A indústria global de alimentos e bebidas atravessa uma fase de transformação acelerada, impulsionada pela convergência entre tecnologia digital, comportamento do consumidor e mudanças regulatórias. Entre os principais vetores dessa mudança está a expansão da inteligência artificial, que se aplica a diversas frentes, tais como: linha de produção, uso intensivo de dados para tomada de decisão, digitalização das cadeias de suprimentos, avanço das embalagens e rastreabilidade. É a Era da IA impulsionando a Revolução Digital.
Para as empresas que estão em fase de experimentação, Diogo Cortiz, professor e pesquisador em tecnologia, inovação e ciência cognitiva, alerta que é preciso refletir sobre seus processos industriais e identificar onde e como a tecnologia pode realmente agregar valor, o que é chamado de AI First. “Muitas vezes a inteligência artificial só vai trazer benefício se mudarmos, por exemplo, não necessariamente uma máquina, mas o processo como fazemos as coisas.”
Para parte da indústria, porém, a tecnologia já deixa de ser apenas um experimento para se tornar parte central da estratégia industrial. Para Kely Gouveia, head de Inovação e Negócio na Equilibrium e representante da comunidade BHBFood, o setor entra em uma nova fase de maturidade digital.
“A grande virada deixa de ser testar tecnologia e passa a ser industrializar tecnologia. A IA avança do backoffice para o chão de fábrica e para P&D, com aplicações práticas em inspeção e qualidade, manutenção preditiva, eficiência energética e aceleração do desenvolvimento de novos produtos”, afirma.
O uso de plataformas integradas de dados também ganha protagonismo. Segundo a especialista, a tendência é a consolidação de sistemas capazes de conectar governança, rastreabilidade e interoperabilidade em toda a cadeia produtiva. “Isso se conecta diretamente à manufatura inteligente e ao uso de gêmeos digitais para reduzir desperdícios, otimizar setups e melhorar a previsibilidade do supply chain”, explica.
Outra mudança relevante vem do próprio consumidor. Aplicativos de alimentação saudável, ferramentas de análise nutricional e sistemas de recomendação baseados em inteligência artificial começam a influenciar decisões de compra e padrões de consumo. Esse novo nível de transparência pressiona empresas a reforçar governança, qualidade das informações e clareza sobre formulações.
“A presença crescente da inteligência artificial no cotidiano do consumidor tornou-se um vetor estratégico para o setor”, afirma Adriana Stecca, sócia da KPMG. “Aplicativos já conseguem interpretar rótulos e sugerir substituições nutricionais mais adequadas, o que eleva o padrão de transparência e conformidade exigido da indústria.”
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