A sustentabilidade já faz parte das decisões de muitos negócios de Food Service. Porém, na rotina de limpeza, o desafio é reduzir o consumo de água, energia, produtos químicos e materiais sem comprometer a segurança dos alimentos.

Para isso, a escolha de produtos e equipamentos eficientes deve estar associada a procedimentos padronizados, treinamento da equipe e acompanhamento dos resultados. Afinal, uma limpeza inadequada pode gerar retrabalho, aumentar o consumo e elevar os custos da operação.

Produtos químicos: eficiência começa na escolha e na diluição corretas

As inovações na área de produtos químicos buscam aumentar o rendimento das formulações, reduzir o consumo de água e diminuir a quantidade de embalagens utilizadas. Porém, para que esses benefícios sejam alcançados, é essencial que os produtos sejam aplicados na concentração correta e de acordo com as orientações do fabricante.

Thiago Féris, Responsável Técnico da 3M do Brasil, empresa fabricante de produtos químicos e associada à ABRALIMP (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional), destaca a importância de combinar a escolha adequada do produto com o controle da diluição.

“Para alcançar a eficácia de forma sustentável e segura, é recomendado o uso de produtos biodegradáveis, que possam gerar resíduos ambientalmente controlados, com baixo enxágue para evitar desperdício de água e, preferencialmente, que sejam utilizados em sistemas de diluição automática”

De acordo com Thiago, a diluição automatizada reduz o contato direto do operador com os produtos, evita erros de dosagem e impede misturas inadequadas. Além de contribuir para a segurança, o sistema ajuda a padronizar e agilizar a tarefa de higienização.

No Food Service, a concentração correta é especialmente importante. “Uma superdiluição, com o produto mais concentrado, pode afetar a eficácia do processo de higienização. Já uma subdiluição, com o produto mais diluído, pode promover desperdício de produto, aumento da necessidade de enxágue e diminuição da eficácia”, explica.

Por isso, o especialista recomenda um método de controle, preferencialmente automatizado, para garantir a precisão da diluição, a eficácia do processo e a segurança de quem prepara e utiliza os produtos.

Rafaela Costa, Gerente de Produto da Diversey, empresa fabricante de produtos químicos e associada à ABRALIMP, ressalta que esses ganhos também dependem do investimento em pesquisa e desenvolvimento. Segundo ela, a seleção de matérias-primas biodegradáveis e de alta tecnologia permite desenvolver soluções mais sustentáveis, com menor demanda de água, energia, embalagens e transporte.

Para a especialista, sistemas de diluição contribuem para que os produtos sejam utilizados de maneira mais precisa, reduzindo excessos, desperdícios e retrabalho. “Além de aumentar a segurança operacional, essas soluções garantem a correta diluição do químico e, assim, sua eficácia e a segurança dos alimentos”, afirma.

Equipamentos podem reduzir consumo e retrabalho

Equipamentos e acessórios adequados podem diminuir o tempo de execução, o esforço da equipe e o consumo de água e produtos químicos. A escolha deve considerar o tipo de ambiente, a superfície, o nível de sujidade e a frequência de uso.

Segundo Mayara Martins de Carvalho, Gerente Comercial da Osprey Brasil, empresa fabricante de equipamentos e associada à ABRALIMP, a decisão deve partir de uma análise das necessidades da operação.

“Mais do que investir em tecnologia, é preciso entender o que você realmente precisa resolver. Depois de identificar o problema, vem a parte que costuma travar o projeto: defendê-lo financeiramente”, explica.

Para Mayara, conhecer os indicadores da operação é essencial antes de investir. “Você consegue hoje quantificar quanto gasta de água e de químico na sua limpeza? Sem esse número de partida, fica impossível projetar economia e justificar investimento.”

Na limpeza de pisos, por exemplo, a combinação entre aplicação do produto, escovação e aspiração em uma única etapa pode reduzir o consumo e o tempo da tarefa. “No piso, a lógica mudou ainda mais: primeiro recolhe-se a sujidade de alimento com o rodo, depois entra uma autolavadora compacta que aplica o produto, esfrega e seca o chão numa única passada. Resultado: 90% menos água e 80% menos químico na operação. E o que antes levava três horas, passamos a fazer em 30 minutos”, relata.

Além da produtividade, os equipamentos precisam ser adequados à rotina de ambientes que lidam com água, gordura e diferentes tipos de sujidade. “Existe muita máquina de limpeza no mercado, mas poucas realmente preparadas para um ambiente de cozinha, que molha, que suja de gordura e que precisa de sanitização constante”, afirma Mayara.

A manutenção preventiva, a possibilidade de substituir peças e o uso correto de acessórios reutilizáveis também contribuem para prolongar a vida útil dos equipamentos e reduzir descartes.

Sustentabilidade exige acompanhamento

A adoção de produtos e equipamentos mais eficientes não substitui os procedimentos de limpeza. É necessário definir rotinas, separar materiais por área, respeitar as etapas de higienização e capacitar a equipe.

Indicadores como consumo de água e produtos, tempo de execução, frequência de retrabalho e quantidade de embalagens descartadas ajudam a identificar desperdícios e avaliar se uma solução trouxe ganhos reais.

Para o Food Service, limpeza sustentável é utilizar os recursos de forma inteligente, reduzir desperdícios e manter a eficácia necessária para proteger consumidores e profissionais.

Mais do que usar menos, o objetivo é usar melhor, com a concentração correta, na quantidade adequada e pelo tempo necessário.

Como resume Mayara: “Limpeza sustentável não é capricho ambiental, é segurança alimentar, segurança do trabalho e conta que fecha no fim do mês.”

*Por Karoline Alves, jornalista da ABRALIMP