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A proteína do futuro: muito além do plant-based

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Saiba mais sobre alternativas de proteína do futuro que vão além do plant-based. Leia neste artigo!

Com as projeções de que a população mundial chegue, em 2050, a 9,8 bilhões de pessoas, a Organização das Nações Unidas (ONU) previu que seria necessário um aumento de 70% na produção de proteínas para que a indústria dê conta de atender a essa demanda. Junto a isso, somam-se preocupações com saudabilidade e sustentabilidade. E esse cenário faz com que a indústria de alimentos e ingredientes alimentícios busque formas inovadoras de suprir essas necessidades. A proteína do futuro faz parte disso.

Há disponível e em desenvolvimento uma variedade de proteínas alternativas que vão além do plant-based

"Há diferentes classificações para os elementos vivos. Uma delas, nos diz que existem seis reinos de coisas vivas - animal, vegetal, fungo, protista, arqueobactéria e eubactéria. Boa parte das proteínas alternativas pertence ao reino vegetal, fungi ou protista", explica Caroline Assunção, consultora independente, engenheira de alimentos e doutora em ciência e tecnologia de alimentos.

Por que o mercado de proteína alternativa do futuro está tão em alta?

Há, como vimos, a necessidade de buscar novas soluções para equilibrar a equação entre oferta e demanda para uma população crescente. Além disso, questões como custo da proteína de origem animal, preocupação com o bem-estar animal, entre outras, também incentivam o consumidor a explorar novas possibilidades.

O número de pessoas com alergias ou restrições alimentares também impulsiona esse setor. Assunção comenta que "todos nós precisamos de proteínas para construir músculos, reparar células, etc. As pessoas optam por comer proteínas alternativas por uma variedade de razões, como para ajudar a minimizar a mudança climática, evitar a crueldade contra os animais ou comer mais conscientemente".

Alinhando-se a essa demanda, o crescimento do mercado de proteínas alternativas permite ao consumidor tomar decisões de compra com base em uma ampla variedade de fatores, desde sabor, preço e conveniência, até diferenciação nutricional, tratamento de animais, pegada ambiental e outros.

Proteína do futuro: quais alternativas ao plant-based merecem atenção?

A proteína do futuro pode vir de uma variedade de fontes e novas possibilidades estão sendo estudadas em instituições e empresas do mundo todo.

A especialista aponta que, atualmente, há quatro perfis de proteínas alternativas além do plant-based em destaque. Conheça quais são elas, seus benefícios, desafios e tendências.

Insetos

Os insetos são geralmente ricos em proteínas e podem ser criados com menos emissões de gases de efeito estufa do que a criação de animais ou hectares de plantas.

"Eles podem ser boas fontes de proteína e gordura. São ricos em ácidos graxos poliinsaturados, vitaminas e minerais, como zinco, ferro e vitaminas B", explica a doutora em ciência e tecnologia de alimentos.

A especialista comenta que, atualmente, os insetos mais utilizados como proteína do futuro alternativa são os grilos e gafanhotos. Nesse caso, comumente um criador vende uma farinha ou na forma de pó essa proteína insect-based para ser adicionada a alimentos como barras de proteína, biscoitos e até misturas de panificação para aumentar o teor dessa substância.

Como pontos de atenção, Assunção indica que "o valor nutricional varia dependendo de fatores como a espécie do inseto. Ainda não há um entendimento amplo sobre como as técnicas de processamento e cozimento afetam esse valor nutricional. Além disso, quando eles contêm quitina, pode haver redução da digestibilidade das proteínas e ela pode levar a algum risco de alergia".

Outro obstáculo a ser superado por essa proteína do futuro é a aversão por parte das pessoas em consumirem alimentos feitos com insetos.

 

"No país, essa proteína ainda é mais voltada para a alimentação animal. Mas se as empresas forem capazes de superar as percepções negativas dos consumidores sobre os insetos, então essa pode ser uma área emergente de proteínas alternativas nas próximas décadas", projeta a especialista.

Carne cultivada em laboratório

Esta proteína alternativa está associada a benefícios de sustentabilidade, como a redução da emissão de gases de efeito estufa, e à eliminação da necessidade de abate de animais. Além disso, sua composição nutricional pode ser adaptada para criar produtos mais saudáveis e personalizados.

"Isso significa que os produtos podem ser projetados para ter baixo teor de gordura saturada e direcionados para pessoas com colesterol alto, por exemplo. A carne cultivada em laboratório também é criada em condições de laboratório estéreis, reduzindo o risco de doenças transmitidas por alimentos quase inteiramente e pode demandar um uso menos intenso de aditivos antimicrobianos", resume a especialista.

Entretanto, a especialista comenta que boa parte dos projetos com carne cultivada em laboratório ainda está em fase de testes e que há o desafio de lidar com um custo ainda bastante alto de produção. 

Algas

Embora as algas tenham sido consumidas e pesquisadas por vários anos, a proteína à base de algas está se tornando cada vez mais popular no espaço das proteínas alternativas.

"Os benefícios nutricionais dos peixes, como ácidos graxos ômega-3 essenciais e proteínas, muitas vezes vêm diretamente do consumo de algas marinhas. Elas são boas fontes de proteína, ácidos graxos poliinsaturados e fibras, além de serem uma das poucas fontes vegetais de vitamina B12 e iodo", resume a especialista.

Porém, essa proteína do futuro também ainda está sendo pesquisada e testada em boa parte dos casos. 

"Há algumas incógnitas no isolamento e dimensionamento da proteína à base de algas. Um desafio que essa proteína alternativa enfrenta é que as algas não têm cheiro, cor e sabor neutros. Conforme a pesquisa e o investimento neste campo crescem, as vantagens e desvantagens de criar proteínas à base de algas em escala se tornarão mais claras", avalia Assunção.

Proteína à base de fungos

Muitas proteínas à base de fungos, ou fungi-based, são inerentemente densas em nutrientes. A especialista afirma que elas podem ser ricas em proteínas e fibras, além de serem pobres em gordura saturada.

"Bifes grelhados de cogumelos Portobello, por exemplo, estão nos menus veganos há anos, mas a nova carne alternativa à base de fungos vai além de colocar um cogumelo em um pão. Ela é cultivada a partir de tecidos fúngicos para mimetizar o sabor e a textura da carne de origem animal. Os fungos filamentosos possuem estruturas semelhantes às dos músculos dos animais. Assim, é possível modificar a forma, a cor e o sabor das estruturas filamentosas em matrizes miceliais para produzir alimentos com gosto de carne e aparência muito próximos aos alimentos cárneos", afirma a doutora em ciência e tecnologia de alimentos.

A especialista pondera que essa é uma proteína do futuro promissora, porém que ainda demanda investimentos significativos para escalar na indústria. 

Para saber mais sobre a proteína do futuro, confira também o artigo sobre o mercado substituto da proteína animal.

 

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