O mercado global de alimentos passa por uma aceleração na demanda por ingredientes plant-based, impulsionada pela crescente conscientização sobre saúde e impacto ambiental. Essa tendência tem pressionado a indústria a inovar em suas fórmulas, principalmente nas proteínas vegetais para produtos veganos. 

Nesse contexto, a evolução das formulações alimentícias deixou de ser apenas uma resposta a tendências e passou a representar um eixo estratégico para empresas que desejam ampliar portfólio, tradicionalmente focado em soja e ervilha. 

É nesse cenário que se destacam as proteínas de lentilha e de grão-de-bico, que surgem como alternativas robustas para aplicações veganas. A seguir, entenda por que essas leguminosas ganham protagonismo e quais são seus diferenciais para a indústria.

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Panorama de mercado das fontes de proteína vegetal

O mercado de proteínas vegetais está em expansão global e nacional, refletindo uma mudança significativa nos hábitos de consumo. A busca por alternativas à proteína animal e o crescimento do flexitarianismo são fatores-chave.

Segundo dados da Grand View Research, a taxa de crescimento anual composta (CAGR) global para o segmento de proteínas alternativas de origem vegetal está estimada em 7,7% ao ano para o período de 2024 a 2030.

No Brasil, o cenário é particularmente promissor para as novas matrizes proteicas:

Essa demanda crescente por ingredientes para produtos plant-based também está ligada a consumidores mais exigentes que valorizam a sustentabilidade e o posicionamento de marca. 

As empresas que exploram essas novas fontes, como as proteínas de lentilha e grão-de-bico, garantem vantagem competitiva e fortalecem o compromisso com o consumo de proteínas sustentáveis.

Por que escolher lentilha e grão-de-bico como fontes de proteína vegetal

A busca por alternativas à proteína animal acelerou a entrada de novas matrizes proteicas no mercado. Nesse cenário, a lentilha e o grão-de-bico ganham importância ao reunir funcionalidade, versatilidade e apelo à sustentabilidade.

Perfil nutricional e funcionalidade

Pesquisas em desenvolvimento de proteínas alternativas demonstram a alta concentração proteica dessas matrizes. Segundo dados da Embrapa, concentrados de lentilha podem alcançar até 80% de teor de proteína, enquanto os de grão-de-bico chegam a 73%. 

Além disso, a combinação de aminoácidos essenciais e a boa digestibilidade tornam estas leguminosas fontes de proteína vegetal altamente eficientes para a substituição de ingredientes tradicionais.

A imagem mostra um saco de tecido rústico, semelhante a juta ou algodão cru, parcialmente aberto e derramando uma grande quantidade de lentilhas secas sobre uma superfície também de tecido. As lentilhas têm tons naturais que vão do bege ao verde claro, criando uma paleta suave e orgânica.

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Sustentabilidade agrícola e ambiental

A escolha por essas leguminosas é altamente estratégica do ponto de vista de ESG (Environmental, Social and Governance) e para a construção de um planeta mais saudável, de acordo com pesquisas realizadas na União Europeia.

  • Vantagens agrícolas: Lentilha e grão-de-bico são leguminosas que realizam a fixação biológica de nitrogênio no solo. Isso reduz a necessidade de fertilizantes sintéticos, diminuindo os custos de produção e o impacto ambiental.
  • Valor para negócios: Este menor impacto ambiental, quando comparado à proteína animal, traduz-se em valor para o consumidor consciente. A utilização dessas permite uma comunicação de sustentabilidade forte, gerando diferenciação e apelo no mercado de alimentos plant-based.

Diversificação de proteínas vegetais para produtos veganos

O uso de lentilha e grão-de-bico possibilita a diversificação da matriz de ingredientes, superando as limitações sensoriais e funcionais frequentemente associadas à soja e à ervilha. Essa diversificação é essencial para o contínuo desenvolvimento de alimentos e bebidas veganas.

A inclusão destas fontes de proteína vegetal oferece aos formuladores novas ferramentas para melhorar a textura e sabor de produtos veganos, atendendo à demanda de consumo por proteínas sustentáveis.

Marcas que usam lentilhas e grão-de-bico em seus produtos

Diversas empresas brasileiras já reconheceram o potencial das proteínas de lentilha e grão-de-bico, utilizando-as como base para a inovação em alimentos veganos.

Vida Veg (Brasil)

A marca brasileira, líder em produtos veganos, utiliza o grão-de-bico como ingrediente principal em seu Homus Pasta de Grão-de-Bico. Trata-se de um produto 100% vegetal, livre de glúten e lactose, que exemplifica o uso dessas leguminosas em substitutos de laticínios e snacks funcionais.

Imagem de homus, uma pasta de grão-de-bico vegana, sem glúten e rica em proteínas, apresentada em embalagem de 170g.

Tensei (Brasil)

A Tensei, voltada para a alimentação saudável, oferece o Hambúrguer Vegetal Grão de Bico e Sementes, que utiliza o grão-de-bico como base proteica. A empresa também pratica o upcycling, reaproveitando alimentos para criar produtos nutritivos, reforçando a sustentabilidade e consumo consciente.

Pacote de burger vegano feito de grão de bico com sementes.

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Nutrify (Brasil)

Focada em suplementação, a Nutrify lançou a LENTEIN Proteína Vegetal Completa, um blend à base de lentilha. O produto é clean label (livre de glúten, lactose e soja) e é direcionado para suplementação e enriquecimento de receitas culinárias, demonstrando o valor da lentilha no setor de suplementos.

Imagem de embalagem de proteína vegetal Lentein, neutra, com design sustentável e informações nutricionais destacadas.

Lentilha e grão-de-bico são o futuro das proteínas

As proteínas de lentilha e grão-de-bico representam uma alternativa relevante e estratégica para a próxima geração de produtos veganos. Elas oferecem à indústria a oportunidade de atender à crescente demanda por sustentabilidade e valor nutricional.

A adoção dessas novas matrizes proteicas exige atenção técnica, de mercado e de sustentabilidade. Por isso, gestores e stakeholders do setor devem avaliar a inserção no portfólio, como um caminho para a inovação em proteínas funcionais e para a liderança no futuro da alimentação plant-based.