A carne halal é a carne permitida para consumo pela lei islâmica. Para receber esse nome, o animal precisa ser de uma espécie autorizada (o porco é proibido), ser abatido por um muçulmano com um corte rápido e ter o sangue totalmente drenado. Além disso, toda a cadeia, do frigorífico ao transporte, passa pela certificação de uma entidade islâmica reconhecida.

A palavra “halal” significa “permitido” em árabe. Hoje, porém, o termo vai além da religião: para muitos compradores, o selo também indica rastreabilidade, higiene e controle de qualidade.

É aí que o Brasil se destaca. Segundo o relatório State of the Global Islamic Economy 2025/26, o país exportou US$ 33,3 bilhões em alimentos para os países da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI) em 2024 e assumiu a liderança global, à frente de China e Índia. Para entender toda a cadeia da carne, do abate à exportação, confira o guia completo de frigorífico e açougue.

O que é carne halal

A carne halal segue as leis alimentares islâmicas. Por isso, além do abate específico, ela exige condutas éticas e de higiene em todas as etapas. O porco e qualquer subproduto dele são proibidos, assim como o sangue e a carne de animais mortos antes do abate.

Há também um ponto que costuma gerar confusão: não basta o produto final ter um selo. “Existe um conceito errado de que, para ter um produto halal, basta que ele seja certificado, mas é preciso envolver toda a cadeia de suprimento, produção e distribuição nesse processo”, afirmou Marco Tieman, CEO da LBB International, em painel do Global Halal Brazil Business Forum, em São Paulo.

Como é feito o abate halal

O abate segue regras rigorosas. Em resumo, o processo envolve três etapas:

  1. Oração: o abatedor, que deve ser muçulmano, recita “Bismillah” (“Em nome de Deus”) e “Allahu Akbar” (“Deus é grande”) antes do corte.
  2. Corte: o animal é abatido com um corte rápido, que secciona a traqueia, o esôfago e as artérias jugulares. Assim, a morte é rápida e o sofrimento, menor.
  3. Sangria: em seguida, o sangue é totalmente drenado.

Durante todo o processo, o animal deve ser tratado com respeito, sem maus-tratos. Depois do abate, a carne é manuseada com padrões rigorosos de higiene, para que permaneça pura e segura para o consumo.

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Mercado halal no Brasil e no mundo em 2026

O consumo halal cresce em ritmo acelerado. De acordo com o State of the Global Islamic Economy Report 2025/26, os gastos com alimentos halal somaram US$ 1,53 trilhão em 2024 e devem passar de US$ 2 trilhões até 2029.

Nesse cenário, o Brasil lidera as exportações de alimentos para os países da OCI, com US$ 33,3 bilhões em 2024. Entre os principais produtos estão as carnes, com destaque para o frango halal.

Os números da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira confirmam a força do setor. Em 2025, a carne bovina brasileira vendida aos países árabes somou US$ 1,79 bilhão, o segundo recorde anual seguido. De janeiro a agosto de 2026, essas vendas cresceram 20,23%, para US$ 1,177 bilhão, puxadas por Arábia Saudita e Egito. O frango, por outro lado, somou US$ 2,169 bilhões no mesmo período, queda de 4,55%.

Além disso, o país segue abrindo mercados. Em 2023, por exemplo, o Ministério da Agricultura e Pecuária informou que o Brasil exportou mais de 13,6 mil toneladas de frango halal para a Malásia, com faturamento de US$ 20 milhões.

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Grandes empresas investem no halal

As maiores processadoras de proteína do país apostam nesse mercado. Em agosto de 2023, a BRF anunciou uma joint venture com a Halal Products Development Company (HPDC), subsidiária do Public Investment Fund (PIF), fundo soberano da Arábia Saudita, para desenvolver a indústria halal no país. O acordo prevê uma sede para negócios halal, um Centro de Inovação de Alimentos Halal e um Centro de Excelência.

A Marfrig, por sua vez, tem certificação halal desde 2016 para produtos industrializados e desde 2017 para bovinos. Com isso, ampliou o número de países e clientes atendidos.

No Global Halal Brazil Business Forum, Leonardo Dall’Orto, que era vice-presidente de mercado internacional e planejamento da BRF, contou que a empresa trabalha com o mercado halal há mais de 50 anos. “Quando começamos, o supply chain era só um livro. Hoje podemos dizer que estamos chegando mais próximos aos consumidores finais”, disse. Segundo ele, a BRF embarca mais de 3.000 contêineres do Brasil para o Oriente Médio, e 60% vão para a rede própria de distribuição, com rastreabilidade total.

Pessoas reunidas à mesa desfrutando de um banquete, com pratos variados que incluem saladas, carnes halal e acompanhamentos

O Brasil é sinônimo de qualidade em produtos halal

No mesmo painel, Mahmood Al Bastaki, diretor-geral da World Logistics Passport (WLP), destacou que os produtos halal brasileiros fazem sucesso não só entre consumidores muçulmanos, mas também em mercados que exigem mais qualidade. “É um selo de alta qualidade”, afirmou.

Dall’Orto reforçou esse ponto: a BRF usa os procedimentos da produção halal também para vender em mercados não muçulmanos. “Utilizar os padrões halal em outros países aumenta a qualidade dos produtos e a segurança alimentar.”

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Logística e rastreabilidade

Países em posição geográfica estratégica funcionam como centros logísticos para o mercado islâmico. Segundo Al Bastaki, a WLP trabalha com 29 parceiros no Brasil, entre portos, operadores logísticos, associações como a Fambras e câmaras de comércio, para facilitar as operações dos exportadores.

Para Marco Tieman, a cadeia de suprimentos precisa estar alinhada ao mercado de destino. “Se você estiver exportando do Brasil para o Oriente Médio, por exemplo, será necessário atender aos requisitos do Oriente Médio e, se houver um incidente halal na remessa do produto, precisamos de ferramentas para isolar e investigar o que ocorreu. A tecnologia blockchain pode ajudar a rastrear o problema”, concluiu.

Mesa com pratos típicos da culinária do Oriente Médio, incluindo kebabs, saladas frescas, homus e folhados

Como obter a certificação halal

Para ser halal, o produto precisa ser validado por uma instituição islâmica reconhecida, como a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras). Em geral, o processo segue quatro etapas:

  1. Solicitação: a empresa procura uma certificadora reconhecida pelos países de destino.
  2. Análise: a entidade avalia ingredientes, processos, instalações e documentação.
  3. Inspeção: auditores visitam a planta para verificar se a produção segue os requisitos halal.
  4. Certificado: se tudo estiver em conformidade, a certificadora emite o certificado, mantido com auditorias periódicas.

Além do certificado, o frigorífico exportador precisa estar habilitado pelo Ministério da Agricultura para cada mercado. Saiba mais em Exportação de carne: como habilitar a sua empresa e Certificação para frigoríficos: quais visam atender comunidades específicas.

Carne halal vista de cima em mesa decorada com variedade de pratos, incluindo carnes grelhadas, arroz e acompanhamentos coloridos

Perguntas frequentes sobre carne halal

O que significa halal?

“Halal” significa “permitido” em árabe. O termo vale para alimentos, cosméticos, medicamentos e serviços que seguem os preceitos islâmicos. O oposto é “haram”, que quer dizer proibido.

O que é proteína halal?

É toda proteína animal produzida conforme as regras islâmicas, como carne bovina, de frango e de cordeiro, com abate e processamento certificados.

Qual a diferença entre halal e kosher?

Halal segue a lei islâmica, e kosher, a lei judaica. Nos dois casos, o abate é feito por um profissional da religião, o sangue é drenado e a carne de porco é proibida. No entanto, as regras diferem em vários pontos. O kosher, por exemplo, proíbe misturar carne e leite, enquanto o halal proíbe o álcool nos produtos.

Quem certifica a carne halal no Brasil?

A certificação é feita por entidades islâmicas reconhecidas pelos países importadores. A Fambras Halal, por exemplo, é a maior certificadora da América Latina.

O Brasil é o maior exportador de alimentos halal?

Sim. Segundo o State of the Global Islamic Economy Report 2025/26, o Brasil liderou as exportações de alimentos para os países da OCI em 2024, com US$ 33,3 bilhões.

O mercado halal oferece oportunidades para empresas comprometidas com qualidade, ética e rastreabilidade. Como a certificação exige padrões que vão além do abate, o selo virou referência em segurança alimentar e é valorizado também fora do mundo islâmico.

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