*Por Márcio Favaro, Presidente da ABRASORVETE

Com o início da Copa do Mundo, o varejo brasileiro se transforma. Mas, muito além dos tradicionais setores de bebidas e petiscos, há um segmento que desenhou uma tática precisa para conquistar o consumidor neste mundial e que está saindo direto dos freezers: a indústria de gelados comestíveis. Como presidente da ABRASORVETE (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis), tenho acompanhado de perto como as grandes competições esportivas funcionam como um verdadeiro combustível para o consumo, impulsionando nossas marcas a inovarem com agilidade e inteligência de mercado.

A Copa do Mundo é o cenário perfeito para a indústria demonstrar sua capacidade de inovação, adaptabilidade e criatividade. O sorvete já faz parte intrínseca dos momentos de celebração do brasileiro. Quando unimos a indulgência do produto ao forte clima de torcida, criamos uma experiência de consumo única. Para vencer esse jogo altamente competitivo, as marcas associadas à nossa entidade colocaram em campo estratégias robustas que vão de formulações exclusivas a campanhas interativas integradas ao ecossistema digital.

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O Raio-X do paladar do torcedor: líderes e tendências

Nenhum movimento estratégico ganha tração no mercado sem o amparo de dados. Antes de acionarem as linhas de produção para os lançamentos temáticos, as indústrias associadas se apoiaram no comportamento recente de consumo do brasileiro, minuciosamente mapeado em nossa última pesquisa setorial.

Os números revelam dinâmicas muito claras. O sabor Ninho consolidou-se como o líder absoluto da preferência nacional, sendo apontado como o mais vendido por 57,7% das indústrias de sorvete pesquisadas. Logo atrás desse pódio de vendas, figuram sabores tradicionais como o Chocolate (11,5%), seguidos por clássicos que nunca perdem relevância no varejo, como Creme/Baunilha (7,7%) e o Napolitano (7,7%).

Contudo, o grande destaque de mercado e fenômeno recente atende por outro nome: o Pistache. Embora ainda não lidere o volume total de produção, ele desponta como o sabor de crescimento mais explosivo do país na última temporada, citado por 46,2% das empresas como o que mais avançou em vendas. No contexto da Copa do Mundo, esse ingrediente ganhou um impulso extra, já que sua cor verde natural remete perfeitamente à nossa bandeira e ao clima de patriotismo.

Também identificamos que o pote de 2 litros (tamanho família) continua sendo o grande “carro-chefe” do setor para 34,6% das indústrias. Esse formato se justifica pelo excelente custo-benefício que oferece para as reuniões em grupo — comportamento padrão das famílias e amigos que se juntam para assistir às partidas da seleção.

Criatividade em campo: casos reais de inovação

Para traduzir esses dados em faturamento e gerar engajamento real, as marcas estruturaram ações rápidas e de alto impacto visual.

No campo das embalagens temáticas e engajamento digital, a Kaskin Sorvetes uniu o ponto de venda físico às redes sociais de forma brilhante. A marca envelopou seus potes tradicionais de 2 litros nos sabores Flocos e Napolitano com a identidade visual do mundial e ativou um sorteio de camisetas personalizadas no Instagram. O mecanismo é simples e eficaz: para concorrer, o cliente compra o produto, posta uma foto ou vídeo e marca o perfil oficial, gerando mídia espontânea contínua para o produto.

Outra grande tendência foi a releitura visual de clássicos do paladar brasileiro. A Duggê Sorvetes modificou a tradicional receita do napolitano e desenvolveu o exclusivo “NapoliCopa”, substituindo os sabores originais pela combinação de morango (representando a cor verde), creme (amarelo) e chocolate branco (azul), entregando as cores da bandeira em uma experiência inovadora. No mesmo caminho tático, a Maná Açaí Service expandiu seu portfólio de sazonais com o sorvete Napoli Copa, trazendo a exata combinação de verde, amarelo e azul para refrescar os dias de transmissão dos jogos.

Já no segmento de picolés, formato ideal para consumo individual e rápido, a Blaus Sorvetes e Picolés buscou no apelo tropical a sua fórmula de sucesso. A empresa lançou um picolé temático inteiramente trabalhado no conceito verde e amarelo, utilizando os sabores refrescantes de abacaxi com hortelã para atender aos dias de torcida mais quentes.

A goleada da indústria de gelados

O que esses exemplos nos mostram, e que serve de insights para todo o ecossistema de food service, é que a sazonalidade e as paixões nacionais devem ser encaradas como ativos de negócios.

A indústria brasileira de gelados comestíveis demonstrou maturidade ao abraçar a Copa do Mundo não apenas com decoração de gôndola, mas com inovação em formulação, estudo de volumetria e estratégias de marketing digital. É o nosso setor mostrando força estrutural, agilidade de resposta e provando que o sorvete é, sim, um produto versátil, democrático e capaz de garantir um resultado de goleada nas vendas e na mesa de todos os brasileiros.