Durante o Summit Future of Nutrition, congresso da Food ingredients South America (FiSA) que se estende até quinta-feira (6) no São Paulo Expo, o painel Biodiversidade Brasileira trouxe uma reflexão central: de que maneira a riqueza natural do Brasil pode impactar e redefinir a indústria internacional de alimentos? Em um cenário pós-COP 30, o debate trouxe para o centro da agenda a necessidade urgente de converter o potencial socioambiental em soluções concretas para o mercado consumidor.
O encontro reuniu Joanna Martins (CEO da Manioca), Larissa Bueno (head de P&D da MAHTA), Diego Viégas (gerente de suprimentos e relacionamento com comunidades da Natura) e contou com a mediação de Liliana Mello (responsável pela divisão biotech da Vigna Brasil Consultoria). Liliana provocou os painelistas sobre as condições necessárias para que o Brasil aproveite plenamente seu ativo ambiental, reforçando a importância de entender o que grandes investidores e indústrias globais procuram ao olhar para o mercado brasileiro, apontando os desafios regulatórios, operacionais e de adequação técnica que ainda travam o ritmo dos aportes em bio ingredientes.
“É um cavalo selado que passa na nossa frente. Como fomos colonizados para não valorizar o que é nosso, estamos deixando passar. Há muito conhecimento científico, mas precisamos aplicar e trazer isso para o mercado. Nada é fácil para quem é brasileiro. Às vezes, achamos tudo muito difícil pelas barreiras que nós mesmos criamos. Estamos fazendo o Brasil conhecer o tucupi há 12 anos. Se a gente consegue fazer, quem atua no mercado também pode. Cada um plantando uma sementinha, a gente faz a floresta. Pode demorar 20 ou 30 anos, mas a gente faz”, disse a CEO da Manioca.
A valorização do que está no ecossistema nacional também pautou a fala de Larissa Bueno, ao questionar a dependência do mercado por ingredientes funcionais importados. “Nosso CEO pensou: temos a maior floresta tropical do mundo e não podemos ficar consumindo superfoods de fora. Não é possível que não tenha algo com esse potencial no nosso quintal. A nutrição, a funcionalidade e a nutrição profunda estão em alimentos próximos de nós”, apontou.
Para Larissa, a pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos precisam caminhar lado a lado com o fortalecimento das cadeias locais: “Quando temos a possibilidade de entregar um produto que apoia a comunidade, é isso que temos que fazer. Nosso propósito é salvar a gente mesmo em primeiro lugar, pois se não estivermos bem, não dá para salvar o planeta. Buscamos desenvolver socioeconomicamente a região amazônica sem exercer uma pressão excessiva sobre a floresta”, completou a head de P&D da MAHTA.
Analisando a cadeia sob o prisma de suprimento e escala comercial, Diego Viégas enfatizou o papel indutor da indústria para mudar percepções e criar novos hábitos globais de consumo. “A indústria tem um papel fundamental para fazer essa virada de chave, mesmo em um campo aberto onde ainda estamos buscando respostas. Tivemos recentemente uma febre de pistache impulsionada pela indústria americana. Por que não tivemos isso com a castanha-do-pará ou a castanha-de-caju? O que nos falta, se esses produtos estão dentro da nossa biodiversidade?”, provocou.
Diego alertou ainda para as perdas de valor do país na cadeia exportadora: “O Brasil é o maior produtor de castanha-do-pará, mas não é o maior exportador. Os países que mais compram do Brasil são Peru e Bolívia, que processam e exportam para a Europa. Não podemos depender apenas do açaí, que já é mundialmente conhecido, mas sim de toda a nossa riqueza nativa”, finalizou.
| Serviço Food ingredients South America – FiSA 2026 |
| Data: de 4 a 6 de agosto Horários: Terça e quarta-feira: 13h às 20h / Quinta-feira: 13h às 18h. Local: São Paulo Expo – Rodovia dos Imigrantes, 1,5 km – Vila Água Funda, São Paulo – SP Promoção e Organização: Informa Markets Brasil Ingressos: Acesse aqui Agência de Viagem: clique aqui |