Fundada há 36 anos por Meire Lousa, a Loja Santo Antonio acompanhou — e ajudou a impulsionar — a evolução do mercado de confeitaria no Brasil. Durante palestra na Confeitaria Profissional, atração da Fispal Food 2026, Meire e Francine Lousa mostraram como cursos, redes sociais, e-commerce e produção de conteúdo se tornaram ferramentas estratégicas para impulsionar vendas e fortalecer pequenos empreendedores do food service.

De uma loja improvisada a referência nacional

A empresa nasceu de forma simples, dentro da casa da própria Meire, com o objetivo de conquistar independência financeira sem abrir mão da proximidade com a família. Ao longo das décadas, o negócio cresceu apostando em diferenciação, relacionamento com clientes e capacitação profissional.

Desde o início, a proposta da loja foi apostar em diferenciação e relacionamento com o cliente. Em vez de apenas vender insumos, a empresa passou a compartilhar receitas e incentivar o público a produzir em casa, criando uma comunidade fiel em torno da marca.

“A gente sempre teve esse propósito de não vender o que todo mundo vendia, sempre fazer o diferente”, afirmou Meire. A escuta ativa do consumidor também ajudou a empresa a antecipar tendências e ampliar o portfólio ao longo dos anos.

Capacitação ajudou a impulsionar o mercado “faça e venda”

Na década de 1990, a Loja Santo Antonio começou a oferecer cursos presenciais de confeitaria, inicialmente realizados na garagem da família. A iniciativa coincidiu com a popularização de produtos como pão de mel, trufas e cestas personalizadas — segmentos que ganharam força no mercado naquela década.

Segundo Meire, a estratégia sempre foi unir venda de produtos com capacitação. A proposta ajudou a transformar a loja em referência para confeiteiras, boleiras e pequenos empreendedores que buscavam gerar renda a partir da produção artesanal.

A digitalização como caminho natural do negócio

A entrada no ambiente digital começou ainda em 2008, com a criação de blog e redes sociais. Já o e-commerce foi lançado oficialmente em 2012, permitindo que a empresa expandisse as vendas para todo o Brasil.

Francine Lousa, diretora de marketing da Loja Santo Antonio e filha de Meire, ressaltou que a empresa sempre priorizou crescimento gradual e adaptação constante às mudanças do mercado. “O importante é sair do lugar, mas tem que sair nem que seja pequeno”, aconselha.

A executiva reforçou ainda que a presença digital deixou de ser diferencial para se tornar necessidade no food service. “Se não tem rede social ativa, o cliente não te encontra”, aponta Francine.

Pandemia acelerou o consumo digital e a confeitaria caseira

Com o avanço da pandemia, a estrutura digital já consolidada ajudou a empresa a absorver o crescimento da demanda por cursos, conteúdos online e vendas de insumos.

Segundo Francine, muitas pessoas começaram a enxergar a confeitaria como alternativa de renda extra durante o período de isolamento.

As lives e cursos online passaram a ter papel estratégico nesse processo. O que antes era um projeto futuro precisou ser colocado em prática rapidamente para atender às novas demandas do mercado.

Hoje, a empresa mantém uma programação frequente de conteúdos voltados a confeiteiros, cafeterias, restaurantes e pequenos operadores do setor.

Redes sociais e delivery deixaram de ser opcionais

Outro ponto destacado pelas executivas foi a importância das redes sociais e das plataformas digitais para ampliar alcance e fortalecer marcas no setor de alimentação.

Para Francine, negócios que não aparecem no ambiente digital acabam perdendo relevância diante do consumidor.“Se você não se mostra, você não é visto”, pontua.

Além das redes sociais, ferramentas como e-commerce e aplicativos de delivery foram apontadas como canais importantes para aquisição de clientes e expansão regional.

Segundo as executivas, o cenário atual exige constância, produção de conteúdo e adaptação rápida às transformações do comportamento de consumo.

Fidelização e comunidade fortalecem o crescimento

Mais recentemente, a Loja Santo Antonio ampliou sua estratégia de relacionamento com o lançamento do “Clube da Meire”, programa de fidelidade que reúne promoções segmentadas, receitas e conteúdos exclusivos.

A iniciativa reforça um posicionamento construído ao longo de mais de três décadas: criar uma relação contínua com clientes de diferentes perfis — desde quem começa produzindo em casa até operações estruturadas de food service.

Ao encerrar a palestra, Meire Lousa destacou que o principal desafio para muitos empreendedores ainda é superar o medo de começar e se adaptar às transformações do mercado. “O medo tira a tua liberdade”, define Meire.

Para as executivas, a combinação entre capacitação, presença digital e proximidade com o cliente seguirá sendo determinante para o crescimento de negócios no setor de confeitaria e food service.