O segundo dia da Fispal Tecnologia reuniu mulheres que estão à frente da indústria de alimentos e bebidas para mais uma edição do Fispal Women Connected. Durante toda a manhã, vários foram os temas explorados em diversos painéis de debates. O primeiro dele abordou o tópico “Inteligência Emocional e Alta Performance: Como Equilibrar Liderança, Múltiplas Tarefas e Bem-Estar?”.
Em um mundo corporativo cada vez mais veloz e exigente, líderes enfrentam o constante desafio de equilibrar resultados, equipes diversas, inovações tecnológicas e, ao mesmo tempo, manter o bem-estar físico e emocional. Nesse primeiro debate, quatro mulheres compartilharam suas experiências, desafios e práticas para manter esse equilíbrio.
Para Alessandra Sales, gerente de Vendas da América Latina da Intralox Brasil, um dos maiores desafios da liderança está em entender as particularidades de cada pessoa da equipe. “Lidar com pessoas é algo belo, mas também desafiador. Cada uma tem um jeito de aprender, de reagir e de produzir. Precisamos dar tempo e espaço para que as dúvidas apareçam e ajudar a resolvê-las, incentivando a proatividade”, afirmou.
Ela ressaltou que o papel do líder não é ter todas as respostas, mas criar um ambiente onde os colaboradores se sintam seguros para buscar soluções e dizer quando não estão bem.
Keila Bisinoto, gerente de P&D e Qualidade na Linea Alimentos, por sua vez, destacou o impacto da diversidade geracional e o papel da tecnologia no ambiente de trabalho. “Temos várias gerações atuando juntas e, muitas vezes, o desafio é capacitar a todos para que a tecnologia seja uma aliada e não uma barreira. Precisamos ver as diferenças como complemento, não como obstáculo”, explicou.
Já Luiza Lugli Tolosa, sócia-fundadora da Cervejaria Dádiva, chamou a atenção para outro ponto delicado: a realidade social e logística dos profissionais, especialmente em relação à mobilidade (a empresa comandada por Luiza fica localizada em uma área de difícil acesso). “É um desafio contratar quando há problemas de locomoção. Temos que entender que cada pessoa tem suas dificuldades e limites, mas sem cair no assistencialismo ou em estereótipos geracionais.”
Saúde emocional como um compromisso diário. É assim que as painelistas veem o tema saúde mental, tão em voga com a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entrou em vigor em maio deste ano e que estabeleceu o período de um ano para que as empresas se adequem às novas exigências.
Keila compartilhou um momento de vulnerabilidade que marcou sua trajetória. Após um período de adoecimento por conta do excesso de responsabilidades, ela precisou rever suas prioridades. “Aprendi a pedir ajuda, a dividir tarefas. Com isso, passei a me sentir melhor fisicamente e a ter resultados mais consistentes. A saúde emocional precisa ser parte do cotidiano e das relações entre gestores e equipes.”
Esse cuidado com a saúde mental e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional também está presente na rotina de todas as líderes. Andrea Moura, diretora para a América do Norte da Genu-in, por exemplo, inclui no próprio calendário de trabalho seus compromissos pessoais, como terapia e fisioterapia, que considera inegociáveis. “Isso me ajuda a manter a sanidade e a clareza no dia a dia”, disse.
Alessandra valoriza o tempo de qualidade com a família como algo que não abre mão. Já Keila reforçou a importância de pilares como sono, alimentação e exercícios físicos, além de buscar terapia para lidar melhor com as próprias emoções, como questões inegociáveis em sua rotina. Luiza destacou que, para manter a performance, é essencial praticar esportes e dormir bem.
Para conciliar as demandas estratégicas com o operacional, Luiza criou um ritual pessoal: reuniões consigo mesma. Alessandra também defende que os líderes sejam incentivadores, que estimulem a capacitação das equipes e mostrem, com transparência, que liderar também é lidar com vulnerabilidades.
O poder da inclusão
O segundo painel da manhã abordou o tema “O Poder do Full Inclusion na Indústria: Como Gerar Inovação e Resultados”. A expressão full inclusion – ou inclusão plena – propõe que todas as pessoas tenham condições reais de pertencer, contribuir e prosperar dentro das organizações. Mais do que ocupar espaço, trata-se de se sentir parte do grupo, ter voz nas decisões e poder atuar com autonomia. E essa transformação, quando feita com consistência, impacta diretamente os resultados dos negócios.
Em setores tradicionalmente marcados por preconceitos e desigualdades, como o de bares e restaurantes, o desafio é ainda maior. Mariana Malagutti, diretora de RH e ESG na Cia Tradicional de Comércio, alertou que a inclusão ainda é um tema delicado e, por isso, exige estratégia. “É preciso falar sobre o assunto com foco na full inclusion, mas também agir com cuidado para levar o tema para dentro das empresas. Muitas ainda não estão preparadas para essa abertura”, afirmou.
Segundo Rose Graffin, CEO da Serac Holding, empresa com presença global, a inclusão precisa ser cotidiana e prática. “No meu dia a dia, incluo as pessoas nas decisões, mas também devolvo a elas a responsabilidade de trazer soluções. Incluir, para mim, passa pela capacitação.”
Ela compartilha uma das estratégias que utiliza para promover a inclusão em equipes multiculturais: a criação de uma cartilha com dicas de convivência e compreensão das diferenças regionais, especialmente úteis para equipes distribuídas entre diferentes países. “Entender as especificidades culturais ajuda a evitar ruídos e a fortalecer os laços entre os times.”
Para Vanessa Giangiacomo, gerente de Marketing da YoPro and Silk, é preciso desfazer um equívoco comum: “Nenhuma empresa está fazendo caridade ao incluir grupos menos favorecidos. A diversidade é boa para o negócio.” No entanto, ela reconhece que o processo nem sempre é tranquilo. “Quando a diversidade entra, surgem conflitos. Mas quando esses conflitos são enfrentados com diálogo e respeito, a mágica acontece: a equipe passa a entender o que cada diferença agrega ao todo.”
Mariana destacou que muitas mulheres desistem da liderança ainda no início da jornada, muitas vezes por falta de apoio ou de compreensão por parte de seus líderes — em sua maioria homens. “O primeiro cargo de liderança costuma ser a maior barreira. A gestão feita por homens, muitas vezes sem entender as necessidades das mulheres, dificulta o avanço. Precisamos estar inseridas na política e nas decisões para mudar esse cenário.”
Como resposta a essa realidade, Mariana promove rodas de conversa entre colaboradoras para debater os obstáculos comuns e fomentar redes de apoio internas. Além disso, ela destacou a importância da mentoria feminina, que tem se mostrado fundamental para aumentar as chances de sucesso e permanência de mulheres em cargos estratégicos.
As experiências de Mariana, Rose e Vanessa mostram que o full inclusion não é apenas uma questão de justiça social — é uma estratégia de inovação e sustentabilidade corporativa.
Empatia que gera lucros
Em uma iniciativa que une inovação, sustentabilidade e estratégia de marketing, a Ball Corporation e a Poty Companhia de Bebidas lançaram no mercado uma linha de latas de alumínio para o energético Push e para a água mineral Levity. A parceria reforçou o compromisso de ambas com práticas ESG, destacando ainda as vantagens da circularidade do alumínio.
Essa parceira de sucesso foi contada no penúltimo painel do Women Connected (“Conexões que Transformam e Impulsionam os Negócios”)
por Sandra Franzotti Gubolino, diretora de Marketing da Poty Cia. de Bebidas, e Camila Vila Verde, gerente de Marketing de Categorias da Ball para a América do Sul.
O que começou como uma conversa entre duas mulheres com trajetórias diferentes e uma forte conexão de empatia transformou-se em uma parceria estratégica que revolucionou o portfólio de bebidas da Poty e fortaleceu o compromisso da Ball com a inovação e a sustentabilidade.
Camila e Sandra são as protagonistas de uma história que vai muito além das latas: trata-se de escuta, confiança e conexão humana no centro dos negócios.
“Desde a primeira conversa, eu e a Sandra sentimos que havia uma conexão feminina genuína, de muita empatia”, lembrou Camila. “A partir daí, fomos construindo uma história que nos trouxe resultados reais e transformações importantes.”
A reviravolta começou quando Sandra, aos 57 anos, decidiu fazer uma transição de carreira. Deixou a área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para assumir o Marketing da Poty.
“Foi uma nova jornada. E percebi, rapidamente, que a parceria com a Camila poderia dar frutos. Começamos com a embalagem da água Levity, e ela foi essencial para me ajudar a navegar nesse novo cenário”, relembrou Sandra.
O ponto de virada veio quando Sandra identificou que precisava rever o portfólio de bebidas energéticas da empresa, que não estava performando bem no mercado. Foi então que Camila sugeriu um diferencial estratégico: lançar uma lata do energético Push com a certificação da Aluminium Stewardship Initiative (ASI), que atesta práticas responsáveis ao longo de toda a cadeia produtiva, da mineração ao produto final.
Para Camila, a lição que fica vai além do sucesso do produto ou da performance comercial. “A minha dica é simples: busque conexões com pessoas com quem você tem empatia. Quando a conexão é verdadeira, o trabalho flui, a criatividade aparece e os resultados vêm. Apostem nas conexões femininas. Elas têm um poder transformador.”
O poder da marca pessoal
Fechando a edição 2025 do Women Connected, o palco da Fispal recebeu Cris Kerr, fundadora da CKZ Diversidade, que abordou o tema “Mentoria – Conexões que Impulsionam: A Força do Networking Estratégico e o Poder da Construção do Branding Pessoal”.
Cris apresentou alguns insights para estimular o debate sobre o papel da mulher no mercado de trabalho e como algumas atitudes não observadas no dia a dia podem minar a confiança e o crescimento profissional.
A especialista destacou a questão do “viés inconsciente”, tema de seus estudos, citando como exemplo o fato de as pessoas sempre buscarem se conectar com aquelas que são semelhantes a elas, evitando o “novo”. “E muitas vezes fazemos isso sem perceber, prejudicando nosso desenvolvimento e crescimento pessoal e profissional.”
Outro viés destacado por ela foi o do desempenho. “Colocamos em xeque o desempenho de muitas mulheres simplesmente porque não é comum ver pessoas do sexo feminino assumindo algumas funções. Não temos referências femininas em muitas áreas.”
Por fim, Cris deixou um recado às mulheres: “Nós não temos o hábito de falar o que queremos, onde queremos chegar nas empresas. É preciso apostar na nossa capacidade e, diante de uma oportunidade, nunca pensar nas capacidades e habilidades que não temos, mas sim naquelas que possuímos.”
Serviço Fispal Tecnologia
Data: 24 a 27 de junho de 2025
Local: São Paulo Expo
Endereço: Rodovia dos Imigrantes, 1,5 km – Vila Água Funda, São Paulo/SP
Horários: Terça a quinta-feira: 13h às 20h | Sexta-feira: 13h às 18h
Ingressos no site: www.fispaltecnologia.com.br
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