O mercado de suplementação esportiva está avançando conforme novos estudos científicos comprovam a eficácia de proteínas vegetais. Thiago Amaral, representante da Aunare, apresentou dados que demonstram como alternativas vegetais estão alcançando e, em alguns aspectos, superando o tradicional whey protein, durante a palestra “Além do Whey: a ciência das proteínas vegetais”, realizada no Innovation Hub, atração da Fi South America 2026.
“Por muito tempo o whey foi padrão ouro de suplementação esportiva, e a Aunare trouxe algumas alternativas, principalmente proteínas vegetais”, iniciou Thiago Amaral. Segundo o especialista, esse mercado vem mudando não apenas por modismo, mas por ciência, sustentabilidade e mudanças no comportamento de consumo.
A evolução do perfil do consumidor de proteínas é notável. Antes restrito a atletas de alto rendimento, o consumo expandiu para pessoas com estilo de vida ativo que frequentam academias e praticam esportes. Mais recentemente, houve uma forte escalada no uso de proteínas relacionada ao uso de análogos de GLP-1, que se tornou uma tendência no mercado. Atualmente, o consumo de proteínas tornou-se massivo, com consumidores exigindo a presença desse nutriente em praticamente todos os produtos.
“Atletas de alto rendimento e pessoas com estilo de vida ativo estão buscando a mesma coisa hoje. É uma performance real, com uma origem limpa, sustentabilidade, digestibilidade melhor e uma narrativa com um propósito do porque utilizar a proteína”, explicou Amaral.
Os números apresentados durante a palestra revelam o potencial desse segmento. O crescimento do mercado de proteínas anual deve alcançar cerca de 10% até o ano de 2028, um crescimento considerado robusto para o setor. Durante a apresentação, foram destacadas seis proteínas vegetais diferentes, todas analisadas através da metodologia DIAAS (Digestible Indispensable Amino Acid Score ou Pontuação de Aminoácidos Indispensáveis Digestíveis), que mede quanto o corpo humano absorve essas proteínas de fato, numa escala onde 0,85 representa uma absorção considerável e 1,0 a máxima eficiência.
Os 3 pilares da demanda por proteínas vegetais
Thiago Amaral identificou três grupos principais de consumidores que impulsionam a demanda por proteínas vegetais. O primeiro é o mercado vegano, que não pode consumir leite e, consequentemente, não consumiria proteínas derivadas do leite. Trata-se de uma base de consumidores que cresce anualmente e representa uma fatia significativa do mercado.
O segundo grupo são os intolerantes à lactose. Embora existam whey proteins sem lactose disponíveis no mercado, ainda persiste a preocupação desses consumidores, que é completamente eliminada com as proteínas vegetais.
O terceiro pilar é o custo-benefício. O whey possui uma cadeia de suprimento complexa, com um investimento de capital elevado para fábricas e um fornecimento que pode ser instável e imprevisível. “O consumidor não quer mais só busca, ele quer performance de verdade com um propósito e um preço justo”, enfatizou o especialista.
Critérios para definir uma proteína superior
Segundo a apresentação, quatro pontos principais definem se uma proteína é superior. O primeiro é o perfil de aminoácidos, especialmente a presença e proporção dos nove aminoácidos essenciais e do BCAA, composto por isoleucina, leucina e valina, considerados os mais importantes para a performance muscular.
O segundo critério é a qualidade proteica dentro dos índices PDCAAS e DIAAS, metodologias que parametrizam a absorção dessas proteínas pelo organismo.
O terceiro ponto é a digestibilidade e absorção, ou seja, a velocidade e eficiência com que essas proteínas chegam aos músculos.
Por fim, o apelo de mercado, que engloba sustentabilidade, hipoalergenicidade, clean label (rotulagem limpa) e uma narrativa de origem sustentável, brasileira e biodiversificada.
6 proteínas vegetais em destaque
A palestra destacou seis proteínas vegetais com características distintas. A proteína de arroz foi apresentada como exemplo de clean label e hipoalergenicidade. A proteína de ervilha destaca-se por ser rica em BCAA e lisina, além de liderar em sustentabilidade.
A proteína de levedura foi descrita como super biotecnológica, chegando muito próximo do índice 1,0, ou seja, muito perto do whey em termos de absorção, com velocidade de absorção extremamente rápida comparada ao whey protein tradicional.
Um destaque especial foi dado à proteína de castanha do Pará. “A Natura cosméticos está lançando essa proteína de castanha do Pará na linha Natura Ingredients e eles escolheram a Aunare como representantes dessa proteína de castanha do Pará”, revelou Amaral. A proteína estava disponível para degustação no stand da empresa, aplicada em um sorbet (sorvete à base de água), permitindo aos visitantes experimentar a palatabilidade do produto.
Também foram apresentadas a proteína de fava, com perfil muito próximo da ervilha e capacidade de regeneração do solo, sendo uma proteína emergente em crescimento no mercado, e a proteína de abóbora, que possui alta concentração proteica e muitos minerais, como magnésio e ferro.
Comparativo de performance
Os dados apresentados mostraram que o whey continua como padrão, mas algumas proteínas alternativas chegam muito próximas em termos de performance. “A gente pode ver que o whey segue como um padrão ouro, mas que a gente tem algumas proteínas alternativas que chegam sim próximos do whey”, afirmou o especialista.
As proteínas de levedura, ervilha e arroz apresentaram diferenças decimais em relação ao whey, sendo excelentes opções para blends inteligentes. Quando combinadas adequadamente, essas proteínas conseguem criar um perfil completo, muito próximo do que o whey entrega em qualidade proteica.
Hoje, o whey referência fica na escala de 1,0 até 1,2, faixa que as proteínas de levedura e ervilha também alcançam.
Um ponto crucial apresentado foi a importância dos blends proteicos. Quando se combina uma proteína de cereais, como o arroz, rica em aminoácidos sulfurados, com leguminosas, como a ervilha, consegue-se completar o perfil, criando um perfil completo, altamente digestivo e com todos os aminoácidos essenciais, chegando à parametrização do whey.
Pico plasmático e saciedade
Um aspecto interessante abordado foi o pico plasmático, ou seja, quanto tempo em horas cada proteína demora para fazer a digestibilidade e absorção no corpo. O whey apresenta um pico plasmático rápido, de cerca de uma hora, ideal para pós-treino de atletas de alto rendimento.
Entretanto, outras proteínas vegetais oferecem vantagens diferentes. “Uma pessoa que consome uma proteína ou um blend com proteína de castanha consegue uma saciedade de até 4 horas”, explicou Amaral. Essa característica é especialmente interessante para o consumo de proteína antes de dormir, permitindo que durante a noite ocorra a digestão e os aminoácidos fiquem disponíveis por mais tempo, com uma saciedade prolongada e adição mais gradual de aminoácidos ao organismo.
Onde as proteínas vegetais vão além do whey
Em termos de sustentabilidade, as proteínas vegetais apresentam vantagens claras: baixo impacto ambiental, cadeias mais rastreáveis e culturas fixadoras de nitrogênio do solo, que melhoram a qualidade do solo para próximas plantações.
A hipoalergenicidade é outro diferencial, especialmente da proteína de arroz. O sensorial também se destaca, com sabor neutro em alguns casos e, em outros, como a proteína de castanha, apresentando palatabilidade agradável, sendo uma proteína saborosa.
A narrativa de origem é outro ponto forte, com biodiversidade, agricultura regenerativa e valorização da biodiversidade brasileira, especialmente no caso da proteína de castanha do Brasil ou do Pará, que está sendo lançada como Natura Ingredients.
Recomendações para aplicação industrial
Para traduzir todos os dados científicos em produtos comerciais, Thiago Amaral ofereceu orientações práticas. Para quem busca máxima performance esportiva, o ideal seria a levedura e um blend de ervilha e arroz, que trazem melhor digestibilidade e maior combinação de BCAA.
Para produtos com rótulo limpo e fórmulas sensíveis, como nutrição infantil ou para pessoas com restrições, o arroz como base hipoalergênica seria o ideal.
Para diferenciação de narrativa, as proteínas de castanha, abóbora e fava trazem essa biodiversidade, além de boa mineralização. A proteína de castanha é rica em selênio, ótimo para quem tem predisposição ao Alzheimer, prevenindo doenças cerebrais, e proporciona um posicionamento premium para o produto.
“A pergunta que ficou no começo dessa apresentação é se as proteínas vegetais hoje chegam próximo do whey e pudemos ver que sim, em alguns aspectos até ultrapassam a questão de sustentabilidade, por exemplo”, concluiu Thiago Amaral.
A apresentação deixou claro que as proteínas vegetais representam não apenas uma alternativa viável, mas uma evolução científica no mercado de suplementação, oferecendo à indústria alimentícia opções diversificadas para atender diferentes perfis de consumidores e necessidades nutricionais, sempre com base em evidências científicas sólidas.