A Fispal Tecnologia começou nesta terça-feira (16), em São Paulo, com um debate sobre as transformações atuais e tendências que devem moldar a indústria de alimentos e bebidas até 2030.

A crescente demanda por proteínas, produtos mais saudáveis e bebidas de baixa caloria, aliada ao avanço da tecnologia e da inteligência artificial, foram destaques no painel “Desafios e Futuro: A Visão dos Líderes do Setor de Alimentos & Bebidas”, que reuniu Rodrigo Visentini, presidente da Unilever Alimentos Brasil; Mário Rezende, vice-presidente de Operações e Sustentabilidade da Danone Brasil; André Salles, CEO da Solar Coca-Cola; e Claudio Zanão, presidente executivo da ABIMAPI – Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados. 

Segundo Mário Rezende, da Danone Brasil, o consumo de proteínas vem impulsionando novos movimentos de mercado. “Deixamos de ser especialistas em iogurte para sermos especialistas em proteína”, afirmou. O executivo ressaltou ainda o crescimento de categorias ligadas à nutrição especializada, produtos sem açúcar e alimentação voltada para diferentes fases da vida.

Para Rodrigo Visentini, da Unilever Alimentos Brasil, acompanhar as novas demandas também exige antecipação e uso intensivo de tecnologia. “Nossa missão é estar um passo à frente”, disse. De acordo com ele, ferramentas de dados e inteligência de mercado permitem acelerar o desenvolvimento de produtos, tornando a inovação mais rápida e assertiva.

Representando a Solar Coca-Cola, André Salles destacou a expansão da procura por bebidas funcionais, zero açúcar e de baixa caloria. “Precisamos entender cada vez melhor o consumidor”, afirmou. O executivo também apontou a inteligência artificial como uma aliada para fortalecer marcas e ampliar a proximidade com os clientes em um cenário de consumo cada vez mais dinâmico em diferentes canais.

Ao projetarem o futuro do setor, os participantes concordaram que digitalização, sustentabilidade e inteligência artificial serão fatores decisivos para a competitividade. Além das mudanças nos hábitos de consumo, os líderes citaram desafios como inflação, reforma tributária, tensões geopolíticas e a necessidade de equilibrar a demanda por produtos “premium” com a necessidade de trazer produtos acessíveis. Para os executivos, a capacidade de adaptação será determinante para o crescimento da indústria na próxima década.

Ao dar início à edição 2026, a Fispal Tecnologia reforçou seu papel como espaço de discussão dos temas que devem transformar a indústria nos próximos anos. “Mais do que uma plataforma de negócios, a Fispal se consolidou como um espaço de conexão, colaboração e construção do futuro da indústria”, afirmou Marco Basso, CEO da Informa, promotora do evento.