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Mercado Vegano: as mudanças e impactos de um consumo consciente, ético e justo

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Já faz um bom tempo que o mercado vegano deixou de ser uma tendência para se consolidar em um mercado extremamente relevante.

O mercado das chamadas “carnes vegetais”, por exemplo, movimentou o Brasil em 2019 por meio do lançamento de diversos produtos que oferecem textura, sabor e cheiro de carne de origem animal. Os hambúrgueres vegetais são uma boa referência: além do pioneiro ‘Impossible burger’, os brasileiros Hambúrguer do Futuro, da Fazenda do Futuro, e o Incrível Burger, da Seara, pegaram carona nessa nova onda.

Agora, a bola da vez é o mercado de lácteos. O crescimento das doenças alérgicas e de intolerância à proteína dos leites de origem animal deve impulsionar em mais de 5% a demanda no mercado sul-americano dos leites e derivados vegetais, nos próximos cinco anos. O movimento também é favorecidopelo aumento na popularidade das dietas veganas, comprovadamente mais benéficas e funcionais para o organismo. O estudo da Mordor Intelligence calcula que 85% dos brasileiros possuem algum nível de intolerância à proteína do leite de origem animal, ante 69% dos chilenos e 60% dos argentinos. 

O comportamento do consumidor está influenciando a forma como as empresas enxergam esse mercado. Mundialmente, cerca de 70% dos consumidores estão mudando de dieta para prevenir obesidade, diabetes e colesterol, segundo a centenária rede de supermercados britânica Sainsburys. A transformação é impulsionada pela mudança sem precedentes da população, cada vez mais consciente em relação às causas ambientais e ao cuidado com os animais. Ainda de acordo com projeções do estudo da Sainsburys, um quarto da população britânica será vegetariana e metade ‘flexitariana’, em 2025.

Nos Estados Unidos, de acordo com o Instituto Harris Interactive, grande parcela dos americanos está consumindo refeições vegetarianas mais frequentemente. Quase metade dos entrevistados (48%) diz consumir refeições veganas semanalmente. Deste total, 16% afirmam que mais da metade da comida consumida é composta por produtos de origem animal. O interesse no veganismo tem crescido de maneira constante, sobretudo entre o público classificado como ‘millenials’ – aqueles com idade entre 25 e 34 anos. Cerca de 25% deste público se declaram veganos ou vegetarianos.

De olho nessa tendência, o investimento da indústria no mercado veganos tem se intensificado, principalmente nos últimos dois anos. Em 2018, hamburguerias brasileiras tradicionais anunciaram a inclusão de hambúrgueres vegetais nos cardápios. No cenário internacional, a Unilever anunciou a compra da The Vegetarian Butcher, empresa especializada na produção de proteínas de origem animal, na Europa.

No mercado americano, a segunda geração do ‘Impossible Burguer’ (Hambúrguer Impossível, na tradução livre) estreou no ano passado. O produto, que já está disponível em lanchonetes e supermercados, é feito a partir de produtos vegetais e elaborado a partir de uma fórmula que reproduz gosto, textura, suculência e sabor idênticos ao hambúrguer produzido com carne animal.

O Brasil, por sua vez, acompanha a mesma tendência e tem se mostrado cada vez mais robusto. Há cerca de dois anos, uma pesquisa realizada pelo Datafolha apontava que mais de 60% da população gostaria de reduzir o consumo de carne. O estudo também descobriu que 73% dos brasileiros se sentem mal informados sobre como a carne é produzida e 35% tem preocupação de saúde quanto ao seu consumo de carne.

No início de 2019, a marca de maionese Hellmann’s (Da Unilever) anunciou uma parceria com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) para a certificação do mesmo produto em sua versão vegana, garantindo a ausência de produtos de origem animal na composição do produto. Há ainda diversos outros projetos de certificação que estão em andamento na SVB e em organizações de proteção e defesa dos direitos dos animais que devem ser concluídos ao longo do ano.

Daí a importância dos consumidores em atentar-se cada vez mais às embalagens e aos selos desses produtos. A SVB acredita que a certificação e o selo são um compromisso formal que a marca assume com os clientes e o mercado de maneira geral. Primeiro porque facilita a identificação e automaticamente coloca o produto em um patamar diferenciado. Uma pesquisa do Ibope de 2018 revelou que 55% dos brasileiros declararam que consumiriam mais produtos veganos se eles estivessem melhor identificados na embalagem. Ou seja, esse tipo de iniciativa é importante para favorecer o mercado vegano, que já vem crescendo em 40% ao ano, segundo dados de empresários do setor e da imprensa.

O “Selo Vegano” da SVB, por exemplo, é um programa que analisa e certifica produtos de qualquer empresa. Nos últimos anos, o número de produtos certificados na SVB aumentou consideravelmente, acompanhando o mercado. Atualmente, o selo da SVB é o maior e mais antigo programa de certificação vegana no Brasil. São mais de 2.300 (dois mil e trezentos) produtos certificados de mais de 140 empresas diferentes.

O Selo Vegano trabalha com base em três critérios básicos. O primeiro dele está ligado ao produto, que não pode apresentar nenhum ingrediente de origem animal. O segundo, estabelece que a empresa fabricante não pode testar o produto final em animais e, por último, os fornecedores fabricantes dos ingredientes e matérias primas daquele produto, também não devem realizar testes em animais. Os critérios sobre os testes em animais têm como base a regulamentação europeia para cosméticos sobre esse assunto.

Vale ressaltar que o Selo Vegano é oferecido ao produto, e não à empresa. Logo, se a fabricante utilizar componentes de origem animal para a produção de outros produtos, pode ser que os produtos certificados contenham traços desses ingredientes de forma não intencional, devido ao compartilhamento de maquinários.

Embora não exista um cálculo específico do tamanho do mercado brasileiro de produtos veganos, a Associação Brasileira de Supermercado (Abras) afirma que a demanda por produtos vegetarianos é maior do que a oferta no país e responde por boa parte dos mais de R$ 60 bilhões faturados pelo segmento de produtos naturais, todos os anos.

A expectativa é que esse movimento ganhe ainda mais força em 2020. O próprio estudo da Mordor Intelligence, citado anteriormente, calcula que o crescimento das doenças alérgicas e de intolerância à proteína dos leites de origem animal deve impulsionar em mais de 5% a demanda no mercado sul-americano dos leites e derivados vegetais, nos próximos cinco anos. A receita estimada para esse tipo de mercado é de US$ 600 milhões em 2020. O número é cerca de US$ 150 milhões maior que o valor movimento em 2018.

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