A crescente convergência entre nutrição e medicina cria novas oportunidades para o desenvolvimento de produtos que vão muito além da nutrição básica, atuando de forma direta na saúde física, mental e metabólica. Esse cenário, impulsionado por consumidores que buscam soluções práticas para o bem-estar no dia a dia, fortalece cada vez mais o conceito de Food as Medicine.
No Summit Future of Nutrition 2026, a conversa foi sobre o desafio da indústria de transformar essa ciência em produtos acessíveis, relevantes, competitivos e que respeitem os rigorosos limites regulatórios foi o centro do debate.
“Não tem como pensar no envelhecimento saudável sem falar da nutrição”, comentou Arthur Lorenzetti, VP de nutrição especializada da Danone Brasil. Para ele, o consumidor atual tem buscado escolhas cada vez mais conscientes, pautadas por mais informação disponível. “Acredito que isso vai se intensificar. É uma tônica dos próximos anos. Em produtos de nutrição especializada, observamos quais serão as próximas descobertas da academia que conseguem ser comprovadas na prática, para trazer retorno a quem vai usar”, explicou.
A transformação da pesquisa em produto comercial exige, além de ciência, uma forte estratégia de comunicação, de acordo com Wesley Barbosa, diretor do Grupo Piracanjuba. “O consumidor não é fácil. Primeiro, você precisa entregar os benefícios para que ele entenda o que ganha. Segundo, criar uma proposta de valor que seja acessível, para que ele confie na marca a ponto de pagar um pouco a mais. Por último, é fundamental entregar uma comunicação clara. Fizemos quem não consumia leite começar a consumir. Hoje, 20% do consumo do mercado é zero lactose”, completou.
O papel da ciência no avanço dessa pauta foi reforçado por Glaucia Maria Pastore, docente da UNICAMP. “A pesquisa dentro da ciência de alimentos é muito robusta e tem contribuído para o entendimento de como os compostos podem beneficiar a saúde, seja na prevenção ou no tratamento de doenças, principalmente as crônico-degenerativas, que aumentam com o desafio do controle do envelhecimento. O grande braço de descoberta agora é a epigenética: como compostos bioativos podem transformar a expressão gênica, para o bem ou para o mal”, declarou.
Esse viés preventivo foi endossado por Gislene Cardozo, diretora executiva da ABIAD, que atuou como mediadora. Ela lembrou que pesquisas da entidade apontam que 95% dos usuários de suplementos buscam complementar a alimentação de forma preventiva. “Não são apenas alimentos para indulgência; são alimentos que vão trazer benefícios como um todo. Por isso, é importante entender o papel dos ingredientes na promoção da saúde. Não adianta estar só no papel; a ciência precisa ver se o caminho se viabiliza na prática”, concluiu.