O mercado global de alimentos passa por uma aceleração na demanda por ingredientes plant-based, impulsionada pela crescente conscientização sobre saúde e impacto ambiental. Essa tendência tem pressionado a indústria a inovar em suas fórmulas, principalmente nas proteínas vegetais para produtos veganos.
Nesse contexto, a evolução das formulações alimentícias deixou de ser apenas uma resposta a tendências e passou a representar um eixo estratégico para empresas que desejam ampliar portfólio, tradicionalmente focado em soja e ervilha.
É nesse cenário que se destacam as proteínas de lentilha e de grão-de-bico, que surgem como alternativas robustas para aplicações veganas. A seguir, entenda por que essas leguminosas ganham protagonismo e quais são seus diferenciais para a indústria.
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Panorama de mercado das fontes de proteína vegetal
O mercado de proteínas vegetais está em expansão global e nacional, refletindo uma mudança significativa nos hábitos de consumo. A busca por alternativas à proteína animal e o crescimento do flexitarianismo são fatores-chave.
Segundo dados da Grand View Research, a taxa de crescimento anual composta (CAGR) global para o segmento de proteínas alternativas de origem vegetal está estimada em 7,7% ao ano para o período de 2024 a 2030.
No Brasil, o cenário é particularmente promissor para as novas matrizes proteicas:
- O mercado de proteína de grão-de-bico possui um CAGR estimado em 9,3% para o período de 2025 a 2030.
- O mercado brasileiro de proteína de lentilha tem um CAGR estimado em 6,0% a partir de 2025.
Essa demanda crescente por ingredientes para produtos plant-based também está ligada a consumidores mais exigentes que valorizam a sustentabilidade e o posicionamento de marca.
As empresas que exploram essas novas fontes, como as proteínas de lentilha e grão-de-bico, garantem vantagem competitiva e fortalecem o compromisso com o consumo de proteínas sustentáveis.
Por que escolher lentilha e grão-de-bico como fontes de proteína vegetal
A busca por alternativas à proteína animal acelerou a entrada de novas matrizes proteicas no mercado. Nesse cenário, a lentilha e o grão-de-bico ganham importância ao reunir funcionalidade, versatilidade e apelo à sustentabilidade.
Perfil nutricional e funcionalidade
Pesquisas em desenvolvimento de proteínas alternativas demonstram a alta concentração proteica dessas matrizes. Segundo dados da Embrapa, concentrados de lentilha podem alcançar até 80% de teor de proteína, enquanto os de grão-de-bico chegam a 73%.
Além disso, a combinação de aminoácidos essenciais e a boa digestibilidade tornam estas leguminosas fontes de proteína vegetal altamente eficientes para a substituição de ingredientes tradicionais.

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Sustentabilidade agrícola e ambiental
A escolha por essas leguminosas é altamente estratégica do ponto de vista de ESG (Environmental, Social and Governance) e para a construção de um planeta mais saudável, de acordo com pesquisas realizadas na União Europeia.
- Vantagens agrícolas: Lentilha e grão-de-bico são leguminosas que realizam a fixação biológica de nitrogênio no solo. Isso reduz a necessidade de fertilizantes sintéticos, diminuindo os custos de produção e o impacto ambiental.
- Valor para negócios: Este menor impacto ambiental, quando comparado à proteína animal, traduz-se em valor para o consumidor consciente. A utilização dessas permite uma comunicação de sustentabilidade forte, gerando diferenciação e apelo no mercado de alimentos plant-based.
Diversificação de proteínas vegetais para produtos veganos
O uso de lentilha e grão-de-bico possibilita a diversificação da matriz de ingredientes, superando as limitações sensoriais e funcionais frequentemente associadas à soja e à ervilha. Essa diversificação é essencial para o contínuo desenvolvimento de alimentos e bebidas veganas.
A inclusão destas fontes de proteína vegetal oferece aos formuladores novas ferramentas para melhorar a textura e sabor de produtos veganos, atendendo à demanda de consumo por proteínas sustentáveis.
Marcas que usam lentilhas e grão-de-bico em seus produtos
Diversas empresas brasileiras já reconheceram o potencial das proteínas de lentilha e grão-de-bico, utilizando-as como base para a inovação em alimentos veganos.
Vida Veg (Brasil)
A marca brasileira, líder em produtos veganos, utiliza o grão-de-bico como ingrediente principal em seu Homus Pasta de Grão-de-Bico. Trata-se de um produto 100% vegetal, livre de glúten e lactose, que exemplifica o uso dessas leguminosas em substitutos de laticínios e snacks funcionais.

Tensei (Brasil)
A Tensei, voltada para a alimentação saudável, oferece o Hambúrguer Vegetal Grão de Bico e Sementes, que utiliza o grão-de-bico como base proteica. A empresa também pratica o upcycling, reaproveitando alimentos para criar produtos nutritivos, reforçando a sustentabilidade e consumo consciente.

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Nutrify (Brasil)
Focada em suplementação, a Nutrify lançou a LENTEIN Proteína Vegetal Completa, um blend à base de lentilha. O produto é clean label (livre de glúten, lactose e soja) e é direcionado para suplementação e enriquecimento de receitas culinárias, demonstrando o valor da lentilha no setor de suplementos.

Lentilha e grão-de-bico são o futuro das proteínas
As proteínas de lentilha e grão-de-bico representam uma alternativa relevante e estratégica para a próxima geração de produtos veganos. Elas oferecem à indústria a oportunidade de atender à crescente demanda por sustentabilidade e valor nutricional.
A adoção dessas novas matrizes proteicas exige atenção técnica, de mercado e de sustentabilidade. Por isso, gestores e stakeholders do setor devem avaliar a inserção no portfólio, como um caminho para a inovação em proteínas funcionais e para a liderança no futuro da alimentação plant-based.