A discussão sobre o fim da escala 6×1 e o avanço dos medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e similares, colocam o food service brasileiro diante de duas forças simultâneas e estruturais para 2026: de um lado, o possível aumento do custo de mão de obra e a reorganização das jornadas. De outro, uma mudança silenciosa, mas consistente, no comportamento alimentar de parte relevante do público de maior renda. Juntas, essas transformações redesenham margens, cardápios e modelos operacionais.
Se a redução da jornada pode pressionar preços e até limitar dias de funcionamento, o uso crescente de medicamentos para emagrecimento tende a impactar ticket médio, porções e categorias de maior margem, como sobremesas e bebidas alcoólicas. O resultado é um setor que precisará ser mais estratégico do que nunca: menos dependente de volume e mais ancorado em produtividade, inteligência de preço e proposta de valor clara para um consumidor mais seletivo.
Jean Pontara, especialista no mercado de food service e private label (marcas próprias), diz que, nesse cenário, “produtividade, identidade e modelo operacional serão mais importantes do que ‘moda’” e que 2026 deve ser ano de cautela, ponderando inovações. “É o ano da disciplina operacional com diferenciação inteligente. A falta de mão de obra, a pressão de custos e o consumidor mais seletivo vão separar quem tem modelo de quem tem apenas um cardápio bonito”, avalia.
Alimentação saudável em alta
Nesse sentido, o consumo de alimentos saudáveis, que deve seguir forte, deve ser monitorado no food service, com esse monitoramento abastecendo a indústria de ideias para a formulação de novos produtos.
“O varejo pode oferecer a esses consumidores novas possibilidades de escolhas e estimular a inclusão na rotina de produtos que sejam positivos para a natureza”, afirma Gustavo Righeto Alves, gerente de Inovação e Comunidades para América Latina da Fundação Ellen MacArthur.
Para Alessandra Gaidargi, diretora da Nutri Lover, comunidade de profissionais da nutrição e da indústria de alimentos e bebidas, 2026 não é sobre tendências isoladas, elas se misturam. “Previsão de demanda, redução de desperdício, desenho de cardápio para múltiplos canais, eficiência energética, segurança de alimentos. Quem organiza bem o bastidor consegue oferecer valor e significado, porque cada vez mais o consumidor quer sentir que fez uma boa escolha”, diz a especialista. “A comida virou ferramenta de cultura, pertencimento e saúde organizacional”, acrescenta Gaidargi.
De olho no lucro
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