Nos últimos anos, o food service deixou de ser apenas uma resposta à falta de tempo e passou a ocupar um papel mais estratégico na rotina dos brasileiros. Em 2026, esse movimento tende a se intensificar, e as refeições prontas estão no centro dessa transformação. Ainda em 2024, os pedidos de marmita tiveram um aumento de 18%, segundo um levantamento do iFood.
O crescimento dessa categoria não é um modismo. Ele reflete mudanças estruturais no comportamento do consumidor, na dinâmica do trabalho e na própria forma como as pessoas se relacionam com alimentação, saúde e sustentabilidade.
A primeira grande alavanca é o tempo: ativo cada vez mais escasso. Jornadas híbridas, múltiplos vínculos profissionais e uma busca crescente por qualidade de vida fazem com que o consumidor repense o tempo dedicado ao preparo das refeições. Comer bem continua sendo prioridade, mas cozinhar diariamente já não é uma opção viável para parte da população urbana.
De acordo com a pesquisa “Alimentação hoje: a visão do consumidor de foodservice”, da Galunion, que contou com 1,8 mil respondentes, para 62% dos participantes que disseram que levam marmita com alguma frequência, o principal motivo está relacionado à economia de dinheiro, seguido por comer de forma mais saudável para 60% e economizar tempo na refeição para 31%, com índice maior para a faixa etária de 18 a 24 anos, que saltou para 42%. As refeições prontas entram exatamente nesse ponto de equilíbrio entre conveniência e qualidade.
O segundo fator é a evolução da exigência do consumidor. A ideia de que refeição pronta é sinônimo de ultraprocessado ficou no passado. Hoje, o consumidor espera transparência de ingredientes, equilíbrio nutricional, sabor e responsabilidade socioambiental. Dados da pesquisa Euromonitor Voice of the Consumer Health and Nutrition Survey (2023) mostram que 36% dos consumidores globais e 31% dos brasileiros preferem alimentos 100% naturais. Essa exigência tem elevado o nível da categoria e forçado as empresas a investirem em cadeias mais curtas e processos produtivos que escalem a refeição caseira.
Esse ponto nos leva ao terceiro vetor: sustentabilidade e eficiência operacional. Em um setor historicamente marcado por desperdício, as refeições prontas bem planejadas permitem maior previsibilidade de demanda, melhor aproveitamento de insumos e redução significativa de perdas ao longo da cadeia. Em um cenário de pressão sobre custos, escassez de recursos naturais e maior cobrança por práticas ESG consistentes, esse modelo se torna não apenas desejável, mas necessário.
Há também uma mudança cultural importante em curso. O consumidor passou a enxergar a alimentação como parte do autocuidado e da performance pessoal, seja física ou mental. Dados do World Economic Forum mostram que 70% dos consumidores globais já priorizam alimentos que oferecem benefícios funcionais como energia, foco e saúde mental. Isso cria espaço para soluções que entreguem constância, controle e confiança. Refeições prontas deixam de ser uma escolha pontual e passam a integrar a rotina semanal de famílias, profissionais e empresas.
Por fim, o avanço da tecnologia no food service, seja em dados, logística, rastreabilidade ou personalização, tende a acelerar ainda mais essa tendência. Em 2026, veremos um mercado mais maduro, com propostas claras de valor e um consumidor que escolhe não apenas pelo preço, mas pelo impacto da sua decisão.
As refeições prontas não estão substituindo o ato de cozinhar. Elas estão ocupando um espaço legítimo em um novo ecossistema alimentar, mais realista, eficiente e alinhado à vida contemporânea. Entender isso é fundamental para qualquer empresa que queira permanecer relevante no food service nos próximos anos.
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