A indústria de embalagens vive um momento de transformação que vai muito além do que se vê na prateleira. Comprometido com a agenda da sustentabilidade e movido por novas exigências regulatórias, o setor busca se adequar às preferências de um novo perfil de consumidor, acelerando a adoção de novos materiais, de processos mais eficientes e tecnologias conectadas.
É um movimento que redesenha a forma como os produtos de alimentos e bebidas são protegidos, transportados e comunicados, uma mudança que ganha sua principal vitrine na Fispal Tecnologia 2026, evento no qual as embalagens respondem por 50% dos expositores e que acontece de 16 a 19 de junho no São Paulo Expo.
Essa participação expressiva na maior feira de tecnologia para alimentos e bebidas da América do Sul deixa evidente a relevância do evento para o setor. Em 2025, a indústria de embalagens alcançou no Brasil o valor bruto de produção de R$ 165,7 bilhões, segundo o Estudo Macroeconômico da ABRE (Associação Brasileira de Embalagem), elaborado em parceria com a FGV IBRE. Trata-se de um valor que equivale a 2,8% de toda a indústria de transformação nacional.
O avanço das empresas de embalagens entre os expositores da Fispal Tecnologia deste ano foi de 5%. Isso é reflexo de uma indústria que, ao passar por transformações relevantes, encontra na feira o espaço adequado para apresentar ao mercado o que há de mais novo em materiais, processos e tecnologias.
“O crescimento do setor de embalagens entre os expositores reflete um mercado em plena evolução, que busca na feira um espaço para apresentar inovação e gerar negócios”, afirma Marina Cappi, gerente da Fispal Tecnologia. “É aqui que a indústria de alimentos e bebidas vem para se atualizar, encontrar fornecedores e tomar decisões que vão impactar seus produtos e processos nos próximos anos.”

Uma indústria que muda de material
A transformação mais visível do setor está na própria composição das embalagens. Nos últimos anos, o plástico vem cedendo espaço para papel, papelão e estruturas recicláveis, em um movimento puxado tanto pela regulação quanto pela demanda do mercado.
Os dados do próprio Estudo Macroeconômico da ABRE mostram essa mudança. Entre 2021 e 2024, a participação do plástico no valor bruto da produção do setor recuou de 36,2% para 33,2%, enquanto o papelão ondulado avançou de 20,3% para 23,4% e o papel subiu de 5,3% para 6%.
A regulação é um dos motores dessa transição. A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece metas progressivas de coleta e reciclagem de embalagens plásticas, e o chamado Decreto do Plástico passou a exigir o uso de conteúdo reciclado pós-consumo não apenas das grandes empresas, mas também das de pequeno e médio porte.
A entrada em vigor dessas novas metas de conteúdo reciclado e as exigências de logística reversa aceleraram a busca por soluções de menor impacto ambiental, e a inovação em materiais passou a ser condição de competitividade.
Diretora do Instituto de Embalagens, Assunta Camilo acompanha de perto esse movimento. “A indústria de alimentos e bebidas está vivendo uma transformação acelerada, impulsionada principalmente por sustentabilidade, automação, eficiência operacional e novas experiências de consumo”, relata. “Hoje vemos uma tendência muito forte de soluções monomateriais, especialmente em embalagens flexíveis, desenvolvidas para facilitar a reciclagem sem comprometer a barreira e conservação dos alimentos.”
Para Camilo, diferentes movimentos resumem o atual momento da indústria. “O setor está sendo transformado em várias frentes ao mesmo tempo: busca por mais eficiência em toda a cadeia, materiais de menor impacto ambiental, digitalização e automação inteligente nas linhas de produção e embalagens que agregam experiência e praticidade ao consumidor”, destaca a executiva.
Tecnologia que protege, informa e conecta
A mudança nos materiais é apenas uma das faces da transformação do setor. Cada vez mais, a tecnologia vem sendo incorporada de diferentes formas, como em embalagens ativas que prolongam a vida útil dos alimentos por meio de aditivos que interagem com o produto, ou as soluções inteligentes que monitoram a conservação e alertam sobre variações de temperatura e deterioração, além das que se utilizam da conectividade, transformando o invólucro em uma plataforma de informação e relacionamento com o consumidor.
“Para alimentos e bebidas, algumas frentes têm ganhado protagonismo”, explica Luciana Pellegrino, Presidente Executiva da ABRE. “Entre elas, soluções que atendem a volumes menores de produção, compatíveis com um mercado mais diversificado, tecnologias para rastreabilidade e autenticidade, e soluções com foco em valorizar a ocasião de consumo, oferecendo conveniência e experiência diferenciadas, fortalecendo a conexão emocional com os consumidores.”
Pellegrino também destaca novas tecnologias em barreira, que possibilitam embalagens com estruturas mono-materiais, conferindo viabilidade técnica para a reciclagem mecânica. Assim como sistemas digitais de informação que apoiam a circularidade, como é o caso do Lupinha, disponibilizado pela ABRE.
“Trata-se de um QR Code padronizado GS1, impresso nas embalagens para oferecer informações ampliadas ao consumidor em texto e áudio, a partir da câmera do celular”, explica Pellegrino. “A solução contribui para acessibilidade, orientação de descarte e apoio à circularidade, aproximando a embalagem de uma plataforma de comunicação, informação e relacionamento”.
E sobre a adoção dessas tecnologias, ela complementa: “É preciso que cada uma seja pensada de forma aplicada, considerando o produto, o processo, a logística, o canal de venda e a realidade de cada segmento. Hoje as principais barreiras ainda estão ligadas a custo, escala e maturidade da cadeia.”

O pequeno empreendedor diante da inovação
É justamente para enfrentar essas barreiras que a edição 2026 da Fispal Tecnologia reserva atenção especial ao pequeno empreendedor por meio da iniciativa chamada de Jornada da Pequena Indústria.
Realizada em parceria com o Instituto de Embalagens, a atração oferece ao público de pequenos empreendedores um roteiro que combina conteúdo técnico, networking e um tour guiado por estandes selecionados com uma curadoria pensada para quem não tem tempo nem repertório para percorrer sozinho um pavilhão tão extenso quanto o da feira.
“Estruturamos o roteiro pensando nas dores reais das micro e pequenas indústrias. Selecionamos expositores, tecnologias e soluções capazes de gerar impacto direto em produtividade, redução de custos, sustentabilidade e competitividade”, explica Camilo. “Em grandes feiras, muitas vezes o visitante encontra dificuldade para identificar aquilo que realmente faz sentido para sua realidade. A Jornada foi concebida para facilitar esse processo.”
Segundo a diretora, esse é um momento particularmente favorável para os pequenos negócios. “O consumidor busca produtos com identidade, propósito, regionalidade e praticidade, e as pequenas empresas têm uma grande vantagem nesse cenário: agilidade.
Elas conseguem inovar mais rápido, testar novos formatos e criar conexões que muitas grandes indústrias têm dificuldade de construir”, afirma. “E a embalagem entra como uma ferramenta estratégica para potencializar essas oportunidades.”
Leia mais: Congresso Fispal Tec reúne especialistas para discutir as transformações da indústria de alimentos e bebidas: Setor de embalagens acelera transformação tecnológica e encara novos desafios e oportunidadesA capacitação técnica desse público ganha ainda um segundo reforço. Durante a feira, a ABRE lança o Guia ABRE de Desenvolvimento de Embalagem para Food Service, material com orientações sobre requisitos técnicos, funcionais, regulatórios e logísticos para um segmento cada vez mais marcado por delivery e conveniência.
Para quem está começando a modernizar suas embalagens, a recomendação da entidade é não complicar. “A modernização não precisa começar por uma solução complexa”, orienta Pellegrino. “Muitas vezes, melhorias em estrutura, design, fechamento, conservação, apresentação e funcionalidade já geram ganhos importantes de competitividade.”
| Serviço Fispal Tecnologia e TecnoCarne |
| Data: 16 a 19 de junho de 2026 Horários: Terça a quinta-feira: das 13h às 20h / Sexta-feira: das 13h às 18h. Local: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, 1,5 km – Vila Água Funda, São Paulo – SP Promoção e Organização: Informa Markets Brasil Ingressos: Acesse aqui; valores do 2º lote até o dia 25/05 Agência de Viagem: clique aqui |