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Sustentabilidade: por que a produção e processamento de produtos orgânicos reúne as melhores condições para se investir?

Atualmente no cenário empresarial existem uma dezena de selos relacionados a sustentabilidade e que incorporam cada vez mais critérios sociais, ambientais, de segurança alimentar, dentre outros.

Esse é um movimento liderado pelos consumidores, que buscam e aderem a produtos que possuem este apelo e condição de produção dentro de suas cadeias produtivas, ou seja, o consumidor valoriza práticas empresariais tais como “combater o trabalho infantil, tratar funcionários sem discriminação, inclusão, contribuir  para o bem-estar da comunidade e oferecer boas condições de trabalho.

Para começar, a Lei sobre a agricultura orgânica no Brasil data de 23 de dezembro de 2003, portanto há quase duas décadas. As instruções normativas- IN´s- que regem os diferentes escopos de produção orgânica, tem praticamente uma década desde sua criação (são de 2011). Isso posto, é um mercado que já consolidou uma segurança jurídica para quem quer produzir e investir no segmento.

Atualmente são muitas as instâncias fiscalizatórias: as Certificadoras, o MAPA, o Inmetro, além do próprio consumidor através das Ouvidorias.

Como é um sistema produtivo que possui várias décadas de manejo e difusão no mundo - em 1972 a Federação Internacional de movimentos de agricultura orgânica (IFOAM) foi fundada em Versailles (França)- cresceu muito desde então em todos os continentes.

Outro ponto importante a ressaltar é o crescimento contínuo nos últimos 10 anos:

“O crescimento médio anual das vendas no varejo de produtos orgânicos no mundo foi superior a 11%, no período de 2000 a 2017”.

Além do fator crescimento constante, é um mercado com um potencial muito alto, principalmente considerando que as terras manejadas e certificadas orgânicas não chegam nem a 2% da área total agriculturável.

Também é importante considerar que a produção orgânica é primordialmente alimentar, porém pode ir muito além, se configurando como fonte de matéria-prima e ingredientes para a indústria cosmética, por exemplo; Indústria esta de valores bilionários e de cadeia produtiva muito extensa e diversa. Exemplo: você produz açaí orgânico para consumo alimentar e pode adaptar a produção para fornecer açaí para a indústria elaborar um shampoo com açaí ou derivados, o que dá mais alternativas de comercialização.

Outro fator importante é que o ponto chave para que um produto seja certificado e comercializado como orgânico é que exista uma rastreabilidade de todo o processo produtivo, desde seu início (semente, insumos usados, etc), o que está em perfeita sintonia com a tendência dos consumidores atuais que buscam cada vez mais informações sobre a origem do produto e seus ingredientes.

Quer outro bom motivo para investir em orgânicos? Como sua base de requisitos é bastante extensa (ambientais, sociais, de bem estar animal...), com relativa facilidade o produtor ou empresa consegue adicionar outros selos e cumprir outros protocolos específicos e assim acessar novos canais de vendas e consumidores. (certificações como a de Comércio Justo, Rainforest Alliance, Globalgap, dentre outras).

O mercado financeiro já começa a valorizar e recompensar empreendimentos através de “ratings” que levam em conta aspectos de sustentabilidade do negócio e o produto orgânico está inserido nele.

Mas tem mais, ao produzir de forma orgânica, existem aspectos dos critérios de avaliação da produção que levam em conta o meio ambiente, por exemplo, um produtor não pode ter sua produção certificada caso esteja desmatando ilegalmente, descumprindo normas ambientais ou mesmo poluindo um rio, ou seja, além de você e/ou sua empresa estarem fazendo a coisa certa, podem usar este argumento ambiental para o consumidor, argumento este que é chancelado pela emissão do certificado.

Por fim, mas não menos importante, o mercado da produção orgânica no Brasil vive um momento de expansão, em que se buscam fornecedores consistentes e volume, para atender uma demanda ávida por novidades. Foi-se o tempo de encontrar somente produtos orgânicos primários no supermercado ou na feira; o consumidor cada vez mais se depara com produtos orgânicos mais sofisticados, com sabores mais variados (bebidas, congelados, cremes, biscoitos, mel, ovos, espumantes, kombutcha, pizzas, chás, granolas, chocolates, etc).

E então, vai ficar de fora?

Por Alexandre Schuch, formado em Economia com MBA em Negócios Internacionais e mais de 15 anos de experiência no setor.

 

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