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Boi soberano: a retomada mercadológica da carne brasileira

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As indústrias frigoríficas, com o auxílio do Ministério da Agricultura, retomaram sua condição de preço no mercado da carne para exportação. Leia mais neste artigo de Marcio Cotini.

Na história da música Boi Soberano, de Tião Carreiro, o boi começa como um grande vilão e termina como um grande herói. Será que cabem analogias a respeito deste animal tão criticado? O boi que enfrenta e que se teme pela força física, com seus chifres pontiagudos, não mais oferece esse tipo de perigo, mas sim riscos de maior envergadura e complexidade. A­final ganhou notoriedade no desconhecimento das vozes nas redes sociais. Provavelmente caberia em alguma letra de música novamente, dos também falecidos Mamonas Assassinas.

Brincadeiras à parte, a soberania da qual me re­firo é mercadológica, pois recentemente este boi retomou sua condição de preço no mercado mesmo sem importação pela China. As indústrias frigorí­ficas, com auxílio do Ministério da Agricultura, retomaram o mercado russo e agregaram mais alguns países da Eurásia no pacote, zerando a tarifa de exportação para determinada cota.

Nessa mesma linha, outros países como Chile e Estados Unidos também entram no mercado, retomando ou importando maiores volumes. Países muçulmanos já fazem parte dessa carteira, assim como um mundo inteiro de opções.

A China é um gigante e todos sabemos disso, deve ser respeitado e almejado. Porém, essa sua condição não pode ser maior que a estratégia de sermos um celeiro de alimentos para o mundo. Fica cada vez mais claro que a habilitação de plantas frigori­ficas que antigamente não conseguiam exportar, fortaleceu e deu sustentabilidade nesse mercado diminuindo sua volatilidade e fazendo com que situações atípicas sejam encaradas com mais sobriedade.

Mesmo com distorções pontuais e até pertinentes, a nossa cadeia produtiva vem se fortalecendo e ganhando muito conhecimento, o que anteriormente parecia pertencer apenas aos frigorí­ficos. O produtor entendeu que a sanidade é fundamental e que os aspectos nutricionais abrem nichos e preços mais convidativos, assim como a genética e manejo racional.

As indústrias por sua vez estão mais abertas para troca de informação com o produtor e não estão tão engessadas no mercado interno, agregando valor e motivando sua naturalidade empreendedora. As experiências ruins do passado devem servir apenas para engrossar o couro, já que a carne tem que ser macia e suculenta.

Votando na soberania e no fundamentalismo das coisas, a macro visão de uma situação às vezes ­ fica mascarada por questões menores do que a realidade, ou presa a alguma ideologia que na maioria das vezes vem atrelada a uma estratégia que morrerá no futuro.

*Márcio Cotini é Zootecnista pela Universidade de Marília - SP, pecuarista e empresário rural no Estado do Tocantins. Atua como analista de mercado e assessor de abate bovino.

 

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