*Por Ana Paula Forti, Diretora de Processamento da Tetra Pak Brasil

Há quem diga que a união das palavras “açaí” e “guardiã”, na canção de Djavan, não faz sentido. Mas parafraseando a explicação do próprio compositor: no norte do país, é de conhecimento geral que o açaí é abundante, nutritivo e versátil. Ou seja, “guardiã” porque a fruta é uma defensora da região que, além de ter um sabor delicioso, oferece sustento financeiro e alimentar.

Apesar de um retrato muito local, o açaí tem ganhado espaço e atravessado fronteiras – primeiro as nacionais e chegando ao estrangeiro –, conquistando os corações e se colocando ao lado de outra sobremesa igualmente gostosa: o sorvete.

No ramo das sobremesas congeladas, o sorvete já tem espaço cativo. Esses anos de experiência e consolidação podem levar a um engano de que, a essa altura do campeonato, não há nada que possamos para inovar no mercado sorveteiro. Mas a verdade é que se os produtores prestarem atenção ao que acontece no mercado, será possível entender o futuro do setor só ouvindo o que os consumidores pedem.

Nos últimos anos, temos assistido a um fenômeno na alimentação mundial. A busca por saudabilidade cresce cada vez mais e até na hora de escolher a sobremesa há o cuidado com os alimentos ingeridos. Por isso, uma das tendências visíveis para os sorvetes em 2026 é a reformulação de receitas com foco em saudabilidade e funcionalidade.

Produtos com menos gorduras e mais proteínas são escolhas interessantes para o público que busca nas academias e nos planos alimentares um estilo de vida mais saudável. Mas a consciência do consumidor vai além de si próprio.

O cuidado com o planeta também está em voga. O uso de matérias primas de origem vegetal é uma escolha estratégica para aqueles que buscam uma alternativa aos ingredientes de origem animal. Além disso, é possível contar com a ajuda da tecnologia para que a produção também se torne mais sustentável.

Optar por equipamentos que permitam a automação da fábrica, além de aumentar a eficiência operacional e a qualidade dos produtos, também reduz os desperdícios de matéria prima. Além disso, esses equipamentos de produção mais modernos são projetados a fim de reduzir o consumo de água e energia, por exemplo.

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E o açaí, que fora do Brasil está dando seus primeiros passos no ramo das sobremesas, trilha por esse mesmo caminho aberto por seu antecessor – mas não sem personalidade própria. Exatamente como Djavan explica sobre seus versos, a versatilidade e os atributos nutricionais do açaí são, por si só, a tendência para este ano que está se iniciando.

Se os consumidores querem um alimento saudável, o açaí oferece fibras, antioxidantes, minerais, vitaminas e mais, além de ser uma excelente fonte de energia. E tudo isso naturalmente e com baixo teor de açúcar.

Dubai, Estados Unidos, Austrália… em todos os continentes, vários são os países que recebem cada vez mais lojas prontas para oferecer um açaí à população local e, claro, aos brasileiros que, lá fora, sentem falta da comida de casa. Seja no pré ou pós-treino, como sobremesa ou no lanche da tarde, o açaí se adapta a diferentes momentos do dia e perfis de consumo.

Para esse velho conhecido em nosso território nacional, o céu é o limite e o único caminho é para a frente, conquistando os corações mundo à fora. E no que diz respeito à sua produção, a fabricação de açaí, assim como a do sorvete, também pode (e deve) ser mais sustentável, eficiente e econômica – e, para isso, é preciso contar com os equipamentos e parceiros ideais.

É como se lê por aí na internet: o sorvete andou para que o açaí pudesse correr. Juntos – mas cada um com suas particularidades, texturas e sabores – essas comidas deliciosas mostram que há espaço para todos. Sem disputa de protagonismo, o sorvete e o açaí não competem; na verdade, eles se complementam, ampliam possibilidades e mostram que são capazes de se adaptar e conquistar a todos os gostos.

*Ana Paula Forti iniciou sua jornada na Tetra Pak em fevereiro de 2010, em Monte Mor (SP), como Gerente de Projetos. Após 12 anos a executiva assumiu o cargo de Diretora de Processamento na Tetra Pak Brasil, que ocupa até hoje. Ana é formada em Engenharia Química pela Escola de Engenharia Mauá e possui pós-graduação em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).