O Índice Global de Inovação (Global Innovation Index – GII) é um dos principais indicadores para avaliar a capacidade dos países de transformar conhecimento em inovação e desenvolvimento econômico.
Publicado anualmente pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), o ranking analisa fatores como pesquisa, infraestrutura, ambiente de negócios, tecnologia e criação de novos produtos e serviços.
A seguir, entenda como o Índice Global de Inovação é calculado, a posição recente do Brasil no ranking, os desafios para avançar e como a inovação pode impulsionar a produtividade e a competitividade da indústria brasileira de alimentos e bebidas.
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Trata-se de um ranking internacional que avalia a capacidade dos países de criar, desenvolver e aplicar conhecimento para gerar inovação.
Para a indústria, acompanhar o desempenho no Índice Global de Inovação ajuda a identificar o nível de competitividade, os avanços tecnológicos e as oportunidades de desenvolvimento no mercado global.
Como o índice é calculado?
O GII é calculado a partir de dois grandes blocos: insumos de inovação e resultados de inovação.
Os insumos avaliam as condições que favorecem a inovação, como investimentos, infraestrutura, pesquisa e ambiente de negócios. Já os resultados analisam o conhecimento, a tecnologia e a criatividade gerados pelo país.
A pontuação final combina esses dois blocos e define a posição de cada país no ranking global. Países que entregam resultados de inovação acima do esperado para seu nível de desenvolvimento recebem destaque no relatório.
Quais indicadores são avaliados no GII?
O Índice Global de Inovação considera sete pilares principais:
- Instituições
- Capital humano e pesquisa
- Infraestrutura
- Sofisticação de mercado
- Sofisticação empresarial
- Conhecimento e tecnologia
- Resultados criativos
Cada pilar reúne diversos indicadores, como registros de patentes, qualidade das universidades, investimentos em pesquisa, acesso a crédito e capacidade de geração de novas tecnologias e produtos.
Quem publica o ranking?
O GII é publicado anualmente pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI/WIPO), em parceria com instituições acadêmicas e especialistas em inovação.
A edição de 2025 avaliou 139 economias, analisando diferentes aspectos relacionados à capacidade de gerar conhecimento, desenvolver tecnologias e transformar inovação em resultados econômicos.
Como está o Brasil no Índice Global de Inovação?
Na edição de 2025, o Brasil ocupa a 52ª posição entre 139 economias avaliadas.
Segundo dados divulgados pelo INPI, o país recuou duas posições em relação ao ano anterior, mas apresentou evolução significativa quando comparado à 62ª colocação registrada em 2020.
Evolução do país no ranking de inovação
Nos últimos cinco anos, o Brasil avançou 10 posições no ranking global. O principal destaque da edição de 2025 foi o pilar de capital humano e pesquisa, no qual o país passou da 57ª para a 48ª posição.
O desempenho em pesquisa e desenvolvimento (P&D) também apresentou avanço, com o Brasil alcançando a 26ª posição nesse indicador, conforme o relatório da OMPI.
Comparação do Brasil com outros países
As economias mais inovadoras em 2025 incluem Suíça, Suécia, Estados Unidos, Coreia do Sul, Singapura, Reino Unido, Finlândia, Holanda, Dinamarca e China.
Na América Latina, o Brasil se destaca como a principal economia inovadora da região. Segundo a OMPI, o país apresenta desempenho em inovação acima do esperado para seu nível de desenvolvimento.
Outro destaque é o ecossistema de inovação de São Paulo, que permanece entre os principais polos globais, reforçando a concentração de pesquisa e tecnologia no sudeste brasileiro.
Pontos fortes e desafios no Brasil
Entre os principais pontos fortes do Brasil no GII estão:
- infraestrutura de pesquisa;
- investimentos em pesquisa e desenvolvimento;
- capacidade acadêmica e científica;
- atuação de centros de inovação.
Por outro lado, os principais desafios envolvem o ambiente regulatório, a produtividade industrial e a transformação de conhecimento científico em produtos, serviços e processos comercializáveis.

Como o índice impacta a indústria de alimentos e bebidas?
A posição do Brasil reflete fatores que influenciam diretamente a competitividade da indústria de alimentos e bebidas, como acesso à tecnologia, capacidade de pesquisa, digitalização e potencial de expansão no mercado global.
A inovação em processos impulsiona a indústria de alimentos e bebidas de forma direta: empresas que investem em automação, digitalização e P&D reduzem custos, ampliam qualidade e abrem novos mercados.
| Dimensão | Impacto na indústria de alimentos e bebidas | Relação com o GII |
| Pesquisa e desenvolvimento | Criação de novos ingredientes, formulações, tecnologias e processos produtivos | Pilar de P&D e capital humano |
| Digitalização industrial | Uso de automação, rastreabilidade, dados e soluções da Indústria 4.0 para aumentar eficiência | Relacionada aos pilares de capital humano e pesquisa |
| Competitividade internacional | Desenvolvimento de produtos com diferenciais tecnológicos, sustentáveis e maior valor agregado para exportação | Associada aos pilares de infraestrutura e sofisticação empresarial |
| Sustentabilidade | Processos mais eficientes, redução de desperdícios e menor impacto ambiental | Relacionada aos pilares de tecnologia, conhecimento e outputs criativos |
| Integração universidade-indústria | Acesso a pesquisas aplicadas, inovação colaborativa e formação de profissionais qualificados | Associada ao pilar de capital humano e pesquisa |
A rastreabilidade se tornou uma exigência para a indústria. Esse avanço está relacionado ao nível de digitalização industrial e à capacidade de inovação do país, que permitem integrar dados, monitorar processos e garantir maior controle sobre a cadeia produtiva.
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Os principais desafios do Brasil no GII estão relacionados à capacidade de transformar conhecimento científico em inovação aplicada.
Para a indústria de alimentos e bebidas, esses gargalos representam barreiras que impactam produtividade, competitividade e desenvolvimento de novos produtos.
Investimentos em P&D
O Brasil ainda precisa ampliar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, especialmente no setor privado. O fortalecimento de parcerias entre empresas, universidades e centros de pesquisa é essencial para transformar conhecimento em soluções aplicáveis à indústria.
Formação de capital humano
A disponibilidade de profissionais qualificados é um dos fatores que influenciam a capacidade de inovação. A indústria de alimentos demanda especialistas em áreas como engenharia de alimentos, automação, tecnologia e ciência de dados para acelerar a adoção de novas soluções.
Ambiente regulatório
A complexidade dos processos regulatórios pode aumentar o tempo e o custo para desenvolver e lançar novos produtos. A modernização de processos e maior eficiência regulatória podem contribuir para tornar o ambiente de inovação mais competitivo.
Transformação digital da indústria
A adoção de tecnologias digitais ainda ocorre de forma desigual entre as empresas do setor alimentício.
Enquanto grandes indústrias avançam em automação, dados e inteligência artificial, pequenas e médias empresas enfrentam desafios relacionados a investimento, infraestrutura e acesso tecnológico.
Avançar nestes pontos é fundamental para que o Brasil melhore sua posição no Índice Global de Inovação e fortaleça a competitividade da indústria de alimentos em um mercado cada vez mais tecnológico e globalizado.
Tendências que podem elevar o Índice Global de Inovação no Brasil
A segurança alimentar tem na inovação e na tecnologia suas maiores aliadas.
Sistemas inteligentes de monitoramento, biotecnologia aplicada e automação de processos são vetores que já estão sendo explorados pelas empresas líderes do setor.
O contexto geopolítico também influencia o ecossistema de inovação. As relações entre geopolítica e alimentos impactam o acesso a insumos estratégicos e a capacidade da indústria brasileira de competir em mercados internacionais com produtos de maior valor agregado.

Como as indústrias brasileiras podem fortalecer sua capacidade de inovação?
A posição do Brasil no ranking global é um reflexo do que acontece dentro das empresas.
Para fortalecer a inovação, a indústria precisa combinar estratégia, cultura organizacional e gestão estruturada.
Cultura de inovação
Empresas inovadoras criam ambientes que incentivam testes, experimentação e desenvolvimento contínuo. Isso envolve direcionar recursos, tempo e liderança para projetos de inovação, mesmo quando os resultados não são imediatos.
Na indústria de alimentos, uma cultura voltada à inovação contribui para ciclos mais rápidos de desenvolvimento de produtos, integração entre diferentes áreas e adoção de tecnologias emergentes.
O tema foi discutido durante a edição histórica de 2026 da Fispal Tecnologia e da Tecnocarne.
Parcerias estratégicas
A inovação aberta (Open Innovation) permite que empresas acelerem o desenvolvimento ao conectar conhecimentos internos e externos.
Parcerias com universidades, institutos de pesquisa, fornecedores de ingredientes e startups ajudam a acessar tecnologias e competências especializadas.
No setor alimentício, a colaboração com foodtechs tem impulsionado avanços em áreas como formulação de produtos, embalagens inteligentes, biotecnologia e rastreabilidade.

Gestão da inovação
Inovar de forma consistente exige processos estruturados. A gestão da inovação ajuda as empresas a definir prioridades, distribuir investimentos e acompanhar resultados.
Metodologias como Stage-Gate, Design Thinking e métodos ágeis são utilizadas para organizar o desenvolvimento de produtos, reduzir riscos e acelerar a chegada de novas soluções ao mercado.
Indicadores de desempenho
Medir os resultados da inovação é essencial para aprimorar processos e direcionar investimentos. Alguns indicadores utilizados pela indústria incluem:
- número de projetos em desenvolvimento;
- investimento em P&D como percentual da receita;
- tempo entre desenvolvimento e lançamento de produtos;
- taxa de sucesso de novos produtos;
- número de patentes e registros realizados.
Estudos de caso: como as empresas brasileiras estão inovando
Algumas das principais empresas da indústria de alimentos brasileiras são exemplos de como a inovação pode impulsionar competitividade, eficiência operacional e desenvolvimento de novos produtos.
Ambev: digitalização e eficiência produtiva
A Ambev investe em digitalização de processos, automação industrial e redução do consumo de recursos, como água e energia.
A empresa também mantém iniciativas de inovação aberta com startups e centros de tecnologia para desenvolver soluções em áreas como embalagens, sustentabilidade e novos produtos.
Nestlé Brasil: pesquisa e desenvolvimento de produtos
A Nestlé Brasil possui centros de pesquisa e desenvolvimento voltados à criação de produtos alinhados às demandas do consumidor brasileiro.
A empresa investe em inovação com foco em nutrição, saudabilidade e reformulação de produtos, além de estabelecer parcerias com universidades e outros atores do ecossistema de inovação.
JBS: tecnologia e rastreabilidade na cadeia produtiva
A JBS utiliza tecnologias como biotecnologia, rastreabilidade digital e soluções de sustentabilidade para aprimorar a cadeia de produção de proteína animal.
A empresa também desenvolve programas de inovação aberta com startups que apresentam soluções aplicáveis à pecuária e ao processamento de alimentos.
Foodtechs e novos modelos de inovação
Empresas brasileiras como a MAHTA, foodtech que combina ciência nutricional e ingredientes amazônicos, e a Cellva, que transforma matérias-primas de cadeias produtivas brasileiras em ingredientes naturais, mostram como a inovação pode gerar novas aplicações a partir da biodiversidade e dos recursos nacionais.
Essas iniciativas fortalecem o ecossistema de inovação ao gerar novos negócios, atrair investimentos e desenvolver propriedade intelectual no país.
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Embora o Índice Global de Inovação indique uma evolução positiva do Brasil nos últimos anos, ainda existem desafios para fortalecer o ecossistema de inovação do país.
Para a indústria de alimentos e bebidas, esses desafios estão relacionados à competitividade, produtividade, transformação digital e capacidade de atender mercados cada vez mais exigentes.
O fortalecimento de uma cultura inovadora, a criação de parcerias estratégicas, a digitalização de processos e uma gestão eficiente de P&D são fatores essenciais para gerar crescimento sustentável e ampliar a competitividade das empresas brasileiras.