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A utilidade prática do FMEA

A utilização da ferramenta FMEA para análise de riscos no desenvolvimento de soluções pode assegurar o sucesso de um projeto

Texto extraído do livro: O Lean Seis Sigma nos Tempos da Indústria 4.0 do autor, que está em fase de publicação.

Voltando às reflexões acerca do Tsunami de 2011 no Japão, que em breve fará 20 anos, um exemplo transcrito pela experiência da Srª Aoki em seus “Relato do Extremo Oriente”, empresas como Panasonic, Sony e Honda uniram-se para a adaptação, a fabricação de aquecedores, bem como sua entrega gratuita aos abrigos, que certamente estavam com dificuldades na obtenção de energia elétrica ou combustíveis para aquecimento das pessoas no frio que se fazia na época.

Mais recentemente, em 2020, da mesma forma organizações e Universidades compartilharam conhecimento os profissionais para o desenvolvimento em tempo recorde de alternativas para a prevenção e o tratamento do Coronavírus. Foram soluções que envolveram desde a adaptação de linhas de produção para o envase de álcool 70% até a criação de respiradores mecânicos por Universidades com MIT (Massachussets Institute of Technology), a USP (Universidade de São Paulo) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie, para citar 3 exemplos, sem a proteção de patente, de forma a permitir que qualquer empresa possa produzi-los.

Contudo, para se colocar um produto como um respirador no mercado, há todo um protocolo a ser respeitado, seja no Brasil ou em qualquer outro país do mundo, para submissão ao órgão competente, a ANVISA no exemplo no mercado doméstico,  que obriga uma análise rigorosa dos riscos inerentes ao funcionamento do equipamento, de forma a garantir que o seu uso possibilite o atendimento ao resultado almejado e não cause prejuízos colaterais ao usuário.

Obviamente que as empresas e Universidades não partem do zero, eles confrontam conhecimentos prévios com as necessidades atuais, e num raciocínio pela abstração da solução pelo processo inventivo do TRIZ (Teoria para Solução Inventiva de Problemas) buscam projetos semelhantes ou que possam servir de base para elaborarem os riscos no caso prático e prever que sua solução seja robusta o suficiente para transpor tais ameaças à utilização do equipamento.

A ferramenta geralmente usada pelas organizações e que possibilita tal análise de riscos em um projeto é o FMEA (Análise de Modo de Falhas e Efeitos). Tal iniciativa permite aos projetistas fazerem questionamentos acerca de possíveis problemas em funções executadas pelo produto ou serviço em desenvolvimento. Sua estrutura é simples, mas requer os especialistas sobre cada função a ser desenvolvido para o atendimento da necessidade em específico, aí levantam-se os possíveis modos de falha, seus efeitos, causas prováveis e controles existentes. Essas etapas são classificadas segundo a gravidade (G) do problema identificado, a probabilidade de ocorrência (O) da causa levantada e a possibilidade de detecção (D) com os controles atuais. A cada uma dessas letras (G, D e O), os especialistas atribuem qualitativamente uma nota, geralmente de 1 a 10, e a multiplicação dessas pontuações resulta no número de prioridade de risco (NPR) que resultam, conforme a sua pontuação, em uma ação que permita melhorar a detecção ou reduzir a ocorrência, uma vez que a gravidade é inerente ao modo de falha e não pode ser alterado.

No caso de desenvolvimento de respiradores mecânicos, em que participei como especialista na ferramenta FMEA, iniciamos pelo levantamento de históricos de análises existentes em aparelhos para a mesma função e também equivalentes de empresas, ai partimos para o detalhamento de cada função do projeto em particular, desde a mecânica de transporte até as especificações do software para gestão automática dos ciclos respiratórios, passando pelas interfaces com os usuários e seus componentes, descartáveis como as máscaras e perenes como o balão de ar. No segundo momento, em brainstorming com os projetistas e especialistas (inclusive médicos), executou-se o levantamento de cada um dos componentes descritos acima e suas pontuações. Após o consenso final obteve-se algumas melhorias no produto final, bem como a documentação do conhecimento gerado no projeto, além da garantia de que os riscos foram mitigados a ponto de tornar o respirador confiável para testes e atendimento às exigências para homologação e posterior fabricação.

Um desenvolvimento requer etapas obrigatórias e intransponíveis, mas o uso correto de ferramentas que geram conhecimento como o FMEA contribui para a efetiva mitigação ou redução dos riscos envolvidos em tal atividade e permite a identificação de oportunidades que podem ser úteis para projetos futuros.

 

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