Um recall de alimentos ocorre quando um produto oferece risco à saúde do consumidor e precisa ser retirado do mercado. A medida pode ser voluntária ou obrigatória, e envolve notificações à Anvisa, rastreamento de lotes, comunicação ao público e ações corretivas internas.

Para a indústria de alimentos, estar preparada não é opcional. Um recall mal conduzido pode gerar prejuízos financeiros, impacto na reputação, multas, perda de contratos e desconfiança do consumidor. 

Por isso, ter um plano de recall de alimentos estruturado é parte essencial da gestão de crise na indústria de alimentos, da segurança de alimentos e da conformidade regulatória.

Este guia apresenta um passo a passo simples e prático para que sua empresa saiba como preparar um plano de recall de alimentos e responder com agilidade, transparência e eficiência.

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Passo 1 – Identificação do produto e notificação à Anvisa

Antes de iniciar qualquer ação prática, é importante lembrar que o recolhimento de alimentos no Brasil segue as regras da RDC 24/2015, que estabelece como empresas devem proceder em casos de risco à saúde e determina a obrigatoriedade de notificar imediatamente a Anvisa e os consumidores. 

A norma também exige plano de recolhimento e rastreabilidade completa dos produtos, reforçando a responsabilidade das empresas em situações de recall.

A etapa inicial do processo de retirada de produtos do mercado começa pela identificação precisa do risco. Isso envolve:

  • Análises internas, auditorias e monitoramento contínuo de qualidade;
  • Avaliação de risco em alimentos, considerando perigos físicos, químicos ou biológicos;
  • Rastreabilidade completa de lotes, ingredientes, fornecedores e controle do estoque de alimentos para identificar rapidamente quais unidades permanecem armazenadas e quais já foram distribuídas.
  • Verificação imediata de quais unidades estão no mercado e quais ainda estão na empresa.

Assim que o risco é confirmado, a empresa deve realizar a notificação de recall às autoridades, principalmente à Anvisa, conforme as diretrizes de recall MAPA e Anvisa. A comunicação deve ser rápida, estruturada e dentro do prazo regulamentar.

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Passo 2 – Criar o plano de ação

Após a notificação, é necessário estruturar um plano completo de recall com informações claras e procedimentais. O documento deve incluir:

  • identificação do produto: lote, data de fabricação, prazo de validade e riscos associados;
  • instruções ao consumidor sobre o que fazer com o produto afetado;
  • compensações previstas (troca, reembolso, atendimento via SAC);
  • detalhamento logístico para retorno, armazenamento e descarte dos produtos recolhidos;
  • protocolo de recall na indústria alimentícia para execução padronizada;
  • designação de responsáveis e fluxos internos de aprovação.

Esse plano orienta toda a operação e garante agilidade durante a crise, reduzindo riscos regulatórios e operacionais.

Manter a operação alinhada às Boas Práticas reconhecidas pela Anvisa também é essencial. A agência emite certificações que atestam que a empresa segue padrões adequados de fabricação, armazenamento e distribuição, o que reforça a segurança dos alimentos e dá mais consistência a todo o processo de recall.

Esta imagem é um gráfico que avisa sobre a retirada de produtos do mercado.

Passo 3 – Estabelecer comunicação clara com clientes

A comunicação em recalls alimentares é um dos pilares para proteger a marca e reduzir impactos operacionais. Ela deve ser objetiva, transparente e baseada em informações verificadas, seguindo as diretrizes da Anvisa.

Além disso, precisa ser distribuída pelos canais adequados, redes sociais, site oficial, SAC, e-mail, mídia tradicional e pontos de venda, garantindo que todos os consumidores tenham acesso rápido às orientações.

A mensagem deve conter:

  • comunicação com consumidores finais por meio dos canais corretos;
  • identificação do produto e lote;
  • motivo do recall (ex.: contaminação, ingredientes impróprios, defeito na rotulagem);
  • possíveis riscos à saúde;
  • procedimentos para devolução, descarte seguro ou troca.

Uma comunicação adequada evita desinformação, reduz riscos à saúde, atende às diretrizes de recall de Anvisa e MAPA e ajuda a manter a rastreabilidade dos lotes retirados de circulação. 

Além disso, contribui para proteger a reputação da marca e reforçar a confiança do consumidor durante todo o processo de recall.

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Passo 4 – Revisar processos e prevenir novos problemas

Após implementar o recall, é hora de olhar para dentro. Esta etapa é essencial para evitar reincidências e melhorar continuamente o sistema de segurança dos alimentos. Inclui:

  • monitoramento da execução do recall e da comunicação com autoridades e consumidores;
  • acompanhamento da devolução e descarte correto dos produtos;
  • auditorias internas e revisões de processos;
  • reforço do treinamento de equipes em Boas Práticas de Fabricação (BPF);
  • avaliação crítica das falhas que levaram ao recall e implementação de medidas preventivas;
  • uso de tecnologias de rastreabilidade e monitoramento avançado.

Essa etapa fortalece a cultura de segurança dos alimentos e a conformidade regulatória.

A imagem mostra dois profissionais em um ambiente de produção ou laboratório industrial, concentrados em uma tarefa de análise.

Empresas preparadas respondem com mais rapidez, reduzem riscos à saúde e evitam danos à reputação. Ter um plano de recall de alimentos, treinar equipes, garantir rastreabilidade e manter comunicação transparente é fundamental para proteger consumidores e preservar a marca.

Seguir princípios de boa governança corporativa ajuda a organizar processos, aprimora a gestão de riscos e garante decisões mais rápidas e transparentes durante uma crise. Investir em prevenção, auditorias e processos robustos diminui custos, evita crises e reforça a credibilidade da indústria de alimentos.