A cerveja com proteína é a mais nova aposta do mercado de bebidas funcionais. Esse setor está em alta no mundo todo e, segundo a Grand View Research, deve movimentar cerca de 353,4 bilhões de dólares até 2030.

A proposta é simples: unir o consumo tradicional da bebida com a adição de proteínas, geralmente whey, criando uma opção voltada para praticantes de atividades físicas e pessoas interessadas em nutrição.

A seguir, entenda como a cerveja com proteína é feita, quais são seus diferenciais, quem consome esse tipo de produto e o que essa tendência representa para a indústria.

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Os benefícios da cerveja com proteína

A cerveja com proteína vem chamando atenção por unir duas características que até pouco tempo pareciam distantes: o prazer de consumir uma bebida alcoólica e o interesse crescente por produtos com apelo nutricional.

Diferente das cervejas tradicionais, que priorizam sabor e teor alcoólico, a versão com proteína adiciona um ingrediente funcional à fórmula — geralmente o whey protein — buscando atender a um público com estilo de vida mais ativo.

Em entrevista à CNN, o doutor e mestre em Nutrição pela Unifesp, Eric Slywitch, destacou a importância da proteína na alimentação, ressaltando que esse nutriente é essencial para o organismo, pois contém aminoácidos que o corpo não consegue produzir por conta própria.

Mão segurando um abridor de garrafa, prestes a abrir uma garrafa de cerveja.

No entanto, ele esclarece que a ingestão de proteína, por si só, não resulta no aumento da massa muscular. Segundo Slywitch, o fator determinante para a hipertrofia é a contração muscular estimulada por exercícios físicos, enquanto a proteína atua como um componente necessário para a construção dessa massa.

Para além da função esportiva, o uso de ingredientes com maior valor nutricional tem sido cada vez mais estudado pela indústria.

Uma pesquisa recente da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp mostrou que o bagaço de malte, subproduto do processo cervejeiro, pode ser usado na produção de alimentos com proteína vegetal, reforçando o potencial nutritivo de elementos comuns na fabricação de cerveja.

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Marcas que já investiram na tendência

Algumas marcas já perceberam o potencial da cerveja com proteína e começaram a explorar esse nicho dentro do mercado de bebidas funcionais. No Brasil, um dos exemplos mais conhecidos é a Beer Protein.

A marca nacional lançou uma cerveja voltada para quem quer consumir a bebida com mais equilíbrio. Cada lata de 355 ml traz 10 gramas de proteína, 193 calorias, 28 gramas de carboidratos e 4,6% de teor alcoólico.

A proposta da Beer Protein é entregar uma opção de bebida alcoólica para atletas, que se preocupam com a ingestão de nutrientes — especialmente proteínas.

Lata de Beer Protein com 10g de proteína, ideal para quem busca um drink saboroso e nutritivo.

No cenário internacional, a alemã Joybräu é uma das pioneiras nesse tipo de inovação. Fundada por Tristan Brümmer e Erik, a marca surgiu após mais de dois anos de pesquisa, com a missão de criar uma alternativa para quem não gosta do sabor dos tradicionais shakes proteicos.

A Joybräu oferece opções com 7g, 15g e até 21g de alta proteína na cerveja, além de uma versão isotônica com vitaminas — tudo sem abrir mão do gosto característico da cerveja.

Cervejas Joybräu com 20g de proteína, disponíveis nos sabores limão e grapefruit, fabricadas na Alemanha.

Esses exemplos mostram que a junção entre nutrição e lazer já é uma realidade em várias partes do mundo. E com o avanço das tecnologias de produção, novas versões devem surgir, ampliando as possibilidades para marcas que desejam inovar no setor de bebidas funcionais.

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O mercado de cervejas funcionais e as oportunidades para o setor de bebidas

A cerveja com proteína desperta o interesse de três perfis de consumidores: atletas e praticantes de atividade física, pessoas que buscam um estilo de vida mais saudável e um novo público que valoriza bebidas alcoólicas diferentes, com ingredientes inovadores.

Para esse grupo, a ideia de unir prazer e nutrição em um mesmo produto tem forte apelo — principalmente quando o consumo de proteína já faz parte da rotina. Essa tendência segue a mesma lógica do crescimento das bebidas sem álcool, como os drinks com cannabis, que vêm ganhando espaço nos mercados internacionais.

Segundo a Fortune Business Insights, o segmento de bebidas com cannabis pode chegar a 117 bilhões de dólares até 2032. Esse movimento mostra que existe demanda por produtos que rompem com o padrão tradicional e entregam novas experiências ao consumidor.

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O mercado de cervejas proteicas, mesmo com teor alcoólico, carrega essa proposta de inovação. Ela atende à busca por bebidas que não servem apenas para relaxar ou socializar, mas que também têm algum valor nutricional.

Para o setor, esse comportamento abre caminho para novos produtos e modelos de negócio. Empreendedores que atuam com cervejarias artesanais ou marcas independentes podem ver na cerveja com proteína uma forma de explorar nichos ainda pouco explorados. 

Com o crescimento global desse setor e a busca constante por produtos que atendam a um estilo de vida mais saudável, esse tipo cerveja com suplementação começa a conquistar espaço entre consumidores exigentes e abertos a novas experiências.