O primeiro dia da Food ingredients South America 2026 (FiSA) foi palco de mais uma edição do Women’s Networking Meeting, um encontro exclusivo que celebra e promove o protagonismo feminino na indústria.

Na primeira parte do WNM, as participantes puderam participar de rodas de conversa temáticas com algumas das palestrantes do dia, sendo:

  • Mulheres que inovam, com Ângela Oliveira;
  • Investimentos e independência financeira, com Tônia França;
  • Maturidade e transição de carreira, com a consultora Eloísa Espinosa;
  • Empreendedorismo digital, com Latoya e Katherine da Domine a Consultoria de Alimentos.

Para recepcionar todas as participantes, Marina Cappi, business manager da FiSA, subiu ao palco e agradeceu a participação de todas. “Somos parte de uma plataforma global de ingredientes, com eventos na Ásia, Europa e África. Nesta edição temos 290 expositores, de 20 países”, comentou sobre o evento, que é organizado pela Informa. “Tenho certeza que vocês vão aproveitar, principalmente esse momento especial para nós, voltado para o networking, troca de conhecimento e experiências”.

Acompanhe os destaques da programação do Women’s Networking Meeting nos próximos tópicos.

Ingredientes do planejamento financeiro

Para abrir a programação de palestras e painéis, Tônia França, advogada e mentora financeira sócia da Davos Partnership, trouxe a apresentação “Investindo com Propósito: Da Organização Financeira Pessoal à Estratégia Corporativa”.

Nela, a advogada já começou a conversa apontando como as mulheres delegam o cuidado com o patrimônio para outras pessoas, majoritariamente homens. “É verdade que a mulher tem esse dom, a característica de cuidar, e está tudo bem, mas vamos ter que cuidar do patrimônio também”, destacou.

Ao comentar sobre como as mulheres ganham espaço nas universidades, nos postos de trabalho e até no empreendedorismo, Tônia destacou que as mulheres investidoras também são uma minoria. Ela citou uma pesquisa da Anbima (Raio X do Investidor Brasileiro – 9ª edição) que demonstra que 31% das mulheres brasileiras são investidoras, com 69% utilizando principalmente a poupança.

“A única segurança efetiva que podemos ter é a autonomia financeira. O planejamento financeiro é necessário para evitar dependência dentro de um relacionamento, para trocar de empresa ou empreender, para ter autonomia em todas as fases da vida” lembrou a palestrante.

Como começar um planejamento financeiro?

Para quem já investe algo mínimo ou ainda nem tem noção sobre como fazer uma reserva e um investimento, Tônia deixou algumas dicas.

“O planejamento financeiro tem um conjunto de ingredientes para que você tenha sucesso. Se você ainda não tem um, comece agora, quanto antes melhor, pois o primeiro ingrediente e mais importante é o tempo.”

Tempo é o maior ativo do investidor; Consistência [de investir periodicamente] supera timing perfeito; Hábitos financeiros se compõem como juros.

Na vida pessoal ou como empreendedora, “patrimônio compra liberdade para decidir com estratégia”.

Da ideia ao mercado: inovar é apenas o começo

Na sequência, o painel “Da Ideia ao Mercado: Como Mulheres Estão Impulsionando a Próxima Geração de Ingredientes” reuniu Thaiane Marques da Silva, da Weecaps, e Bárbara Beitum, da Conví Foods, sob mediação de Natasha Pádua, da Upcycling Solutions.

A mediadora lembrou que as três são fundadoras e CEOs em suas empresas, e também são mães com crianças pequenas. Durante o bate-papo, as duas convidadas trouxeram suas visões distintas e complementares sobre a inovação em ingredientes e o empreendedorismo na área.

Enquanto Thaiane veio do meio acadêmico, com a Weecaps nascendo nesse ambiente durante a pandemia e recebendo aportes de editais públicos para inovação, Bárbara iniciou a Conví sem sócios e recebeu investimento de capital privado para impulsionar sua produção.

A inovação em ingredientes passa, então, para os desafios de gestão. “Quando a gente empreende a gente faz tudo”, lembrou Bárbara. Questionada pela mediadora se faria algo diferente em sua jornada com a Conví, ela revelou: “Se eu fosse começar de novo, eu buscaria uma sociedade, porque o começo demanda muito da saúde física e mental. Acho que eu também buscaria aprender mais cedo a parte de gestão, para superar a curva de aprendizagem, porque no começo a empresa depende muito do fundador”.

Para complementar, Thaiane deixou uma dica: “Invista em si mesma para acelerar esse aprendizado, seja em gestão, na comunicação ou na parte comercial”.

O protagonismo da liderança técnica

Para o último painel da agenda, “Ciência e estratégia: o protagonismo da liderança técnica”, a mediadora Elaine Guaraldo, sócia-diretora Vigna Brasil Consultoria em Assuntos Regulatórios, recebeu as líderes Fernanda Oliveira Martins (Unilever), Priscila Moncayo (Natura) e Claudia Fernandes (Givaudan).

“Quando a gente fala de liderança se remete a estratégia, gestão, financeiro. A gente esquece da liderança técnica, e na nossa área que pulsa inovação ela exerce um papel muito importante”, começou Elaine. Ela então apresentou Priscila Moncayo, profissional de P&D com mais de 20 anos na Natura. “Em P&D a gente só cresce se entende muito bem o que está fazendo”, reforçou a painelista, logo passando para como a liderança técnica é diferenciada. “Todos os processos decisórios dependem de um conhecimento científico aprofundado”.

Todas as painelistas trouxeram insights sobre skills necessários para liderar em áreas científicas, seja no P&D ou no regulatório, sem perder habilidades de comunicação e gestão de pessoas.

A programação do WNM também incluiu a apresentação de três cases: Ângela Oliveira com a competição gastronômica Printer Chef; Caroline Oliveira, marketing da Döhler, com os embaixadores da marca no LinkedIn; e Isabela Silvestre, gerente Jr. de P&D na Kerry, apresentando a semana de inovação em nutrição saudável.

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