A entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, cuja negociação foi concluída em 2024 e ainda depende da ratificação dos países envolvidos, deve abrir novas oportunidades para a indústria de alimentos e ingredientes, mas também exigirá maior competitividade e adaptação às normas internacionais. O tema foi debatido na manhã desta quarta-feira (5), durante o painel “Acordo Mercosul–União Europeia”, no Summit Future of Nutrition, durante a Fi South America (FiSA).

Os especialistas destacaram que, além da redução de barreiras comerciais, o tratado fortalece o diálogo entre os blocos e pode impulsionar a internacionalização de produtos latino-americanos, desde que as empresas estejam preparadas para atender às exigências regulatórias, sanitárias e de sustentabilidade, que vêm se tornando cada vez mais rigorosas no mercado europeu.

Ao abordar os impactos para o setor, Bernardo Todeschini, auditor fiscal federal agropecuário da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), lembrou que boa parte da regulamentação adotada pelo Mercosul tem como referência o modelo europeu. Segundo ele, mudanças recentes relacionadas ao combate ao desmatamento e ao uso de defensivos agrícolas já demandaram uma ampla adaptação da indústria. 

Todeschini destacou ainda que cadeias exportadoras tradicionais, como carne bovina, carne de frango, café e suco de laranja, chegam ao novo cenário em posição favorável, mas ressaltou que o acordo também cria oportunidades para produtos regionais e de maior valor agregado.

Na avaliação do especialista, pequenos produtores podem ampliar sua inserção internacional por meio do cooperativismo, da atuação em associações e do acesso à inteligência regulatória e ao suporte de órgãos como os adidos agrícolas e a ApexBrasil.

A necessidade de uma atuação coordenada entre os países do Mercosul também foi ressaltada pelos participantes. O coordenador da Uruguay XXI, Juan Ignacio Montans, afirmou que o acordo deve ser visto como uma estratégia de longo prazo para diversificar as exportações e aumentar a competitividade da região.

Já Eugenia Muinelo, gerente da EAS Strategies, chamou atenção para as diferenças regulatórias ainda existentes entre os países do bloco, especialmente em segmentos como suplementos alimentares, reforçando que as empresas precisam avaliar previamente os requisitos específicos de cada mercado de destino.

Para os painelistas, a combinação entre harmonização regulatória, cooperação regional e inovação será determinante para que o acordo se traduza em ganhos concretos para a indústria de alimentos e ingredientes.