Conheça as tecnologias 4.0 que revolucionam a indústria da carne

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Processos 4.0 estão cada dia mais presentes em setores de produção e acabam de chegar à Indústria da carne. Veja quais são as inovações em abatedouros atuais.

As tecnologias 4.0 estão inovando todo tipo de sistema de produção, com indústrias, agroindústrias e grandes cidades avançando continuamente. Mas tudo indica que o próximo passo será a inovação em abatedouros e frigoríficos.

Devido à sua importância na indústria da carne, abatedouros e frigoríficos são a bola da vez quando o assunto são as inovações 4.0. A indústria da carne está cada vez mais otimizada para alavancar seus índices de eficiência, reduzindo custos e garantindo maior rentabilidade.

Por isso, para não ficar por trás desse processo, é importante que você conheça as tecnologias associadas à inovação em abatedouros e frigoríficos que prometem revolucionar o setor.

Inovação em abatedouros e frigoríficos: Menos “achismo” e mais dados

O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de carnes, gerando alta produção, boa produtividade, mas para isso são exigidos cuidados bastante intensos quanto à qualidade e a higiene de produção.

Neste cenário, dentro de uma economia de grande escala, qualquer grama obtida ou desperdício evitado gera grande valor à indústria frigorífica. Por isso, muitas inovações ligadas ao chamado Frigorífico 4.0 chegam para trazer maior racionalidade e rapidez nas decisões tomadas.

Assim, no âmbito de inovação em abatedouros e frigoríficos, Andrea Mesquita, zootecnista e CEO da Território da Carne, explica que a ideia associada ao Frigorífico 4.0 é orientada cada vez mais por dados e menos por “achismos”. “Com a inovação em abatedouros e frigoríficos conseguimos unir a tecnologia já existente e disponíveis, ao que temos de melhor em termos de material humano”, diz.

Mas para a especialista, antes da tecnologia as pessoas são também essenciais no processo de inovação. Segundo ela, é preciso ter pessoas que entendam da cadeia de uma forma holística e compreendam a direção que o mercado está indo. “É preciso inovar com foco na demanda do consumidor e com responsabilidade no tripé ESG”, opina.

O termo ESG se refere a Environmental, Social e Governance (Meio ambiente, Social e Governança, em português) e está relacionado às práticas empresariais e de investimento que se preocupam com critérios socioambientais e éticas de forma sistemática na tomada de decisões.

O índice leva em consideração dados públicos referentes a dez fatores de risco, ponderados por segmento, de acordo com a sua materialidade. São eles: emissão de gases do efeito estufa; desmatamento e perda de biodiversidade; escassez e uso da água; uso de antibióticos; geração de resíduos e poluição; condições de trabalho; segurança alimentar; bem-estar animal; produção de proteínas sustentáveis; e governança.

Tecnologia 4.0 oferece eficiência e qualidade ao sistema de produção

A indústria da carne está em evolução e inovação constantes, oferecendo rastreabilidade à carne em toda a cadeia e é claro que a inovação em abatedouros e frigoríficos também se faz presente com cada vez mais força.

Porém, Andréa Mesquita novamente salienta que nem todo tipo de inovação em abatedouros e frigoríficos está associada à tecnologia. “Algumas das evoluções do setor nem tão inovadoras em termos de tecnologia, mas praticamente todas estão associadas ao aumento de eficiência e redução de custo, qualidade do produto final e demais demandas do consumidor moderno”.

Ela comenta ainda que as inovações relacionadas à abatedouros e frigoríficos mais recorrentes são:

  • Scanner com Inteligência Artificial destinado à classificação de carcaças (padronização e otimização de mix);
  • Rastreabilidade baseada em blockchain;
  • Tecnologia para identificação de contaminação microbiana na superfície da carne, garantindo maior segurança do alimento;
  • Otimização do uso dos recursos hídricos, levando maior responsabilidade ambiental à indústria frigorífica;
  • Desossa automatizada e porcionamento mecânico de cortes, otimizando o uso da mão de obra e oferecendo maior padronização ao produto;
  • Formatação de Burger, almondega, espetos e outros através de máquinas;
  • Ultracongelamento de cortes, por meio da tecnologia IQF. “Essa tecnologia oferece segurança do alimento, além de maior praticidade para o consumidor final”, completa Andréa;
  • Embalagem skinpack, atmosfera modificada ou menor uso de plástico, com essas tecnologias melhorando a apresentação de produto, aumento de validade, além de uma pegada BIO;
  • Estimulação elétrica em carcaças. “Esse procedimento permite maior eficiência do processo, além de melhoria dos atributos sensoriais da carne”, explica a zootecnista.

Impactos da automação na mão de obra

Diante de toda essa inovação em abatedouros e frigoríficos, Andréa Mesquita explica que a mão de obra, aquela que realiza o trabalho braçal e repetido, certamente será reduzida diante do avanço da automação. No entanto, no Brasil, até pela disponibilidade de mão de obra barata, ela entende que esta transição ainda possa demorar um pouco.

De qualquer forma, para que isso aconteça na indústria do boi temos um grande desafio que já foi superado nas indústrias de aves e suínos, atem mesmo ovinos: a necessidade de padronização das carcaças.

Mais uma vez, a tecnologia e a inovação de abatedouros e frigoríficos se fazem presentes neste cenário e já estão disponíveis. Cabe ao setor se adaptar e prioriza-las.

Assim, para ela, a mão de obra continuará sendo importante, mas não como hoje. “A era 4.0 vai precisar mais do que nunca daquilo que os robôs não conseguem fazer. A criatividade, a junção de pontos, a resolução de problemas mais profundos, menos óbvios, etc”.

Nunca foi tão necessário sermos humanos e darmos espaço para que o lado mecânico fique com quem é melhor nisso, com as máquinas.

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