Garantir a segurança microbiológica dos alimentos continua sendo a principal função da pasteurização. Mas, para a indústria, essa etapa passou a representar muito mais do que um requisito sanitário.
As soluções apresentadas na Fispal Tecnologia 2026 evidenciam uma transformação do segmento, impulsionada por automação, inteligência operacional, redução do consumo de energia e maior integração dos processos produtivos.
O movimento acompanha uma necessidade crescente das indústrias de produzir mais com menor custo operacional, aumentar a rastreabilidade dos processos e lidar com um cenário de escassez de mão de obra qualificada.
Nesse contexto, fabricantes de equipamentos apostam em tecnologias que ampliam a eficiência sem comprometer a qualidade dos alimentos.
A evolução também amplia o campo de aplicação da pasteurização. Se antes os equipamentos estavam fortemente associados aos laticínios, hoje atendem segmentos como bebidas, sucos, polpas de frutas, vinhos, sorvetes, ovos líquidos, óleos vegetais e ingredientes de alto valor agregado, como proteínas do soro do leite (whey protein).
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Automação se consolida como principal tendência do setor
Entre as tecnologias que mais chamaram atenção na feira, a automação aparece como consenso entre os fabricantes.
A busca por processos automatizados deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar praticamente uma exigência do mercado, segundo Lucas Aleixo, gerente comercial da Equilati Equipamentos.

A empresa levou à Fispal Tec dois conjuntos de pasteurização — um sistema a placas para processos convencionais, com temperaturas de até 75°C, e outro tubular destinado à produção UHT, capaz de operar entre 130°C e 140°C.
Os equipamentos atendem capacidades que variam de 250 litros por hora até cerca de 50 mil litros por hora, permitindo aplicações em pequenas, médias e grandes plantas industriais.
Além dos pasteurizadores, a empresa apresentou trocadores de calor voltados ao aquecimento e resfriamento de produtos como leite, água, ovos líquidos e sorvetes.
Eficiência energética passa a influenciar as decisões de investimento
A redução do consumo energético também ganhou espaço entre os critérios de escolha dos equipamentos.
Na Autitec Industrial, a aposta está na integração de tecnologias capazes de reduzir o uso de vapor durante o processo de pasteurização, um dos principais componentes do custo operacional das indústrias.
Em parceria com a fabricante italiana Navatta, a empresa oferece soluções que abrangem toda a linha de processamento de frutas, desde a extração da polpa, passando pela concentração a vácuo, pasteurização e envase asséptico.
O sistema permite diferentes configurações de envase, em tambores ou bags com capacidade entre dois e 50 quilos, adequando-se às necessidades de diferentes perfis de produção.
A tecnologia busca aumentar a eficiência do processo sem elevar o consumo energético, de acordo com Cristiane Silveira, da área comercial da Autitec Industrial.
“A tecnologia busca usar menos vapor, ter mais eficiência no processo e reduzir custo para o cliente”, pontua Cristiane.
Outro diferencial é a disponibilidade de equipamentos em estoque para pronta entrega. Em um mercado em que a fabricação pode exigir entre 120 e 180 dias, reduzir o tempo de implantação pode representar vantagem competitiva para indústrias que precisam expandir rapidamente sua capacidade produtiva.
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Digitalização amplia controle e rastreabilidade dos processos
A incorporação de recursos de monitoramento remoto aos sistemas de pasteurização também se mostrou como tendência na Fispal Tecnologia.
Os equipamentos mais recentes já permitem acompanhar indicadores operacionais em tempo real, como temperaturas, tempo de processamento e volume produzido, por meio de supervisórios acessíveis em computadores, televisores industriais ou smartphones.
Segundo Cristiane, a conectividade fortalece tanto o gerenciamento da produção quanto os processos de certificação.
“Hoje o cliente consegue monitorar pelo celular como está funcionando a máquina, quanto produziu, as temperaturas e os tempos do processo. Isso melhora o processo e também facilita os laudos necessários para certificações de qualidade”, pondera.
Além da rastreabilidade, o monitoramento remoto reduz o tempo de resposta diante de eventuais falhas e facilita o acompanhamento do desempenho dos equipamentos.
Soluções customizadas substituem equipamentos padronizados
Outra mudança importante é a crescente demanda por equipamentos desenvolvidos sob medida para cada processo industrial.

Especializada em troca térmica e filtração por membranas, a Rotainox atende diferentes segmentos, incluindo bebidas, laticínios, sucos, vinhos, biotecnologia, óleos e indústrias alcooleiras.
Os projetos são desenvolvidos a partir das características específicas de cada cliente, conforme conta Lucas Fernandes, comercial da empresa.
“Nosso equipamento é desenvolvido para atender exatamente às necessidades do cliente, considerando seu processo, suas temperaturas e suas aplicações, evitando adaptações posteriores na linha”, ressaltou Fernandes.
Além dos sistemas de pasteurização, a empresa apresentou soluções de osmose reversa, concentração por membranas, separação de proteínas do soro do leite, centrais CIP (Cleaning in Place), lavadoras de caixas e projetos de retrofit para ampliação da capacidade produtiva de equipamentos já instalados.
Entre os lançamentos, um dos destaques foi um sistema automatizado para padronização do teor de gordura do leite, tecnologia voltada à melhoria da padronização industrial e ao aumento da rentabilidade da produção.
Segundo a empresa, dependendo do porte da operação, o investimento pode apresentar retorno em aproximadamente cinco meses.

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Assistência técnica integra a proposta de valor
A confiabilidade operacional também aparece como fator decisivo na escolha dos equipamentos.
Os fabricantes reforçaram investimentos em suporte técnico especializado, manutenção preventiva e acesso remoto aos sistemas.
Na Equilati, a assistência inclui fornecimento de peças de reposição e suporte técnico remoto.
Já a Rotainox oferece monitoramento online 24 horas, permitindo que técnicos acessem os equipamentos instalados em qualquer parte do mundo para diagnóstico de falhas, atualização de softwares e ajustes operacionais.
A estratégia busca reduzir o tempo de parada das linhas produtivas, aspecto cada vez mais relevante em operações de alta disponibilidade.
O futuro da pasteurização passa pela preservação da qualidade dos alimentos
Além da automação e da eficiência energética, os fabricantes já trabalham em uma nova geração de tecnologias voltadas à preservação das características sensoriais dos alimentos.
Segundo a Rotainox, as pesquisas buscam desenvolver métodos que reduzam perdas durante o processamento e minimizem impactos sobre sabor, aroma, textura e propriedades nutricionais dos produtos.
O objetivo é tornar os processos térmicos cada vez mais precisos, conciliando segurança microbiológica, desempenho industrial e qualidade final.