Com mais resistência, versatilidade e menor impacto ambiental em relação às alternativas rígidas, as embalagens flexíveis vêm se consolidando como uma das soluções mais estratégicas para a indústria nos últimos anos.

De acordo com levantamento da Smithers, o mercado global de embalagens flexíveis deve movimentar cerca de 315 bilhões de dólares até 2026, com um crescimento médio anual de 4,2%.

No Brasil, o cenário acompanha a tendência global. Segundo dados da ABIEF (Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis), o setor movimentou cerca de R$45 bilhões em 2024, com destaque para os segmentos de alimentos, higiene pessoal, limpeza doméstica e farmacêutico.

Só o setor alimentício representa cerca de 70% do consumo nacional de embalagens flexíveis, com crescente demanda por praticidade e segurança no acondicionamento de produtos.

Para Eduardo Berkovitz, presidente da Associação, “a embalagem é uma necessidade da vida”, citando o famoso Lincoln Seragini. “As embalagens flexíveis tratam cerca de 50% do mercado na área de alimentos. Sem elas, não teríamos como distribuir alimentos seguros globalmente”, afirma o executivo, que participou do Congresso Fispal Tec.  

Presente na Fispal Tecnologia 2025, o diretor Comercial da Diadema Embalagens, Adāo Parra, afirma que flexíveis são e vão continuar sendo a grande tendência no setor de embalagens. Comenta Parra, primeiro porque agregam muito valor na substituição das embalagens rígidas, e segundo porque são elas as que mais contribuem com a questão ambiental e a redução de emissão de carbono.

Recomendado: Por que consumidores sentem mais “fome” diante de certos tipos de embalagem?

“Nós, eu e os meus concorrentes, estamos trabalhando para que as embalagens flexíveis possam se tornar cada vez mais amigáveis, sendo realmente referência em termos de reciclabilidade e se adequem as reais necessidades do planeta”, afirma o diretor. 

Perfil de consumo: conveniência e sustentabilidade em pauta

Com todos os olhos voltados para a causa ambiental, sustentabilidade e conveniência estão em pauta no setor; e é esse novo perfil de consumo um dos motores de crescimento do mercado, que está cada vez mais exigente.

O público busca soluções que combinem funcionalidade, conservação e menor impacto ambiental. Embalagens stand-up pouch, com zíper, dosadores e sistemas abre e fecha, dominam as prateleiras de supermercados e farmácias, mostrando que a conveniência é um diferencial decisivo.

Ao mesmo tempo, cresce o apelo por práticas sustentáveis. A indústria tem respondido com inovações em monomateriais recicláveis, uso de resinas de origem renovável e processos de produção com menor consumo energético. Startups e grandes players vêm investindo em modelos circulares, com programas de logística reversa e uso de materiais biodegradáveis. 

Bruno Gomes, Gerente Comercial da SR Embalagens, que marca presença na feira, comenta sobre um diferencial da empresa: a fabricação do próprio grāo PCR (Plástico Pós-Consumo Reciclado), através da Barreflex. A empresa, que é um braço da SR, se dedica a transformar o mercado através da economia circular, promovendo a logística reversa, incentivando o consumo consciente de materiais plásticos.

“Empresas que têm essa verticalização conseguem manipular e avançar tecnologicamente falando, ajudando assim nossos clientes na missão de circularidade, sustentabilidade, nas metas de ESG, e claro, colaborando com o meio ambiente”, afirma Gomes.

A SMIGroup anunciou durante a Fispal Tec 2025 uma colaboração estratégica com a DOW, reforçando o compromisso das duas empresas com a sustentabilidade e a inovação, elas demonstraram na feira a operação de máquinas SMIPACK utilizando um filme flexível com REVOLOOP™.

Este material é uma resina de plástico reciclado pós-consumo (PCR), desenvolvido pela DOW para continuar a desenvolver a economia circular, mantendo a performance técnica necessária nos setores de alimentos e bebidas. 

O avanço da tecnologia tem sido um trunfo. Máquinas de envase mais ágeis, impressão digital com menor tiragem e personalização, além de barreiras inteligentes que prolongam a validade dos produtos, vêm impulsionando a flexibilidade e a competitividade dessa embalagem frente às opções tradicionais.

Com essa combinação de fatores — inovação, sustentabilidade, custo-benefício e mudança nos hábitos de consumo —, as embalagens flexíveis se firmam não só como tendência, mas como pilar estratégico para marcas que buscam escalar presença de mercado e se conectar com o consumidor contemporâneo.