*Por equipe Nutrilover

O feijão é a espinha dorsal da segurança alimentar e da identidade culinária brasileira. No mercado de alimentação fora do lar, ele transcende as classes sociais, estando presente desde o PF popular até a alta gastronomia, onde variedades como o feijão-manteiguinha-de-santarém ou o andu ganham status de iguaria. Sua importância cultural é inegável, formando com o arroz a combinação proteica perfeita que sustenta a nação.

Do ponto de vista químico, o feijão é uma fonte excepcional de proteínas, ferro e fibras solúveis, que ajudam a reduzir os níveis de colesterol LDL e estabilizar a glicemia. É rico em compostos fenólicos, como as antocianinas (especialmente no feijão preto), que possuem forte ação antioxidante, combatendo o estresse oxidativo celular.

No foodservice, o desafio e a oportunidade estão na técnica de cocção. O remolho adequado não apenas melhora a digestibilidade, reduzindo fitatos, mas também otimiza o tempo na cozinha.

Além do clássico caldo, o feijão é base para o tutu, o feijão-tropeiro e, mais recentemente, tem sido explorado em saladas frias e até em brownies funcionais, aproveitando sua textura e densidade nutricional para substituir farinhas refinadas.

Para além do ferro, o feijão é um verdadeiro multivitamínico natural. Dados da Embrapa mostram que ele é uma das melhores fontes vegetais de vitaminas do complexo B, como a tiamina (B1) e o ácido fólico (B9), essenciais para que o nosso corpo tenha energia e para a regeneração das células.

Ele também surpreende no quesito minerais: o feijão chega a ter até três vezes mais potássio do que a banana, além de ser rico em magnésio e fósforo, nutrientes que ajudam a controlar a pressão arterial e a manter o coração saudável.

Outro diferencial importante para o bem-estar do cliente é o chamado amido resistente. Esse componente funciona como um supercombustível para as bactérias boas do nosso intestino, agindo como um prebiótico que melhora a imunidade e ajuda no controle do peso ao aumentar a sensação de saciedade.

Ao passar pelo intestino, essa fibra especial produz substâncias que protegem o organismo contra inflamações, fazendo com que aquela sensação de estufamento seja evitada, desde que o feijão tenha passado pelo remolho correto antes de ir para o fogo.

Na prática do restaurante, as tabelas de referência técnica confirmam que não há feijão melhor, mas sim perfis complementares. Enquanto o feijão-preto se destaca pelo poder antioxidante de suas cores escuras, o feijão-carioca é um campeão em fibras, entregando cerca de 8,5g por 100g de grão cozido.

Oferecer um feijão bem preparado é entregar alta densidade nutritiva com baixo custo calórico, garantindo uma refeição que satisfaz o paladar e cuida da saúde de quem come.

Leia mais artigos da série Comida de A a Z!

*Nutrilover é uma ferramenta de informação e conexão para nutricionistas que atuam no food service e profissionais do setor interessados em alimentação saudável, com foco em nutrição fora do lar, qualidade de vida, tecnologia e práticas sustentáveis nas cozinhas profissionais.