Nos últimos anos, o movimento clean label, ou rótulo limpo, ganhou força no mercado de alimentos e bebidas. Este conceito prioriza produtos mais naturais, menos processados e sem aditivos artificiais. 

A crescente demanda por transparência e saúde na alimentação impulsionou a indústria a adotar práticas mais limpas e claras em seus itens.

Os produtos que seguem o conceito clean label são caracterizados pela simplicidade e naturalidade de seus componentes. O objetivo é proporcionar ao consumidor uma escolha mais saudável e segura.

A seguir, entenda o que é clean label, como são produzidos e as vantagens de aderir ao movimento.

Relacionado: [Ebook] Clean label: os efeitos das novas regras de rotulagem: Clean label em 2026: como preparar sua indústria para o consumidor exigente

O que é um produto clean label?

Produtos clean label são formulados com ingredientes simples e naturais, sem aditivos artificiais, e têm como objetivo facilitar a leitura e o entendimento dos rótulos pelo consumidor.

Esse conceito se baseia no uso de ingredientes reconhecíveis, comuns à rotina doméstica, o que reforça a percepção de naturalidade e confiança no alimento.

Entre os principais pontos do movimento clean label, destacam-se:

  • Ingredientes simples e de origem natural;
  • Formulações com processamento mínimo;
  • Ausência de conservantes, corantes e aromas artificiais;
  • Maior clareza e transparência nos rótulos.

Em vez de aditivos sintéticos, esses produtos utilizam insumos naturais com funções tecnológicas e sensoriais

Segundo Juliana Paes, diretora de inovação da Superbom Alimentos e CEO da Inovar Faz Bem Consultoria, em entrevista ao Food Connection em 2022, a simplicidade da composição aliada à funcionalidade dos ingredientes é um dos grandes diferenciais dos alimentos clean label.

A busca por alimentos clean label cresce com a valorização da qualidade, da origem e das práticas produtivas. Além disso, a redução de alergênicos torna esses produtos mais seguros e acessíveis para consumidores com sensibilidades alimentares.

Esta imagem retrata um casal jovem em um momento de escolha consciente durante as compras em um supermercado.

Como produtos clean label são produzidos?

A produção de alimentos clean label exige revisão profunda de formulações, processos e fornecedores. O ponto de partida está na escolha de matérias-primas naturais, rastreáveis e com menor grau de processamento.

Entre as principais práticas adotadas estão:

  • Substituição de aditivos artificiais por alternativas naturais;
  • Uso de processos físicos e biológicos, como fermentação e desidratação;
  • Redução de etapas industriais excessivas;
  • Maior controle de qualidade e segurança ao longo da cadeia.

Além disso, a inovação tecnológica tem papel central. Técnicas modernas permitem melhorar estabilidade, textura e shelf life sem recorrer a aditivos sintéticos, um dos grandes desafios para implementação do clean label.

Estudos internacionais sobre ingredientes clean label apontam que a reformulação exige integração entre P&D, qualidade, suprimentos e marketing, reforçando a importância da inovação tecnológica para rótulos limpos.

Uma pesquisa da Nutraceutical Business Review mostra que a reformulação de produtos para clean label depende da colaboração entre P&D, suprimentos e marketing, sendo essencial a inovação tecnológica para conversões bem-sucedidas.

Características que tornam um alimento clean label 

Um alimento clean label se destaca por sua transparência e simplicidade, além das seguintes características:

  • Ingredientes naturais: utilização de componentes naturais, como frutas, vegetais, grãos e ervas.
  • Ausência de aditivos artificiais: não contém conservantes, corantes ou sabores artificiais.
  • Processamento mínimo: mantém o alimento o mais próximo possível de seu estado original, com métodos de preservação naturais.
  • Rotulagem transparente: rótulos claros e compreensíveis, sem termos técnicos complicados.
  • Sustentabilidade: preferência por ingredientes obtidos de fontes sustentáveis e práticas de produção que respeitam o meio ambiente.
  • Segurança alimentar: redução de alergênicos e substâncias que possam causar reações adversas, tornando os produtos mais seguros para consumo.

Essas características garantem que os produtos ofereçam uma opção consciente e confiável para os consumidores que buscam uma alimentação mais saudável e transparente.

Esta imagem foca em pacotes de amêndoas organizados em uma prateleira de supermercado, destacando produtos de uma linha orgânica e natural.

Regulamentação sobre clean label

Embora o termo clean label não possua definição legal específica, o conceito é diretamente impactado pelas regulamentações sobre clean label no Brasil, especialmente pelas normas de rotulagem nutricional e de ingredientes.

A ausência de uma regulamentação própria faz com que a indústria precise se apoiar em legislações como:

  • RDC 429/2020 (rotulagem nutricional frontal);
  • RDC 727/2022 (rotulagem de ingredientes);
  • Guias oficiais sobre alimentação adequada e saudável;

No cenário internacional, grandes varejistas também vêm pressionando a indústria.

Um exemplo recente é o Walmart, que anunciou a eliminação de corantes sintéticos, adoçantes artificiais e diversos aditivos de seus produtos de marca própria até 2027, em resposta às demandas do consumidor e às tendências regulatórias de saúde pública.

Esse tipo de movimento acelera a evolução do clean label na indústria alimentícia e influencia diretamente fornecedores e fabricantes no Brasil.

Rotulagem de ingredientes segundo a RDC Nº 727/2022

A RDC Nº 727/2022, emitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), estabelece normas específicas para a rotulagem de alimentos no Brasil. 

Essa regulamentação visa garantir que os consumidores recebam informações claras, precisas e compreensíveis sobre os produtos que estão adquirindo, promovendo a transparência e a segurança alimentar.

Os rótulos dos alimentos devem listar todos os ingredientes utilizados na formulação do produto, em ordem decrescente de quantidade. O primeiro ingrediente listado é aquele presente em maior quantidade, seguido pelos demais. 

Outro ponto importante da RDC Nº 727/2022 é a obrigatoriedade de destacar a presença de alergênicos nos rótulos. Ingredientes que podem causar reações alérgicas, como glúten, lactose, frutos do mar, entre outros, devem ser claramente indicados para alertar consumidores com restrições alimentares.

A norma contribui para uma escolha mais segura e informada, alinhada com os princípios do movimento clean label, que prioriza a transparência e a simplicidade na alimentação.

Relacionado: [Ebook] Importância dos ingredientes para o marketing na indústria de alimentos e bebidas: Clean label em 2026: como preparar sua indústria para o consumidor exigente

Vantagens da adoção do movimento clean label para indústria

A adoção do movimento clean label vem ganhando força impulsionada por um mercado em rápida expansão. 

Segundo a Global Market Insights, o mercado global de ingredientes clean label movimentou 28,2 bilhões de dólares em 2024 e deve alcançar 89,7 bilhões de dólares até 2034, com CAGR de 12,2%, refletindo a mudança no comportamento do consumidor.

Esse crescimento está diretamente ligado à busca por transparência, ingredientes naturais e produtos percebidos como mais seguros e saudáveis, o que torna o clean label uma estratégia competitiva para a indústria.

As principais vantagens para as empresas são:

  • Alinhamento com a demanda por saúde e bem-estar dos consumidores;
  • Fortalecimento da imagem de marca associada à transparência e confiança;
  • Maior potencial de diferenciação e fidelização do público;
  • Acesso a mercados internacionais com alta exigência por rótulos limpos;
  • Possibilidade de otimização de processos com formulações mais simples.

De acordo com Stella Munhoz, gerente de Marketing da Oterra para a América Latina, o uso de ingredientes naturais contribui para uma relação mais transparente entre marcas e consumidores, aumentando a confiança ao facilitar a leitura e compreensão dos rótulos.

Embora a transição possa exigir investimento inicial, a redução de aditivos artificiais e a simplificação das formulações tendem a gerar ganhos de eficiência no médio e longo prazo, além de sustentar o crescimento em um mercado cada vez mais orientado por saúde, transparência e regulação.

A imagem mostra três pacotes transparentes empilhados, contendo grãos embalados a vácuo ou selados em plástico. No topo, há um pacote com grãos claros e pequenos, semelhantes à quinoa branca. No meio, um pacote com grãos avermelhados, e na base, um com grãos escuros, possivelmente quinoa preta ou outro tipo de semente.

Futuro do movimento clean label

Agora que esses padrões de saudabilidade e transparência estão bastante estabelecidos para os clean-eaters, o movimento está começando a ter um olhar mais holístico da alimentação. Assim, começaram a ser pensados critérios como comércio justo e produção sustentável.

A busca por rótulos limpos privilegiou desde os primeiros passos a qualidade nutricional dos alimentos. Porém, vale lembrar que esses ingredientes químicos ou seus processos de produção podem causar poluição do solo, da água e lençóis freáticos.

Mais tecnológico

Para Juliana Paes, outra tendência do movimento clean label é buscar e incorporar mais tecnologias da indústria da alimentação que permitam trazer ainda mais benefícios para a saúde do consumidor.

“A indústria que busca alternativas naturais, busca a modernização do consumo pós-pandemia, busca modernizar seus processos, que está relacionada aos novos costumes de preocupação com a saúde, meio ambiente e transparência, vai crescer”, afirmou a diretora de inovação da Superbom Alimentos e ceo da Inovar Faz Bem Consultoria.

Assim, nutricionistas e engenheiros de alimentos podem explorar mais a expertise do setor da alimentação para, dentro das premissas do rótulo limpo, combinar ingredientes para desenvolver um produto saudável, com sabor e textura palatáveis para os consumidores.

Desenvolvimento de novos produtos

O desenvolvimento de novos produtos será uma área de grande inovação no contexto clean label. 

As empresas estão continuamente pesquisando e desenvolvendo alternativas naturais para ingredientes artificiais comuns. Isso inclui a criação de conservantes naturais, corantes de origem vegetal e sabores derivados de fontes naturais.

Crescimento do uso de adaptógenos na indústria

Os adaptógenos, que são substâncias naturais conhecidas por ajudar o corpo a lidar com o estresse, estão ganhando popularidade e devem desempenhar um papel significativo no futuro do movimento clean label. 

Ingredientes como ginseng, ashwagandha e cogumelos reishi estão sendo incorporados em uma variedade de produtos, desde bebidas até barras de cereais.

Esses ingredientes não apenas se alinham com o conceito clean label devido à sua naturalidade, mas também oferecem benefícios adicionais à saúde, atraindo consumidores em busca de bem-estar holístico.

O uso de adaptógenos representa uma interseção entre alimentação e medicina tradicional. Com a crescente conscientização sobre os efeitos do estresse na saúde, esses ingredientes oferecem soluções naturais para melhorar a qualidade de vida.

A incorporação de tecnologias inovadoras, o desenvolvimento de produtos naturais e funcionais e o aumento do uso de adaptógenos são apenas algumas das maneiras pelas quais a indústria alimentícia está se preparando para um futuro mais saudável e transparente.