*Martin Eckhardt, presidente da ABRASORVETE
Quem acompanha a trajetória do nosso setor sabe que sempre defendi a ideia de que o sorvete brasileiro vive em constante evolução. Mas, ao observarmos o cenário de 2026, percebo que alcançamos uma maturidade que vai muito além da simples escolha de novos sabores. Se o ano passado foi marcado por um movimento de estruturação, com investimentos em máquinas, expansão de unidades e novas tecnologias, este ano surge com uma proposta diferente: é o momento da eficiência inteligente.
Temos notado que o comportamento de compra mudou. O consumidor atual não busca apenas o produto em si, mas conveniência e uma jornada que respeite o seu tempo. Essa inteligência de mercado que tanto discutimos não precisa ser algo complexo ou distante da nossa realidade. No dia a dia da fábrica ou do varejo, ela significa, na prática, ter a informação certa para entender as necessidades do cliente e antecipar demandas de forma ágil.
Para aumentar as vendas o segredo estará na gestão dos bastidores. A grande tendência agora é a previsibilidade. Em um setor onde a logística do frio representa um dos custos mais sensíveis da operação, ter precisão sobre os ciclos de consumo é o que garante a saúde financeira do negócio. Operar de forma inteligente significa reduzir desperdícios e otimizar rotas, permitindo que os investimentos realizados se transformem em margem real. Com os insumos ainda pressionados, a eficiência operacional tornou-se o principal escudo do produtor nacional.
Outro ponto relevante é a consolidação do sorvete como um hábito presente no cotidiano. O mercado mundial aponta para lojas que funcionam como centros de experiência e conveniência local, e o sorvete, por ser um prazer democrático e um alimento acessível, deve estar onde o cliente está. A inovação agora passa por oferecer uma jornada de compra fluida, integrando o produto à rotina das famílias brasileiras como um momento de indulgência que independe de fatores externos.
O que mais me entusiasma é perceber que essa evolução tecnológica está se democratizando. O acesso a equipamentos de alta performance e sistemas de gestão eficientes deixou de ser exclusividade das grandes corporações. Isso fortalece a nossa indústria nacional, permitindo que a sorveteria de bairro entregue o mesmo padrão de inovação das marcas globais, mas com a proximidade e o atendimento diferenciado que só o produtor brasileiro possui.
O futuro do nosso setor reside nesse equilíbrio entre a precisão estratégica e o prazer sensorial. Em 2026, a liderança do mercado pertencerá a quem souber unir a inteligência dos dados ao calor do atendimento humano, mantendo o setor produtivo e relevante em todas as esferas.