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O mercado de carne suína mudou: Como aproveitar as oportunidades?

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Com a pandemia e a crise da peste suína africana na China, o mercado de carne suína mudou e trouxe muitas oportunidades. Saiba quais.

A suinocultura brasileira está posicionada entre as cadeias produtivas mais avançadas do mundo. O uso da alta tecnologia em genética, nutrição, sanidade, instalações e manejo, permitiu colocar o Brasil no topo do mundo quanto aos padrões de qualidade. Mas, o mercado de carne suína está mudando e o suinocultor precisa estar sempre atento.

Nos últimos anos, o grande impulso do mercado de carne suína no Brasil veio com o aumento do consumo desta carne no Brasil, mas algumas mudanças fizeram com que a demanda do mercado de exportação de carne suína se elevasse, principalmente no mercado consumidor chinês.

Tais mudanças fizeram com que a demanda da carne se aquecesse, fato que vem gerando muitas oportunidades à cadeia da carne suína brasileira.

Carne suína: Cada vez mais recomendada por profissionais de saúde

Por muito tempo, a saudabilidade da carne suína foi motivo de muitas discussões. Muitas pessoas tinham a sensação que essa carne é “não saudável”, mas no meio científico e acadêmico, sua importância nutricional tem sido constantemente demonstrada.

Para Marcelo Lopes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos, essa é uma proteína extremamente saudável. “Seus cortes magros possuem um baixo teor de gordura, sendo rica em diversos aminoácidos, vitaminas e minerais, caso das vitaminas do complexo B, ácidos graxos, potássio, ferro, selênio e zinco”, diz.

Essa carne contribui ainda para a manutenção da saúde, estabilização do colesterol e para uma imunidade mais forte. Além disso é uma carne bastante acessível por todos, principalmente por ter um custo mais baixo.

Por estas razões, o mercado de carne suína está bastante aquecido, tanto no Brasil quanto em boa parte do mundo, como veremos a seguir.

No Brasil, a pandemia trouxe grandes impactos ao mercado da carne suína

O início da pandemia do Coronavírus em 2020 trouxe grandes impactos em praticamente todos os setores, inclusive o mercado doméstico de carne suína.

Inicialmente foi possível perceber uma redução na demanda de carne suína interna devido às condições de restrição e ao fechamento de estabelecimentos, tais como restaurantes e lanchonetes. Assim, a demanda passou a se concentrar nos supermercados, que se mantiveram abertos como serviços essenciais durante a crise.

Dessa forma, para enfrentar os desafios da crise, alguns fatores combinados são essenciais, como explica Marcelo Lopes. “Muito do que afasta o consumidor são preconceitos a respeito da carne suína, e uma vez que esses mitos são quebrados e o consumidor passa a consumir essa carne, perceber o sabor e o custo-benefício, a carne naturalmente ganha maior aderência no mercado”.

A peste suína africana mudou o mercado de carne suína global

Devido à sua grande população, a Ásia sempre foi um grande consumidor de carne suína no âmbito mundial. Porém, desde 2018, os prejuízos da peste suína africana (PSA), especificamente na China, têm refletido fortemente no mercado de carne suína mundial, afetando os grandes produtores de proteína animal no mundo.

Por conta da crise, a China se tornou a maior importadora do mundo de carne de aves e suínos. Neste cenário, o Brasil foi um grande beneficiado, tanto que já figura como o 4º maior produtor de carne suína no mundo.

Em 2019, o país produziu cerca de 4,2 milhões de toneladas da proteína animal e exportou o recorde de 750,3 mil toneladas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A China foi o principal destino, com cerca de 250 mil toneladas, 38% do total de nossas exportações. “O crescimento das importações por parte da China é o grande determinante para, no mês de setembro de 2020, superarmos o volume de carne suína in natura exportado em todo o ano de 2019”, explica Iuri Pinheiro, consultor de mercado da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS).

De janeiro a setembro de 2020, Pinheiro explica que o Brasil já atingiu a marca de 675 mil toneladas, enquanto o ano passado totalizou 657 mil toneladas. “A China, até setembro de 2020, já comprou quase 370 mil toneladas e responde por mais de 54% dos nossos embarques. Quando comparamos janeiro a setembro deste ano com o mesmo período do ano passado, os embarques para o gigante asiático cresceram 123,5%”, complementa.

Pós-pandemia: é preciso investir no melhor planejamento

O mercado de carne suína está passando por uma das maiores crises da história, mas esse momento vai passar e o produtor precisa estar preparado para aproveitar as oportunidades que surgirão. “Estamos no melhor momento para recuperar o prejuízo de sucessivas crises que assolaram o setor nos últimos anos e também no início da pandemia de covid-19”, opina Iuri Pinheiro, consultor de mercado da ABCS.

Segundo Pinheiro, o momento só não é melhor, porque os custos também se elevaram a patamares históricos. “O milho ultrapassou 60 reais a saca em vários estados e o farelo de soja chegaram a quase 2500 reais a tonelada, algo impensável há alguns meses atrás e fruto da desvalorização cambial e da alta exportação destes insumos”.

Dessa forma, para aproveitar as oportunidades, o produtor deve usar parte desta margem para se capitalizar a fim de que possa antecipar a compra de insumos, assim que houver sinais de retração de preço no mercado futuro.

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