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Redução do consumo de água na indústria de bebidas veio para ficar

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Práticas sustentáveis colaboram com o meio ambiente e podem diminuir gastos.

A água é essencial para a vida humana, e tem também uma grande importância para a indústria. Seja em processos de irrigação, criação de gado, higiene ou na própria elaboração de produtos, é impossível imaginar a prática industrial sem água. Por isso, soluções que otimizem o recurso e evitem o seu desperdício têm ganhado cada vez mais espaço nas empresas, especialmente as de bebidas, ao longo dos últimos anos.

Entre elas está o Grupo Petrópolis, que produz cervejas de marcas como Itaipava, Crystal, Petra e Lokal, e possui fábricas em Boituva (SP), Bragança Paulista (SP), Teresópolis (RJ), Rondonópolis (MT), Alagoinhas (BA), Itapissuma (PE), Uberaba (MG) e a própria cidade de Petrópolis (RJ).

O Food Connection conversou sobre o tema com Alaercio Nicoletti, gerente de Sustentabilidade e Melhoria Contínua do grupo. "As empresas já tratam desse assunto há tempos, visto que a otimização do uso da água sempre traz benefícios ambientais, com a preservação de um recurso natural; sociais, com aumento da disponibilidade da água para a população como um todo; e econômicos, visto que há um custo envolvido na utilização da água", destaca, mostrando como o tema está diretamente relacionado ao conceito de ESG.

Redução de água

Entre as medidas mais conhecidas, estão a utilização de redutores de vazão. Basicamente, aplica-se uma peça no bocal de uma torneira, fazendo com que a água seja liberada em menor quantidade. Como uma boa parte da água que sai das torneiras costuma ser desnecessária para a maioria das tarefas, essa pequena alteração pode evitar desperdícios significativos, especialmente quando se pensa em grandes quantidades e em longo prazo.

As torres de resfriamento são outro ponto relevante de perda de água, que pode ocorrer pela evaporação forçada nos sistemas de ventilação, pela purga (correção do parâmetro de água para não prejudicar o sistema) ou pelo respingo durante o processo de recirculação da água nos sistemas de placas. Em relação ao último, é possível utilizar painéis retentores de gotas para evitar um volume grande de perdas, já que a peça concentra as gotas de tal forma que elas acabam voltando para o interior da torre, em vez de sair.

Também bastante presente na indústria, o sistema de higienização CIP (Cleaning In Place) permite limpar parte dos equipamentos sem a necessidade de um desmonte, por meio de bombas centrífugas radiais e tubulações para avanço e retorno de solução. Para otimização nesse sentido, Nicoletti destaca a possível melhoria com a interligação da tubulação de retorno de CIP da linha de mosto com o lavador de arroz, por exemplo.

"O retorno dos investimentos ocorre no médio-longo prazo, com a redução dos desperdícios no consumo de água", comenta o especialista. Segundo ele, atualmente, o Grupo Petrópolis consome apenas 3 litros de água (que, nas fábricas, é extraída de poços) para a produção de cada litro de cerveja. Segundo reportagem do G1, no início dos anos 2000, esse número girava em torno de 5 a 6 litros nas grandes cervejarias.

"As indústrias consomem 10% da água captada no Brasil. Questões econômicas e culturais levam a indústria brasileira a ter uma maior preocupação com a redução de desperdícios – e  consequentemente com o consumo de água –, do que países desenvolvidos", afirma Nicoletti.

Legislação no Brasil

Entre os métodos variados para redução do consumo de água, outro que chama atenção é a utilização da água de reuso em processos industriais. Porém, segundo o estudo "Água de reuso: uma alternativa sustentável para o Brasil", publicado em 2020 e produzido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz, Fundação Nacional de Saúde e Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), "No Brasil, ainda não há uma legislação específica para água de reuso".

São citadas a Norma nº 13.969, de 1997, da ABNT, a Resolução do Conama nº 274, de 2001, e a Portaria de Consolidação nº 5, de 2017, que abordam o tema, mas os autores destacam que "uma norma não tem a mesma função e importância que uma lei. Na normativa, implementar as instruções é facultativo; já na legislação é obrigatório. A falta de legislação específica dificulta a aplicação da água de reuso no país em razão da ausência de orientações técnicas para a implantação dos sistemas de reuso e a respectiva fiscalização de tais sistemas". Em relação a obrigatoriedades de reuso em determinados setores da indústria, a legislação varia a cada estado.

No Brasil, há a Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos e visa a "utilização racional e integrada" da água, "com vistas ao desenvolvimento sustentável", mas não cita especificamente a água de reuso e nem a questão industrial.

O poder público conta com o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), antes vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e, hoje, ligado ao Ministério do Desenvolvimento Regional. Veio dele, por exemplo, a Resolução nº 54, de 28 de novembro de 2005, que considerava a diretriz da ONU de que "nenhuma água de boa qualidade deverá ser utilizada em atividades que tolerem águas de qualidade inferior" para definir o conceito de "água de reuso" como uma água residuária (ou seja, esgoto, água descartada, efluentes líquidos de edificações, indústrias, agroindústrias e agropecuária, tratados ou não) que se encontra dentro dos padrões exigidos para sua utilização nas modalidades pretendidas. O material foi complementado posteriormente pela Resolução nº 121, de 16 de dezembro de 2010.

Nicoletti cita outro ponto relativo à questão: "Temos uma legislação abrangente aprovada desde 2010, que é a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010). Ela fala em ecoeficiência, consumo mínimo dos recursos naturais e reuso, três princípios que se aplicam diretamente à água."

Outras iniciativas

Além da redução no consumo de água, o Grupo Petrópolis tem adotado outras práticas sustentáveis ao longo dos últimos anos, como o envio de casca de cevada para alimentação de gado e do lodo industrial para fabricação de tijolos, além da disponibilização de pneus após o uso para a indústria de grama sintética. "Possuímos no Grupo uma fábrica de plásticos que faz produtos como nossas cadeiras, mesas, garrafeiras e shrink para embalagens que usam materiais reciclados dos nossos próprios produtos".

O Grupo Petrópolis também tem um programa de educação ambiental em escolas das comunidades próximas às fábricas, que chegou a atender mais de 2 mil estudantes com ações socioambientais via plataforma online e cartilhas ao longo do ano de 2021. Há ainda um programa de economia circular desde 2019, que incorpora projetos de plantio de árvores e educação ambiental. "A economia circular está tanto no ambiente interno das fábricas, no que tange à circularização dos resíduos industriais, quanto no externo, envolvendo a recuperação e a reinserção na cadeia produtiva dos resíduos pós-consumo", conclui Nicoletti.

Para conhecer outras soluções de Gestão Industrial e práticas ESG nas empresas, visite o Evento Híbrido da Fispal Tecnologia e TecnoCarne, que acontece de 21 a 24 de junho, na São Paulo Expo e na Plataforma Digital (credencie-se aqui).

Durante o evento, a Arena Fispal Tec trará na Plenária de Abertura o tema: “ESG e os Impactos na Cadeia Produtiva”, com Alexandre Carreteiro, Presidente da PepsiCo Brasil Alimentos, e Gilberto Xandó, Presidente da JBS Brasil. O tema estará ainda no Fórum ESG, com a participação de diversos executivos das principais companhias do ramo da alimentação. Outros temas debatidos nos fóruns serão de Gestão Industrial, Transformação Digital, Embalagens, Laticínios e Proteínas. Garanta aqui a sua participação na Arena Fispal Tec.


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