Alguns peptídeos de colágeno podem estimular a secreção natural de GLP-1, hormônio que ganhou notoriedade pelos medicamentos para tratamento de obesidade. A informação é de Roberto Zagury, endocrinologista convidado pela Rousselot, produtora de soluções à base de colágeno, que palestrou no Congresso Summit Future of Nutrition, na última edição da Food Ingredients South America.
“Que o alimento seja o teu remédio e que o teu remédio seja o teu alimento”. Com esta frase milenar de Hipócrates, Zagury iniciou sua apresentação sobre o papel da suplementação nutricional como parceira dos análogos de GLP-1, medicações conhecidas como Ozempic e Wegovy.
O especialista destacou que quase 60% dos americanos entrevistados em 2025 se declararam muito interessados em utilizar suplementos que funcionem como secretagogos, substância que provoca a secreção de outra substância, neste caso, do GLP-1. Este mercado apresenta tendência de crescimento contínuo nos próximos anos, tornando-se um “hot topic” na área de nutrição e suplementação.
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A indústria alimentícia já sente o impacto deste movimento. Segundo dados do Walmart de janeiro de 2025, houve queda de 6% no consumo em mercados da rede decorrente apenas de pessoas que utilizam análogos de GLP-1. Em resposta, produtos começam a estampar alegações como “GLP-1 friendly” e “promove resposta natural de GLP-1” em suas embalagens.
Soluções de secreção de GLP-1
O foco da apresentação foi o NextTide GC, suplemento desenvolvido pela Rousselot que contém uma composição específica de peptídeos de colágeno com efeito relacionado ao GLP-1. Zagury enfatizou que a empresa trata as alegações com seriedade, baseando-se em evidências científicas sólidas.
“A ideia é atuar em três órgãos-alvo: pâncreas, estômago e sistema nervoso central, aumentando a saciedade, diminuindo o apetite, controlando o esvaziamento gástrico e melhorando a dinâmica de secreção de insulina”, explicou o endocrinologista.

O desenvolvimento do NextTide GC partiu de estudos em modelos animais, onde diferentes composições de peptídeos de colágeno foram testadas para identificar aquela com maior capacidade de estimular a secreção de GLP-1.
Um estudo clínico randomizado duplo-cego – em que os participantes e pesquisadores não sabem quem recebe o remédio ou o placebo – com 16 participantes não diabéticos e pré-diabéticos demonstrou que o suplemento, quando consumido 30 minutos antes de uma refeição rica em carboidratos, promoveu alguns efeitos notáveis. Um deles é o aumento estatisticamente significativo na secreção de GLP-1 com dose de 10g. Outro efeito é a alta mais pronunciada na secreção de GIP, hormônio que regula a glicemia quando ela está alta, com doses de 5g e 10g. Outro destaque é a redução de 40% nos níveis glicêmicos pós-prandiais
Segundo o especialista, o NextTide GC apresenta características que facilitam sua incorporação em diversos produtos. A solução não possui odor nem sabor, é livre de açúcar e gordura, tem boa solubilidade em líquidos frios ou quentes, além de excelente estabilidade e shelf life.
Zagury sugeriu várias aplicações potenciais. “Poderia ser adicionado a iogurtes, cafés especiais, whey protein ou shots matinais. Para empresas que já possuem produtos voltados ao controle glicêmico, adicionar este ingrediente seria transformar seu produto em uma versão 2.0″, disse.
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Oportunidade de mercado
O especialista encerrou destacando o imenso potencial de mercado para suplementos como o NextTide. Enquanto 45% da população adulta norte-americana convive com obesidade, apenas 2% recebe prescrição médica para medicamentos antiobesidade.
“Os suplementos são mais bem aceitos pelos pacientes. Eles se sentem menos doentes e são mais propensos a aderir a um suplemento do que a um medicamento, especialmente um injetável de custo elevado”, concluiu Zagury, reforçando que o mercado para produtos como o NextTide é significativamente maior que o de medicamentos análogos de GLP-1.
