Food Connection faz parte da divisão Informa Markets da Informa PLC

Este site é operado por uma empresa ou empresas de propriedade da Informa PLC e todos os direitos autorais residem com eles. A sede da Informa PLC é 5 Howick Place, Londres SW1P 1WG. Registrado na Inglaterra e no País de Gales. Número 8860726.

Alimentos alergênicos: quais são e como rotular segundo a Anvisa

Article-Alimentos alergênicos: quais são e como rotular segundo a Anvisa

alimentos-alergenicos.jpg

Os alimentos alergênicos incluem amendoim, castanhas, crustáceos, leite, peixe, ovos, soja e trigo. Segundo a Anvisa, a rotulagem deve destacar esses ingredientes no rótulo, próximo à lista de ingredientes, para garantir a legibilidade e visibilidade. Saiba mais a seguir.

Os alimentos alergênicos são aqueles que podem desencadear reações alérgicas em pessoas sensíveis. Essas reações ocorrem quando o sistema imunológico identifica uma ameaça em certos componentes dos alimentos, como proteínas.

A segurança alimentar é um tema vital, especialmente para pessoas com alergias alimentares. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regula como os alimentos alergênicos devem ser rotulados.

As empresas devem informar claramente a presença de qualquer um dos principais alergênicos em seus produtos. Isso ajuda a prevenir reações alérgicas graves, que podem variar de erupções cutâneas e problemas respiratórios até anafilaxia, uma condição potencialmente fatal.

Para se adaptar às demandas atuais, a indústria de alimentos precisa adotar práticas rigorosas de rotulagem e controle de qualidade. Isso inclui garantir que os rótulos sejam claros e fáceis de entender, além de implementar medidas para evitar a contaminação cruzada durante a produção.

Assegurar a transparência na informação dos ingredientes é essencial para proteger a saúde dos consumidores e atender às exigências da Anvisa, promovendo a confiança na indústria alimentícia.

Relacionado: FiSA 2024 promove debates e destaca soluções para os maiores desafios do setor de ingredientes, alimentos e bebidas

Quais são os alimentos alergênicos?

A princípio, existem mais de 170 alimentos considerados desencadeadores de alergias alimentares. No entanto, estudos internacionais apontam que aproximadamente 90% dos casos de reações alérgicas são provocados por apenas oito alimentos: 

  • Amendoim
  • Castanhas
  • Crustáceos
  • Leite
  • Peixe
  • Ovos
  • Soja
  • Trigo

Todos esses alimentos são reconhecidos como potenciais alergênicos pelo Codex Alimentarius, órgão da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) responsável por compatibilizar as regras para alimentos em diversos países do mundo.

Gestão de riscos na indústria

Gerenciar e reduzir o risco de contaminação cruzada por alimentos alergênicos é crucial para a segurança alimentar. Na indústria, diversas estratégias são adotadas para minimizar esses riscos e garantir que os produtos finais sejam seguros para consumo.

Separação física e temporal

Uma das principais estratégias de gerenciamento de riscos de alergias alimentares é a separação física ou temporal das linhas de produção. Isso significa que alimentos alergênicos devem ser processados em áreas separadas ou em horários distintos daqueles destinados a produtos não alergênicos. Esta prática ajuda a evitar a contaminação cruzada.

Limpeza e higienização rigorosas

Implementar protocolos rigorosos de limpeza e higienização é fundamental. Equipamentos e superfícies de trabalho devem ser limpos minuciosamente após o processamento de alimentos alergênicos. O uso de detergentes e desinfetantes apropriados ajuda a remover resíduos que poderiam causar contaminação.

Treinamento de funcionários

Funcionários bem treinados são essenciais para a gestão eficaz de riscos. Eles devem ser capacitados para entender a importância da separação dos alergênicos, reconhecer os perigos da contaminação cruzada e seguir corretamente os procedimentos de limpeza.

Rótulos e embalagens claros

Garantir que todos os produtos sejam rotulados de acordo com as normas é uma medida crucial. Rótulos claros e precisos ajudam os consumidores a identificar a presença de alergênicos, minimizando o risco de reações alérgicas.

Auditorias e inspeções regulares

Realizar auditorias internas e inspeções regulares ajuda a identificar possíveis falhas nos processos de produção. Essas inspeções garantem que os protocolos de segurança estejam sendo seguidos corretamente e permitem ajustes conforme necessário.

Monitoramento e testes

Por fim, implementar programas de monitoramento e testes para detectar a presença de alergênicos em produtos finais é outra prática eficaz. Testes regulares garantem que os níveis de contaminação estejam dentro dos limites aceitáveis, proporcionando uma camada adicional de segurança.

Essas estratégias são fundamentais para proteger a saúde dos consumidores e manter a confiança na indústria alimentícia. A implementação de práticas robustas de gestão de riscos contribui para um ambiente de produção mais seguro e responsável, atendendo às necessidades de todos os envolvidos na cadeia alimentar.

Rotulagem de alérgenos segundo a Anvisa

A rotulagem de alérgenos é uma prática essencial para garantir a segurança alimentar e proteger consumidores que sofrem de alergias alimentares. 

No Brasil, a Anvisa estabeleceu diretrizes claras para a rotulagem de alimentos alergênicos através da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 26/2015. Essas diretrizes são cruciais para informar os consumidores sobre a presença de alérgenos nos produtos alimentícios.

consumidor analisando rótulo de alimento no mercado

Declaração obrigatória

A RDC 26/2015 exige que todos os alimentos industrializados informem a presença de ingredientes que podem causar alergias.

Essa informação deve ser clara e destacada no rótulo, utilizando termos como "Alérgicos: Contém [nome do alérgeno]" ou "Alérgicos: Pode conter [nome do alérgeno]" quando há risco de contaminação cruzada.

Lista de alérgenos

A resolução especifica uma lista de alimentos alergênicos que devem ser declarados, incluindo:

  • Cereais contendo glúten (trigo, centeio, cevada, aveia e suas estirpes hibridizadas)
  • Crustáceos
  • Ovos
  • Peixes
  • Amendoim
  • Soja
  • Leite de todos os mamíferos
  • Nozes e castanhas (como amêndoas, avelãs, castanha de caju, castanha-do-pará, macadâmia, noz-pecã, pistache, pinoli)

Formatos de declaração

A Anvisa determina que a declaração deve ser feita de forma a garantir a legibilidade e visibilidade para os consumidores. A informação deve estar próxima da lista de ingredientes ou destacada em um local de fácil visualização no rótulo.

Contaminação cruzada

Nos casos onde não é possível garantir a ausência de contaminação cruzada, a rotulagem deve incluir a declaração "Alérgicos: Pode conter [nome do alérgeno]". Isso é especialmente importante em fábricas onde diferentes produtos são processados nas mesmas linhas de produção.

A correta rotulagem de alérgenos não só atende às exigências legais, mas também desempenha um papel vital na prevenção de reações alérgicas que podem ser graves e até fatais. Consumidores confiam nessas informações para tomar decisões seguras sobre os alimentos que consomem.

As diretrizes da Anvisa para a rotulagem de alérgenos são um passo importante para aumentar a transparência na indústria alimentícia e proteger a saúde pública. Empresas que seguem essas regulamentações demonstram um compromisso com a segurança e o bem-estar de seus consumidores.

Relacionado: [Ebook] Tendências em ingredientes para 2024

Rotulagem segundo o Mercosul

No Mercosul, a rotulagem é regida por diretrizes específicas que visam harmonizar os regulamentos entre os países membros. Essas diretrizes garantem que os consumidores recebam informações claras e consistentes sobre os produtos alimentícios, promovendo a segurança e a transparência no mercado.

Assim como a Anvisa, o Mercosul exige que os rótulos de alimentos informem a presença de alérgenos. A lista de alérgenos considerados é semelhante e inclui ingredientes como glúten, crustáceos, ovos, peixes, amendoim, soja, leite e nozes.

Os rótulos devem ser claros e legíveis, utilizando termos que os consumidores possam facilmente entender. A declaração de alérgenos deve estar próxima à lista de ingredientes ou em um local destacado no rótulo, juntamente com informações detalhadas sobre os ingredientes, valores nutricionais, data de validade, e instruções de armazenamento.

Testes e análises para indústria

A detecção e quantificação de alérgenos são processos críticos para garantir a segurança dos consumidores. Métodos avançados e técnicas específicas são utilizados para identificar a presença de alérgenos nos produtos alimentares, minimizando o risco de contaminação cruzada e reações adversas.

O ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay), por exemplo, é um dos métodos mais comuns e eficazes para a detecção de alérgenos. Este teste utiliza anticorpos específicos para identificar e quantificar proteínas alergênicas em amostras de alimentos. É altamente sensível e pode detectar alérgenos em níveis muito baixos, proporcionando resultados rápidos e confiáveis.

funcionária da indústria de ingredientes analisando produtos na indústria

Já a espectrometria de massa é extremamente eficaz para identificar e quantificar proteínas alergênicas com alta precisão. Esta técnica é particularmente útil para confirmar a presença de alérgenos em produtos que passaram por processamento intensivo.

Existem alguns outros testes e metodologias de análises aprofundadas que podem ajudar para a conformidade regulatória e a proteção do consumidor. Essas práticas não só atendem às exigências legais, mas também fortalecem a confiança na segurança dos produtos alimentares.

Relacionado: [Ebook] Tendências regulatórias no setor de alimentos e ingredientes para 2024

Alternativas aos alimentos alergênicos

Para pessoas com alergias alimentares, encontrar alternativas seguras e nutritivas é essencial para manter uma dieta balanceada e evitar reações alérgicas. A indústria tem desenvolvido diversas opções para substituir os principais alergênicos, permitindo que os consumidores com restrições alimentares desfrutem de uma variedade de alimentos.

Para aqueles que são alérgicos ao leite de vaca, por exemplo, há várias alternativas à base de plantas, como leite de amêndoa, leite de soja, leite de coco e leite de aveia. Esses substitutos não apenas evitam reações alérgicas, mas também são enriquecidos com nutrientes como cálcio e vitamina D para garantir uma nutrição adequada.

leite em garrafas de vidro

As alergias a nozes e amendoim são bastante comuns, mas alternativas como manteiga de sementes de girassol, manteiga de soja e produtos feitos de sementes de abóbora oferecem opções seguras e saborosas.

Os “substitutos” de alimentos para alérgicos não apenas protegem os consumidores de reações adversas, mas também contribuem para uma dieta diversificada e nutritiva. Essas opções permitem que mais pessoas desfrutem de uma alimentação variada e segura.

A gestão de alimentos alergênicos é essencial para garantir a segurança e a confiança dos consumidores. Seguir as diretrizes da Anvisa não apenas cumprem os requisitos legais, mas também demonstram um compromisso com a responsabilidade e a transparência na indústria alimentícia, promovendo um ambiente mais seguro e inclusivo para todos.

LEIA MAIS

  1. Alimentos que contém cobre: qual a quantidade permitida no Brasil?
  2. Com soluções inovadoras, tecnologias ligam modo turbo da indústria alimentícia
  3. Bióticos: o sucesso dos microrganismos na saúde e no mercado
  4. Um terço dos consumidores quer prazo de validade maior nos alimentos
  5. Upcycling: conceitos e cases de reutilização de alimentos e ingredientes na indústria
Ocultar comentários
account-default-image

Comments

  • Allowed HTML tags: <em> <strong> <blockquote> <br> <p>

Plain text

  • No HTML tags allowed.
  • Web page addresses and e-mail addresses turn into links automatically.
  • Lines and paragraphs break automatically.
Publicar