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Dia da Mulher: conheça alguns nomes de destaque no setor de alimentos

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Confira alguns exemplos de mulheres que têm contribuído para o desenvolvimento do setor, da pesquisa e desenvolvimento, passando pela indústria até o food service

O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, é apenas uma data no ano utilizada com a finalidade de incluir a pauta da igualdade de gênero definitivamente no dia a dia das pessoas e das empresas. 

Ainda que essa igualdade deva ser buscada no ano todo, a data é especial para lembrar a importância da discussão, e de como as mulheres atuam para o desenvolvimento da economia e da sociedade como um todo, embora, os salários delas ainda sejam defasados com relação ao dos homens, segundo os levantamentos. 

Empreendedorismo no food Service

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Carol Martineli, criadora da rede de coxinhas Carol Coxinhas

Na prática, as mulheres entregam resultados. E isso pode ser visto ao longo de toda a cadeia do setor de alimentos e bebidas, de pequenas a grandes empresas. No caso do varejo de alimentos, por exemplo, Carol Martineli é um destaque. Ela começou como pequena empreendedora e hoje possui uma rede de franquias. 

Carol teve uma longa jornada de desafios até a criação da rede de coxinhas Carol Coxinhas, que hoje tem abrangência nacional e está presente em 60 cidades. A empresa nasceu depois da virada que ela proporcionou a uma lanchonete falida, que tinha dívidas de 30 mil reais. Em 2023, a marca tem mais de 70 lojas espalhadas por 13 estados brasileiros. 

Em 2010, a empresária adquiriu uma lanchonete falida na cidade de Andradas, interior de Minas Gerais. “Na primeira noite em que abrimos, nós choramos porque não tínhamos vendido nem 20 reais para pagar o motoboy, mas não podíamos desistir. Tínhamos um empréstimo de 30 mil reais que adquirimos para comprar o negócio e precisávamos de dinheiro para pagar as parcelas”, conta Carol.

A lanchonete se transformou em uma conceituada hamburgueria em apenas 1 ano de funcionamento. Após 5 anos de sucesso, em 2015, surgiu a ideia de abrir uma loja de finger food, tendo a coxinha como carro chefe. Este foi o primeiro passo para a construção de uma franquia cheia de potencial. Seis meses depois da inauguração da primeira loja, o casal abriu a primeira franquia em Poços de Caldas. “Três grandes diferenciais foram determinantes para o sucesso do nosso negócio: primeiro, os quitutes são feitos artesanalmente em um processo familiar; são servidos em copos de diversos volumes, de acordo com a fome do cliente e terceiro; e eles possuem tamanhos personalizados e sabores diferenciados”, detalha a empresária. 

Atualmente, são 74 lojas em implantação e operando, espalhadas pelos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Distrito Federal, Piauí, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima.

A expansão da Carol Coxinhas acontece pelo sistema de franquias, que possibilitou a nacionalização do negócio, com uma explosão em 2022. Ela afirmou, em entrevista publicada no portal da Associação Brasileira de Franchising (ABF) que, no ano mencionado, o faturamento foi surpreendente tanto nas lojas físicas, quanto no delivery, “porque a empresa está completamente estruturada para transitar entre esses dois mundos”, diz. 

O ano que se inicia também é promissor, e a expansão deve continuar. “Para 2023, o cenário é de um mercado cheio de possibilidades, pronto para receber nossas 100 lojas”, conta a empresária”, contou Carol. 

Desafios na cozinha

Sol, especialista em culinária

Sol, especialista em culinária

A especialista em culinária japonesa Solionara Santos, de 31 anos, mais conhecida como Sol, começou a trilhar seus caminhos na área em 2014 ao se candidatar para ajudar na cozinha em um restaurante em que já trabalhava como operadora de caixa.

“Certa vez, faltaram duas pessoas que auxiliavam na cozinha e eu disse que poderia ajudar naquele dia, já que achava os pratos bonitos e tinha muita vontade de aprender. O sushiman foi me orientando, mostrando o que deveria ser feito e aos poucos eu fui aprendendo. E com o passar do tempo, comecei a produzir os pratos sozinha”, relembra.

Hoje, ela é destaque como sushiwoman da Home Sushi Home, rede de delivery especializada em comida oriental e havaiana. Sol atua em Vitória, no Espírito Santo.

Em uma profissão dominada por homens, Sol comenta as dificuldades que passou para se consolidar na área. “Sofria muito preconceito com os homens, que sempre me colocavam apenas para ‘limpar’ os camarões e peixes, sem permitir que eu montasse os pratos na cozinha”, revela a profissional.

Apesar de toda essa situação, Solionara se aperfeiçoou e segue construindo sua carreira como sushiwoman. “Tudo o que eu conquistei foi por meio do meu trabalho e, por isso, quero ser cada vez mais uma sushiwoman melhor, para que eu possa abrir caminhos para outras mulheres chegarem aqui também”, finaliza. 

 Rosângela Carvalho, pizzaiola

Rosângela Carvalho, pizzaiola

Já a pizzaiola Rosângela Carvalho, de 62 anos, iniciou na profissão em 2011, depois de passar alguns anos atuando em um negócio próprio, também no segmento de alimentação. Rosângela atua há mais de sete anos na Pizzaria Família Bressane, associada à Apubra - Associação Pizzarias Unidas do Brasil

A profissional conta que passou por dificuldades no início de carreira pelo fato de ser mulher. Historicamente, as mulheres foram responsáveis pelos cuidados na cozinha do ambiente doméstico. Mas, no ambiente profissional, a história é bem diferente, com os homens ocupando a liderança na maior parte das vezes e, em muitos casos, barrando a ascensão delas a postos estratégicos. 

Quando começou a trabalhar, Rosângela diz que um homem chegou a sair do restaurante por não aceitar mulheres na cozinha. Mesmo assim ela não desistiu e foi por meio desta profissão que conseguiu se estabelecer financeiramente, apesar dos contratempos.

“Os obstáculos começaram quando fui fazer o curso de pizzaiola. Eram muitos homens e eles não aceitavam que nós, mulheres, fizéssemos o serviço de bater e abrir a massa, por exemplo. Eles preferiam que nós fatiássemos os ingredientes”, conta.

Rosângela diz que foi na cozinha de estabelecimentos do setor de alimentação que ela realizou seus sonhos. “Consegui reformar meu apartamento, formar meu filho na faculdade, comprar a minha moto e conquistar tudo que preciso. Hoje tenho a minha independência financeira. Para mim isso é o suficiente e não preciso de mais”, acrescenta. 

Marketing e alimentação 

Ana Fossati, executiva da área de Marketing da Nissin Foods do Brasil

Ana Fossati, executiva da área de Marketing da Nissin Foods do Brasil

Executiva da área de Marketing da Nissin Foods do Brasil, Ana Fossati tem experiência também em outras grandes empresas do segmento, como Kopenhagen, Nestlé, JDE, BRF e Grupo Bunge. Na Nissin desde 2019, ela faz a gestão da área de Marketing, liderando um time responsável por todas as atividades da área, focando em dois grandes pilares: inovação e comunicação. 

Focada no tema da inovação, Ana diz que a implementação de novos processos e produtos no setor de alimentos tem como primeiro desafio o equilíbrio entre investimentos e resultados esperados no curto prazo. “Sabemos que, por vezes, grandes inovações envolvem um elevado investimento inicial e, ao mesmo tempo, precisam de tempo para amadurecer”, afirma. 

Outro ponto que ela destaca é o real entendimento do que a empresa está oferecendo aos consumidores, e quais outras formas são possíveis para atender às necessidades, seja com novos formatos, sabores, entre outras nuances. “São tantas as novas tecnologias que a inovação para um determinado setor poderá surgir de uma área completamente diferente”, afirma. 

Apesar de a inovação estar na pauta de praticamente todas as empresas do setor, ela diz que é fundamental que ela ofereça um benefício claramente identificado e valorizado pelo consumidor. “Por exemplo: pensando em inovação de produtos, poderíamos aplicar uma nova tecnologia na produção de um alimento, mas será importante que essa aplicação seja percebida como um benefício pelos consumidores”, explica. 

Por vezes, a inovação não é o que se chama de disruptiva, mas apenas incremental, ou seja, ela faz pequenas alterações, mas que são capazes de revolucionar o consumo. É o que aconteceu na Nissin, com participação de Ana e sua equipe, com a apresentação de uma inovação para um dos produtos mais conhecidos da empresa. 

O Cup Noodles sofreu uma mudança na comunicação e apresentação para o consumidor como forma de incluir o tradicional alimento na rotina cada vez mais corrida das pessoas. A proposta foi criar o “tamanho perfeito” para o recipiente.

“A nova campanha tem como objetivo destacar que estamos, mais do que nunca, ao lado do consumidor, oferecendo alimentos de qualidade e, ao mesmo tempo, trazendo a proposta da praticidade”, enfatiza Ana. “Além de ser simples e rápido de preparar, Cup Noodles tem o tamanho perfeito para, em poucos minutos, matar a fome sem perder o ritmo depois de comer”, acrescenta.

Nutrição e regulação

Valkiria Assis.jpgNutricionista e consultora de Assuntos Regulatórios da NutriConnection (consultoria especializada no mercado de alimentação saudável), Valkiria Assis atuou como pesquisadora das agências CNPq e FAPESP no Laboratório de Neurociência e Nutrição da UNIFESP, investigando a relação dieta, obesidade e neuroinflamação, assunto de primeira importância para o mundo da nutrição e para a indústria de alimentos diante do surgimento de novos hábitos de consumo. 

A especialista é autora de um capítulo sobre educação sustentável do livro "Universities and Sustainable Communities: Meeting the Goals of the Agenda 2030" e tem feito um trabalho exemplar na elucidação de dúvidas e resolução de problemas relacionados à nova rotulagem nutricional. Ela comandou um trabalho de pesquisa na NutriConnection para explicar as principais mudanças na América Latina relacionadas ao tema. 

“Assim como Brasil e Colômbia, a Argentina está passando por uma fase de implementação da nova rotulagem em 2022. A nova rotulagem visa informar de forma mais clara ao consumidor a composição dos produtos do mercado, aumentando o conhecimento sobre nutrição e manutenção de hábitos alimentares saudáveis”, disse Valkiria em seu trabalho “Nova Rotulagem Nutricional RDC 429: Principais mudanças e tendências de consumo”. 

A nutricionista tem como missão preparar empresas para atender às novas normas de rotulagem com a finalidade de melhorar a apresentação de produtos no mercado e aproximar o consumidor das marcas, respeitando as novas demandas de mercado e exigências regulatórias. 

Com relação à rotulagem frontal, tema bastante discutido no setor nos últimos anos, a especialista recomenda que as empresas do setor busquem a reformulação principalmente para produtos que desejam usar alegações funcionais e características que atraiam públicos que buscam saudabilidade. 

Ela diz que, mesmo com a exposição que produtos indulgentes (confort food que não passam a imagem de saudabilidade) terão com a nova rotulagem, os bem consolidados no mercado, tendem a continuar sendo consumidos, mesmo com selo de rotulagem frontal. “Porém, mais pesquisas devem ser conduzidas para mapear o impacto regulatório da nova rotulagem no Brasil e seus efeitos a longo prazo no comportamento de compra do consumidor”, alerta.

Mentoria para novos negócios

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Melissa Sacic e Ellen Ravaglio, do programa Empreenda Vikaas

Reunindo nutrição e empreendedorismo, Melissa Sacic e Ellen Ravaglio sócias da Vikaas, consultoria da área de alimentação, lançaram o programa Empreenda Vikaas, com intuito de ajudar micro e pequenas empresas do ramo a se desenvolverem. 

“Percebemos, ao longo de tantos anos em consultorias de pequenas empresas, que além dos controles financeiros e estratégias comerciais, um dos principais desafios dos empresários é construir uma equipe engajada, comprometida e produtiva”, ressalta Melissa, administradora, trainner e consultora em estratégias comerciais.

“A comunicação com a equipe e entre os gestores também é um ponto muito sensível nas empresas, já que normalmente não há um trabalho estruturado de recursos humanos”, acrescenta a executiva. 

Como o planejamento é primordial para que um negócio tenha prosperidade, a mentora avalia cada detalhe, principalmente porque em períodos de crise, o planejamento é a chave para analisar o que precisa ser melhorado e o que pode ser totalmente modificado.

“Para entrar em mercados mais competitivos e ter uma estratégia de crescimento segura e estruturada, o planejamento é essencial. Ele é o mapa que leva uma empresa aonde ela quer chegar. Sem esse ‘mapa’, os empresários navegam no escuro e dependem muito da sorte”, esclarece Ellen, que também é psicóloga, coach e atua há mais de 20 anos na área de desenvolvimento.

Segundo as sócias, o VIKAAS é uma mentoria para que o gestor consiga aprender tudo aquilo que ele necessita para assegurar visão do futuro e ter confiança ao empreender. 

“Idealizamos essa mentoria para dividirmos nossas experiências com os empreendedores que hoje têm os mesmos desafios que já tivemos, vivem as mesmas dificuldades que passamos e precisam da ajuda que não tivemos. Assim, é possível empreender de forma mais leve, com mais realização, com bons resultados e qualidade de vida”, finaliza Ravaglio.

 

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