.
O consumo de bebidas alcoólicas RTD no Brasil vem crescendo em ritmo mais acelerado recentemente, com projeção de atingi 5% de crescimento em volume entre 2024 e 2025. Para comparação, a média global esperada é de 4%. Projeções apontam que o crescimento da categoria no Brasil deve permanecer constante em termos de volume entre 2025 e 2029, com um CAGR de 5%. Globalmente, a projeção é de 3,6% de CAGR até 2029.
Por isso, a praticidade e conveniência são elementos fundamentais nesta equação. Sem falar que inovação pode, além de chamar a atenção de quem já consome este tipo de produto, atrair um novo público. É semelhante à cena do consumo de leite lá pela década de 1970. Rapidamente, as pessoas entenderam o valor de trocar os saquinhos pelas embalagens longa vida – que entrou no mercado brasileiro de bebidas alcoólicas para ficar, assim como já ocorre em diversas parte do mundo.
Globalmente, comercializamos 6 bilhões de embalagens para alcoólicos. Além da praticidade e conveniência, este resultado é alavancado por atributos como sustentabilidade, já que todos os materiais que compõem as embalagens cartonadas são recicláveis — e existe hoje, como nunca, uma preocupação com sustentabilidade), bem como a segurança da bebida. A inviolabilidade da embalagem, que é selada na parte interna do equipamento onde ocorre o envase da bebida, é também um diferencial.
A indústria tem oportunidade de entregar ao consumidor uma nova experiência por meio das caixinhas. Isso porque o consumo “on the go” encontra nelas uma aliada, já que a bebida pode ser tampada. Isso proporciona uma experiência única de consumo dentro da categoria de drinks prontos e traz diferenciação em relação a outros tipos de envase. É mais fácil transportá-la e guardá-la na bolsa ou mochila, por exemplo, tampá-la ao entrar no carro, no transporte etc.

Um fabricante de drinks prontos nos Estados Unidos nasceu com a oferta de embalagens maiores. O formato não acompanhava as macrotendências de consumo de prontos para beber e conveniência. Migrou, então, para porções individuais em embalagem cartonada. Naquele cenário, essa mudança possibilitou entrada em novos canais de vendas. Antes, utilizavam distribuidores que tendem a focar em restaurantes de alto padrão e lojas de bebidas. Com o envase em caixinhas, conseguiram novos distribuidores, focados em canais de conveniência e farmácias.
Na gôndola, diferenciação e inovação, sendo que a embalagem passou a construir a marca: oito faces que ampliaram a área de branding e storytelling, suporte a código visuais fortes, diferenciando sabores e ocasiões, excelente presença em mídias sociais, percepção de inovação e modernidade no portfólio. Tudo isso demonstrou o potencial do formato cartonado no mercado de RTD para a geração Z. Após a mudança para as embalagens cartonadas, este fabricante vendeu mais caixinhas individuais nos primeiros dois meses do que em todo o ano anterior.
Se o formato de embalagens cartonadas mudou o consumo de leite lá pela década de 1970, existe um potencial interessante agora para a indústria entregar uma nova experiência de consumo para bebidas alcoólicas. No passado, foi possível encurtar o caminho entre ideia e escala para o leite. Surge agora uma nova era para as bebidas alcoólicas.
*Danilo Zorzan é Diretor de Marketing da Tetra Pak Brasil