Impulsionada pela mudança de comportamento do consumidor e pelo avanço das plataformas digitais, a categoria de sorvetes e gelatos vive uma nova fase no delivery. A atração Gelato Experience, da Fispal Sorvetes 2026, apresenta dados do iFood que revelam a transformação do sorvete delivery: antes associado ao consumo ocasional, o segmento passou a ocupar um papel central nas ocasiões de consumo dentro de casa.
Antes da pandemia, a categoria aparecia entre a 10ª e a 12ª posição nas vendas do aplicativo. Hoje, ocupa o sétimo lugar entre os segmentos mais vendidos da plataforma.
O crescimento está diretamente ligado à mudança na ocasião de consumo, segundo Isabela Goulart, head comercial do iFood. “A sobremesa ganhou protagonismo. Hoje o consumidor pede sorvete para consumir no sofá de casa, em momentos em família, em uma noite de jogo ou no fim de semana”, destaca.
Gelato premium avança acima da média
Outro destaque é o avanço do mercado premium. Enquanto o setor tradicional cresce cerca de 4%, o segmento de gelatos apresenta expansão superior ao dobro desse ritmo, impulsionado por consumidores dispostos a investir mais em produtos artesanais e experiências diferenciadas.
O movimento acompanha uma tendência global de premiumização da categoria. Dados da Mintel apontam crescimento anual de 10,7% no segmento de sorvetes premium no Brasil, impulsionado principalmente por atributos ligados à saudabilidade, diferenciação e experiência de consumo.
No cenário internacional, o mercado global de sorvetes premium deve saltar de US$ 55,08 bilhões, em 2023, para US$ 97,90 bilhões até 2032, segundo projeção da Fortune Business Insights. O avanço reforça o potencial de expansão de produtos com maior valor agregado e posicionamento mais sofisticado dentro do food service.
Entre os itens mais vendidos no delivery, o gelato artesanal lidera com 52% das vendas da categoria. Na sequência aparecem sobremesas artesanais (20%), sorvetes industrializados (15%), milk-shakes (7%) e picolés gourmet (6%). O movimento reforça a busca por produtos com maior valor agregado e cardápios mais completos.
Para o food service, o cenário abre espaço para estratégias de venda complementar. Segundo o iFood, incluir bolos, petit gâteau e acompanhamentos no cardápio ajuda a aumentar o ticket médio e reduzir os impactos da sazonalidade, especialmente em períodos mais frios.
Fim de semana concentra demanda
Os dados da plataforma também ajudam a desenhar o comportamento do consumidor no delivery. Cerca de 40% dos pedidos da categoria acontecem aos finais de semana, consolidando sábado e domingo como os períodos mais estratégicos para ações promocionais e combos familiares.
O ticket médio gira em torno de R$ 60 no segmento de gelatos, enquanto a segunda-feira aparece como o dia de menor demanda na semana. O comportamento abre espaço para campanhas específicas em dias de menor fluxo, além de estratégias voltadas à recorrência e fidelização.

Apelo visual ganha protagonismo nas vendas
Com a competitividade cada vez maior dentro dos aplicativos, o visual do produto passou a ter papel decisivo na conversão de pedidos. Durante a apresentação, Isabela destacou que o consumidor “come pelos olhos” e reforçou a importância de trabalhar produtos com forte apelo visual para as fotos nos apps de delivery.
Entre as principais estratégias para alavancar vendas no delivery, o foco está em produtos com boas coberturas, apresentações mais indulgentes e, principalmente, cores vivas, capazes de chamar atenção já na vitrine digital.
Os exemplos apresentados incluem sobremesas com chocolate, pizzas doces, picolés coloridos, bolos embalados em fatias, milk-shakes, gelatos artesanais e sorvetes soft — itens que se destacam visualmente e aumentam o potencial de clique e conversão dentro das plataformas.
A tendência acompanha o fortalecimento da chamada “instagramabilidade” no food service, em que textura, contraste de cores e apresentação passam a influenciar diretamente o desempenho comercial dos produtos no delivery.
Embalagem deixa de ser custo e vira experiência
Com a consolidação do delivery, a embalagem passou a ocupar papel estratégico na percepção de valor da marca. A tendência, segundo Isabela, é que ela deixe de ser apenas operacional para se tornar parte da experiência do produto.
Embora o isopor ainda domine a categoria, marcas premium começam a apostar em embalagens térmicas reutilizáveis, sacolas diferenciadas e soluções que reforçam identidade visual e experiência do consumidor.
A preocupação com performance logística também segue no radar. Tempo de entrega, conservação e resistência das embalagens continuam sendo fatores decisivos para fidelização.
Cardápios mais inteligentes ganham força
Outra tendência observada no delivery é a ampliação do mix de produtos. Além dos sabores clássicos — chocolate, baunilha e morango ainda concentram mais de 80% das vendas —, cresce a busca por versões com whey protein, zero lactose, veganas e low carb.
Os complementos também aparecem como oportunidade relevante de incremento de receita, principalmente em categorias como sorvete e açaí.
Na avaliação da plataforma, trabalhar diferentes formatos de embalagem e porções é essencial para atender múltiplas ocasiões de consumo. Os potes família representam até 55% das vendas da categoria, enquanto embalagens médias e individuais seguem relevantes para ampliar o alcance do cardápio.
Entre o clássico e o premium: o equilíbrio do cardápio no delivery
Apesar do avanço de produtos premium e versões funcionais, os sabores clássicos ainda concentram a maior parte da demanda no delivery. Chocolate — incluindo suas diferentes versões —, baunilha e morango seguem como base do consumo da categoria, reforçando a importância de trabalhar um cardápio equilibrado entre volume e inovação.
Além dos sabores tradicionais, itens considerados “básicos” para operação continuam sendo decisivos para performance no delivery, como casquinhas, diferentes tamanhos de embalagem e soluções que garantam conservação adequada durante a entrega.
Ao mesmo tempo, cresce o espaço para produtos voltados à diferenciação e percepção de valor agregado. Versões com whey protein, zero lactose, veganas, low carb e sem açúcar aparecem como alternativas para ampliar público e posicionamento premium.
A busca por experiência também impulsiona casquinhas artesanais, combinações exclusivas e complementos como nozes, marshmallows, raspas de limão e coberturas especiais. Nesse cenário, a montagem do pedido e a experiência de entrega passam a funcionar como extensão da marca no ambiente digital.
Ocasiões de consumo orientam estratégias de venda
Os dados, apresentados durante o Gelato Experience, também mostram que o delivery exige cardápios pensados para diferentes momentos de consumo. Nesse cenário, trabalhar tamanhos estratégicos deixou de ser apenas uma decisão operacional e passou a impactar diretamente o ticket médio.
As embalagens individuais, em torno de 250 ml, atendem o consumo imediato e pedidos unitários. Já os potes de 500 ml ganham força em ocasiões de compartilhamento entre casais, enquanto versões família, entre 1 litro e 1,2 litro, concentram as oportunidades de maior valor por pedido.
O movimento também impulsiona a criação de kits e combos, estratégia apontada como uma das mais eficientes para incremento de receita no delivery. A combinação de itens de maior margem, como coberturas, casquinhas artesanais e complementos, pode elevar o ticket médio entre 25% e 30%.
Outra tendência observada é o fortalecimento das campanhas voltadas ao consumo familiar nos finais de semana. Combos com dois ou três sabores, promoções temáticas e kits compartilháveis aparecem entre as principais apostas para ampliar volume e fidelização.
Já no período noturno, especialmente entre 18h e 23h, cresce o espaço para sobremesas voltadas ao pós-jantar. Nesse contexto, ganham relevância opções mais indulgentes, embalagens maiores para compartilhar e combos posicionados como “sobremesa do jantar”.
Promoções e redes sociais fortalecem vendas
O delivery também exige integração entre operação e comunicação. Promoções, combos familiares e campanhas sazonais seguem entre as principais estratégias para atrair consumidores e gerar recorrência.
Segundo o iFood, ações digitais ganham mais resultado quando são reforçadas nas redes sociais da marca, criando conexão entre os canais e ampliando o alcance das campanhas.
Para o setor de sorvetes, o cenário indica que o delivery deixou de ser apenas um canal complementar. Hoje, ele se consolida como uma vitrine estratégica para construção de marca, experiência e fidelização do consumidor.