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A história do feijão nosso de cada dia

Os feijões são mundialmente reconhecidos por sua riqueza nutricional e versatilidade culinária. O que talvez poucas pessoas saibam é que eles fazem parte do grupo das leguminosas. Isso mesmo. A lista inclui os feijões preto e carioca, a lentilha, o tremoço, o grão de bico, a soja e a ervilha, cujas histórias se confundem com a da humanidade. Um estudo da Embrapa denominado Arroz e Feijão, explica que a existência dos tipos domesticados de feijoeiros foram datados há cerca de sete mil anos antes de Cristo (a.C.), na Mesoamérica, e se espalharam posteriormente por toda a América do Sul. 

Por outro lado, descobertas arqueológicas de 10.000 a.C., no Peru, sugerem que o feijoeiro pode ter feito o caminho inverso: domesticado na América do Sul e depois transportado para a América do Norte. O fato é que, a partir daí a variedade desenvolvida nas Américas se espalhou pelo mundo, sendo também encontrada em regiões da Europa, Ásia e África. A maioria dos estudiosos acredita que as guerras da antiguidade também teriam ajudado a espalhar a planta no mundo, uma vez que os guerreiros e soldados usavam o feijão como alimento nas viagens rumo aos campos de batalha. 

Atualmente, o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) considera a cultura como um componente relevante da alimentação de mais de 400 milhões de pessoas que vivem em países tropicais. Além do fortalecimento da segurança alimentar dessas regiões, as leguminosas são consideradas por especialistas extremamente nutritivas. Os feijões são fontes de proteínas, fibras, carboidratos complexos, vitaminas e minerais – contribuindo para a redução do risco de doenças cardíacas, diabetes e alguns tipos de câncer. 

De acordo com relatório da Organização das Nações unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), as leguminosas possuem inúmeros benefícios nutricionais que, aliadas a uma dieta saudável, ajudam a prevenir algumas doenças crônicas que atualmente atingem a milhares de pessoas em todo o mundo. Além disso, o estudo afirma que a produção sustentável de grãos de leguminosas pode contribuir no enfrentamento às mudanças climáticas – em comparação ao impacto ambiental na produção de proteínas animais.

CONEXÃO GASTRONÔMICA

Os feijões sempre fizeram parte da dieta saudável do brasileiro. A conexão gastronômica é tão grande que cada região do Brasil possui uma receita peculiar que usa a leguminosa como base. Essa relação é longa e teve início com os viajantes que cortavam o Sertão brasileiro nos séculos 16 e 17, usando a leguminosa como fonte de alimento durante as longas viagens. A versatilidade e sabor característico logo ganharam o Brasil inteiro e se consolidaram por meio de diversas variedades e suas peculiaridades. 

No Norte, Nordeste e Sul, os feijões preto, branco e fradinho são os mais utilizados, enquanto no Sudeste e Sul o tipo carioca e fradinho são muito consumidos. Há ainda o consumo frequente de lentilha no Rio Grande do Sul e também o uso do grão de bico como base de preparo de vários pratos em grandes colônias Árabes, também localizadas no Sul do País. A verdade é que eles vão bem com a maioria dos pratos, seja como protagonista ou coadjuvante. Quando servidos em conjunto com o arroz, por exemplo, proporcionam uma alimentação balanceada, contemplando todos os aminoácidos essenciais para uma vida saudável. No entanto, a luz amarela acendeu nos últimos dois anos. 

De acordo com pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, o percentual de pessoas que consomem feijão cinco ou mais vezes por semana caiu pouco mais de 6%, nos últimos sete anos. Por outro lado, ao longo dos últimos dez anos, a obesidade cresceu no País. O número saltou de 11,8% para 18,9%, atingindo a proporção de quase um em cada cinco brasileiros. Coincidência? Especialistas dizem que não. A motivação para essa inversão seria o crescimento da renda da população, que acaba investindo mais em produtos industrializados, considerados menos saudáveis e alimentos à base de proteína animal. 

EFICIÊNCIA NUTRICIONAL

Além de toda versatilidade e variedade, as leguminosas são extremamente nutritivas. Em comparação com as carnes, não deixam nada a desejar. O feijão carioca, por exemplo, é uma boa fonte de proteína, acumulando 20 gramas de proteína a cada 100 gramas pesados. Para termos uma ideia, o número é superior em comparação às carnes de frango e bovina, cuja concentração de proteínas a cada 100 gramas de carne chega a 18 gramas e 19 gramas, respectivamente. Quando comparamos com outras leguminosas, a diferença será ainda maior e favorável aos feijões. A lentilha conta com 23 gramas de proteínas a cada 100 gramas. A ervilha, por sua vez, possui 24 gramas de proteínas.

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É importante considerar também o fator de ineficiência produtiva da cadeia de proteína animal – o que afeta diretamente o meio ambiente. Para termos uma ideia, de acordo com dados da FAO, a produção de um quilo de carne bovina produzida exige entre cinco e dez quilos de alimentos vegetais para uso como base de alimentação e pastejo dos animais. Por todas essas razões, o incentivo ao consumo de leguminosas tem o potencial de reduzir em até 35% a Pegada Ecológica relacionada à alimentação de uma pessoa residente na cidade de São Paulo, por exemplo. Isso significa menos agrotóxicos, fertilizantes e outros tipos de insumos que podem ser nocivos à vida do ser humano e dos animais.

NOVAS RECEITAS

A Sociedade Vegetariana Brasileira, por meio de suas ações e Campanhas como a Segunda Sem Carne e o Prove (Programa de Incentivo à Proteína Vegetal), proporcionam o incentivo das proteínas de origem vegetal na alimentação diversificando as fontes no prato do brasileiro.

A Campanha Segunda Sem Carne (SSC) é um convite a substituir, pelo menos uma vez por semana, a proteína animal pela proteína vegetal, promovendo a descoberta de novos sabores, por meio de uma alimentação balanceada e contribuindo também para a prevenção de doenças provocadas pelo excesso do consumo de produtos de origem animal. Atualmente são mais de três milhões de pessoas beneficiadas pelo programa, sendo considerado o maior do mundo. No Brasil, está presente em mais 100 municípios e economiza mais de duas mil toneladas de carne bovina anualmente. 

O Programa PROVE, está sendo desenvolvido com a proposta de incentivar às proteínas vegetais, valorizando seus aspectos econômicos, sociais e culturais, através de projetos de educação alimentar e nutricional para retomar as leguminosas como protagonista do prato do brasileiro.

O Instituto Brasileiro do Feijão e Pules (Ibrafe) tem trabalhado regularmente em campanhas que reforçam a importância da leguminosa como ingrediente enriquecedor como base de diversos produtos. Fora do Brasil, por exemplo, o feijão tem sido usado como matéria prima para produção de bolos, massas alimentícias como o macarrão e até mesmo ‘snacks’. É possível elaborar sobremesas mais sofisticadas, como um petit gateau de chocolate com feijão azuki que registrou uma aceitação sensorial acima de 60%.

Por fim, os feijões possuem custo baixo, sem contar a facilidade para encontrar e armazenar o alimento. Com todas essas vantagens, basta apenas força de vontade para reinventar a nossa alimentação. 

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