*Por Martin Eckhardt, presidente da ABRASORVETE
Desde a fundação da ABRASORVETE, em 2020, estabelecemos um compromisso inabalável com a transparência e a evolução técnica do nosso mercado. Um dos pilares que sustenta essa trajetória é a nossa Comissão Técnica e de Assuntos Regulatórios (COTAR). Ao longo desses seis anos, a COTAR consolidou-se como a voz técnica dos nossos associados, atuando de forma ininterrupta para garantir que a indústria de gelados comestíveis não apenas cumpra normas, mas lidere discussões que impactam diretamente a gôndola e o consumidor.
Atualmente, vivemos um momento crucial com as Consultas Públicas da Anvisa nº 1.357/2025 (Rotulagem) e nº 1.362/2025 (Boas Práticas na Cadeia Produtiva de Alimentos). Como presidente da entidade, vejo esses debates como uma oportunidade de modernização, mas reforço: toda evolução regulatória deve vir acompanhada de viabilidade técnica e financeira.
Relacionado: Tendências de sorvete e açaí em 2026: O futuro do setor de gelados: Modernização regulatória com viabilidade operacionalO desafio da legibilidade em áreas reduzidas
Um dos pontos centrais da nossa análise técnica diz respeito à rotulagem em embalagens de tamanho reduzido, como as de picolés (superfícies de até 15 cm²). As novas exigências gráficas — que incluem padrões rígidos de contraste e fontes sem serifa — impõem um desafio gigante de design e engenharia.
Não se trata apenas de estética; falamos de custos de transição, descarte de estoques e a necessidade de novos equipamentos de impressão. Nossa missão, através da COTAR coordenada por uma de nossas diretoras da ABRASORVETE, Kërley Torres, é colaborar com o órgão regulador para que os cronogramas de adaptação sejam factíveis, evitando sobressaltos que possam encarecer o produto final.
Açúcares adicionados e o P&D
A nova definição de açúcares adicionados é outro pilar que exige atenção. Ao incluir sucos concentrados e purês de frutas nessa contagem, a Anvisa mexe diretamente no P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) das empresas. Muitas receitas que hoje entregam saudabilidade podem precisar de reformulação para evitar advertências que não refletem a proposta real do produto. O mapeamento desses custos de desenvolvimento e testes laboratoriais é uma prioridade da ABRASORVETE neste momento.
Segurança de alimentos como diferencial competitivo
Por outro lado, enxergamos na CP nº 1.362/2025 uma janela estratégica. Ao atualizar os requisitos higiênico-sanitários específicos para fabricantes, a Anvisa impulsiona a governança das fábricas. A migração para sistemas de gestão de risco mais robustos, com foco em rastreabilidade e controle de alergênicos, não deve ser vista apenas como uma obrigação, mas como um investimento em competitividade e segurança jurídica para o varejista.
A ABRASORVETE segue firme em seu papel de interlocutora estratégica. O sorvete brasileiro vive um ciclo de profissionalização sem volta. Queremos um ambiente de negócios moderno e seguro, onde a inovação tecnológica caminhe de mãos dadas com a conformidade regulatória.
Participar ativamente dessas consultas públicas é garantir que o setor continue gerando empregos, renda e, acima de tudo, entregando um produto de excelência ao brasileiro, com a segurança que ele merece e a viabilidade que a nossa indústria precisa para crescer.