Por Virginia Vaamonde, CEO da GS1 Brasil*
Calculado pela Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, o Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial revelou crescimento de 9,1% em agosto de 2026, em relação a julho. Na comparação com agosto de 2025, houve avanço de 19,4%. Já no acumulado de janeiro a agosto, o índice apresenta alta de 5,8%.
O resultado sugere uma indústria mais ativa na intenção de lançar novos produtos, especialmente puxada por Alimentos e Bebidas, setores que demonstraram maior dinamismo e contribuíram para fortalecer o desempenho geral do indicador.
Indústria de Alimentos e Bebidas lidera avanço
O crescimento de Alimentos e Bebidas em agosto de 2026 mostra uma retomada mais clara da intenção de lançamentos nos dois setores.

Setor de Alimentos
No setor de Alimentos, o avanço indica que a indústria voltou a acelerar a preparação de novidades depois de meses mais cautelosos. Esse movimento é relevante porque, historicamente, o setor tende a ganhar mais força entre julho e agosto, período em que a intenção de lançamentos costuma atingir seus maiores níveis.
A principal leitura é de recomposição gradual da agenda de intenção de lançamentos.

O setor de Alimentos apresentou crescimento de 27,7% em agosto frente a julho, acima do avanço de 9,1% registrado pela indústria no período. Na comparação com agosto de 2025, a intenção de lançamentos cresceu 32,9%, e o acumulado de 2026 chegou a 13,1%.
Apesar disso, o acumulado dos últimos 12 meses ainda registra retração de 11,3%, indicando que o desempenho positivo observado em 2026 ocorre após um período anterior mais fraco.
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Setor de Bebidas
Em Bebidas, o crescimento é ainda mais expressivo e reforça o dinamismo do setor. Pela média histórica, bebidas costuma apresentar seus momentos mais fortes entre maio e agosto, com destaque para o período de preparação para o segundo semestre e para categorias de maior giro.
O resultado de agosto de 2026, portanto, aparece em um momento estratégico para o setor e sugere maior confiança das empresas na intenção de movimentar o portfólio.

Bebidas apresentou uma aceleração ainda mais expressiva em agosto, com avanço de 40,7% frente a julho. Na comparação interanual, o resultado foi 100% superior ao de agosto de 2025, enquanto o acumulado do ano registra crescimento de 11,8%.
O setor também permanece negativo nos últimos 12 meses (-3,2%), mas já se encontra mais próximo da estabilidade nesse horizonte. A combinação entre o avanço mensal, o crescimento frente ao ano passado e o resultado positivo em 2026 coloca Bebidas entre os principais destaques setoriais do mês.
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O que pode estar por trás desse movimento?
Em Alimentos, o avanço observado em agosto está alinhado ao comportamento histórico do setor. A média da série mostra uma intensificação da intenção de lançamentos no terceiro trimestre, com agosto registrando o maior nível médio do ano.
Esse comportamento pode estar relacionado à preparação dos portfólios para importantes ocasiões de consumo do segundo semestre, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal.
Em Bebidas, a série histórica apresenta maior oscilação ao longo do ano, embora julho e agosto também estejam entre os períodos de níveis mais elevados da intenção de lançamentos.
O comportamento sugere que, além do calendário de consumo do segundo semestre, outros fatores ligados à própria dinâmica de renovação do setor podem contribuir para o resultado.
A diversidade de sabores, formulações, funcionalidades e formatos de embalagem amplia as possibilidades de renovação de portfólio e de adequação dos produtos a diferentes perfis e ocasiões de consumo.
Estudo complementar: Índice GS1 Brasil de Diversificação de Portfólio de Produtos
Enquanto o Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial funciona como um sinal antecedente, refletindo a intenção e o planejamento das empresas para o lançamento de produtos, o Índice GS1 Brasil de Diversificação de Portfólio de Produtos se aproxima da execução desse movimento, ao observar a diversificação do portfólio a partir dos produtos efetivamente registrados.
Os dois Índices analisados oferecem leituras complementares sobre o movimento da indústria ao mostrar como Alimentos e Bebidas vêm se comportando também na renovação de seus portfólios.
Em Alimentos, apesar do recuo de 4,7% frente a julho, o resultado permanece positivo na comparação anual (+19,3%) e no acumulado de 2026 (+11,3%). Historicamente, a diversificação ganha intensidade entre julho e outubro, atingindo seu maior nível médio em setembro.
Em Bebidas, o Índice GS1 Brasil de Diversificação de Portfólio de Produtos avançou 1,5% no mês, 22,6% frente a agosto de 2025 e 19,3% no acumulado do ano. Agosto é historicamente o mês de maior nível médio de diversificação do setor.
Alimentos e Bebidas estão em uma janela historicamente relevante para renovação de portfólio, mas em momentos distintos: Bebidas atinge seu pico médio em agosto, enquanto Alimentos alcança seu maior nível em setembro.
O aumento da intenção de lançamentos abre uma janela para que as empresas aproveitem o período de maior movimentação do segundo semestre. O avanço do índice indica uma oportunidade para acelerar projetos já maduros, fortalecer linhas com maior potencial de giro e testar novidades em categorias mais conectadas ao consumo recorrente.
Principais desafios: Indústria completa 20 meses sem confiança, apesar de leve alta no ICEI
Em agosto de 2026, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) aumentou 1,9 ponto, passando de 44,4 pontos em julho para 46,3 pontos. O resultado interrompe sequência de duas quedas mensais consecutivas.
No entanto, apesar da alta, o ICEI segue abaixo da linha de 50 pontos, completando 20 meses consecutivos de falta de confiança entre os empresários industriais, além de estar abaixo da média histórica do indicador (53,3 pontos).

O avanço recente acontece em um ambiente que ainda exige cautela. A confiança da indústria permanece abaixo dos 50 pontos no ICEI/CNI, enquanto o próprio IGAI de Alimentos e Bebidas ainda registra resultados negativos no acumulado dos últimos 12 meses. Portanto, há sinais positivos no curto prazo, mas ainda não um ambiente de expansão sem restrições.
Nesse contexto, um dos principais desafios é equilibrar inovação, custos e assertividade dos lançamentos. A renovação de portfólio envolve decisões sobre produção, embalagem, distribuição, posicionamento e espaço no varejo, tornando cada vez mais importante entender onde existe demanda e quais atributos efetivamente geram valor para o consumidor.
Detalhamento do IGAI de agosto de 2026
Em agosto de 2026, o Índice GS1 Brasil de Atividade Industrial registrou o segundo avanço mensal consecutivo na intenção de lançamento de produtos, com crescimento de 9,1% na série dessazonalizada frente a julho.

Na comparação com agosto de 2025, o índice também mostrou evolução relevante, com crescimento de 19,4% na série original.
O acumulado dos últimos 12 meses ainda permanece negativo, com queda de 7,1% na série original. Essa leitura mostra que o indicador ainda carrega os efeitos de meses anteriores mais fracos. Por outro lado, o acumulado no ano já apresenta sinal positivo: 5,8% na série original indicando melhora gradual da atividade ao longo de 2026.

A movimentação do índice ao longo do ano
A série histórica do indicador revela um padrão bem definido: a intenção de lançamentos tende a ganhar força ao longo do ano, com maior intensidade no terceiro trimestre, especialmente entre julho e agosto. Pela média histórica, agosto aparece como o mês de maior nível do indicador na série original, sinalizando um período em que as empresas costumam acelerar a preparação de novidades para o mercado.
Esse comportamento reflete uma estratégia de mercado: as empresas antecipam lançamentos para capturar oportunidades de consumo no segundo semestre, fortalecer o posicionamento nas gôndolas e preparar o varejo para datas sazonais relevantes.
Após esse pico, a tendência histórica é de desaceleração gradual no quarto trimestre, quando as empresas passam a concentrar mais esforços na venda e distribuição dos produtos já lançados.

Os resultados mais recentes sugerem que a indústria tem buscado uma distribuição mais equilibrada dos lançamentos ao longo do ano, mas sem abandonar o padrão sazonal histórico. A indústria calibra o ritmo de inovação conforme o calendário comercial, as condições de mercado e a demanda esperada.
A intenção de lançamentos segue acontecendo, porém com maior foco em timing, aderência ao consumidor e eficiência do portfólio.
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Indicativos da indústria de transformação neste momento
O indicador é um antecedente da produção industrial e mede a intenção de lançamento de produtos no Brasil a partir da solicitação de novos lotes de códigos de barras.
Essa leitura é reforçada pelo desempenho setorial. Entre os segmentos analisados, Alimentos e Bebidas foram os principais destaques, com crescimento expressivo tanto na comparação mensal quanto na comparação anual. Os resultados mostram que os sinais positivos observados no índice agregado também aparecem em categorias relevantes para o varejo e para o dia a dia do consumidor.
*A Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil é uma organização multissetorial sem fins lucrativos que atua no país desde 1983. Seu principal propósito é promover mais eficiência e sustentabilidade para os negócios, ao mesmo tempo em que contribui para a segurança e a qualidade de vida da sociedade. Embora seja amplamente reconhecida por atribuir o código de barras presente nas embalagens de produtos, a entidade impulsiona a automação e a padronização de processos, desempenhando um papel essencial no funcionamento da cadeia de abastecimento e no desenvolvimento socioeconômico.