As proteínas seguem entre os principais motores de inovação da indústria de alimentos, mas o futuro do setor depende de equilibrar avanços tecnológicos, viabilidade econômica e aceitação do consumidor. O tema foi debatido no painel “Proteínas do Futuro: Entre Inovação Tecnológica, Custo e Aceitação do Consumidor”, com mediação de Cristiana Ambiel, diretora de Ciência e Tecnologia do The Good Food Institute (GFI Brasil), no Summit Future of Nutrition, da FiSA 2026.
Durante o debate, Guilherme Costa Abid, diretor de P&D e indústria da Bold Snacks, destacou que o perfil de consumo mudou nos últimos anos. “Antes, o consumo de proteínas estava muito associado à alta performance e aos atletas. Hoje, ele está ligado ao bem-estar, à vida saudável e a uma preocupação mais ampla com a qualidade nutricional dos alimentos”, afirmou.
Na avaliação de Paula Speranza, engenheira de Alimentos, doutora em Ciência de Alimentos e fundadora da ProVerde Processos Sustentáveis, o avanço das proteínas alternativas ainda enfrenta três desafios centrais: melhorar as características sensoriais dos produtos, ampliar a funcionalidade das proteínas em diferentes aplicações e tornar os processos produtivos escaláveis. “O desafio é desenvolver proteínas vegetais que entreguem sabor, desempenho tecnológico e produção em escala compatíveis com as demandas da indústria”, explicou.
Já Guilherme Tavares, professor da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (FEA/Unicamp), ressaltou que o desenvolvimento de novos ingredientes exige conhecimento científico sobre o comportamento das proteínas. “As proteínas não são todas iguais. Elas estão presentes em diferentes sistemas biológicos e suas propriedades dependem diretamente de suas estruturas, o que influencia seu desempenho nas diversas aplicações alimentícias”, destacou.