A 28ª edição da Food ingredients South America (FiSA), principal encontro da indústria de ingredientes para alimentos, bebidas e suplementos da América do Sul, terminou, nesta quinta-feira (6), no São Paulo Expo, com foco renovado em soluções para o envelhecimento saudável, diversificação de proteínas alternativas e o fortalecimento do conceito de “Food as Medicine”.

Um dos destaques do terceiro dia do Summit Future of Nutrition, congresso que acontece no evento, foi o painel “Ingredientes Funcionais: entre evidência científica, alegações e confiança do consumidor”. Impulsionado pelos avanços científicos nas áreas de microbiota, metabolismo e saúde mental, o painel reuniu especialistas da academia, da indústria e da área regulatória para discutir os desafios de transformar inovação em produtos seguros, eficazes e respaldados pela ciência.

O painel contou com a participação de Mario Roberto Maróstica Jr., professor da Unicamp; Camille Kaufmann, diretora de Qualidade e Segurança Alimentar do Cone Sul da Danone; Jessica Herrero João, Regulatory Affairs LATAM Manager e ex-DSM; e Ary Bucione, fundador da NutriConnection.

Durante sua apresentação, Camille Kaufmann destacou que a ciência é um dos pilares da estratégia da Danone para o desenvolvimento de alimentos funcionais. “Na Danone, olhamos para a ciência como parte do nosso crescimento e temos projetos voltados para colocar esse conhecimento a serviço da sociedade. Trabalhamos com evidências científicas, mas também buscamos entregar sabor e consistência ao consumidor”, afirmou.

Jessica Herrero abordou o cenário regulatório e reforçou que a comunicação dos benefícios de um ingrediente funcional depende da robustez das evidências científicas e do enquadramento correto do produto na legislação. “É preciso definir a categoria regulatória do produto e qual evidência científica sustenta aquela alegação”, destacou.

Ela lembrou que algumas alegações, como as relacionadas a vitaminas e minerais para o funcionamento do sistema imunológico, já são reconhecidas. No caso dos suplementos alimentares, explicou que é necessário comprovar o mecanismo de ação, definir o público-alvo e, quando aplicável, iniciar o processo de petição junto à Anvisa.

O professor Mario Roberto Maróstica Jr. destacou que um dos principais desafios é transformar resultados obtidos em laboratório em processos industriais viáveis. “No laboratório o ingrediente funciona, mas ele precisa continuar funcionando quando o processo é escalonado para a indústria e durante toda a cadeia produtiva”, afirmou.

Segundo o pesquisador, também é essencial comprovar que a dosagem utilizada é suficiente para gerar o benefício prometido. “É preciso comprovar que o ingrediente, na quantidade utilizada, realmente promove o efeito que a alegação comunica ao consumidor”, concluiu.