Food Connection faz parte da divisão Informa Markets da Informa PLC

Este site é operado por uma empresa ou empresas de propriedade da Informa PLC e todos os direitos autorais residem com eles. A sede da Informa PLC é 5 Howick Place, Londres SW1P 1WG. Registrado na Inglaterra e no País de Gales. Número 8860726.

Faz sentido falar de Food UX – Experiência do Usuário em alimentos?

09.08.21_Food UX – Experiência do Usuário em alimentos.jpg
A UX está muito em voga na área de TI, onde representa os esforços para compreender a experiência que o usuário tem ao navegar por uma página ou app.

UX – Experiência do Usuário. Já ouviu falar deste termo? UX está muito em voga na área de TI, onde representa os esforços para compreender a experiência que o usuário tem ao navegar por uma página ou aplicativo. A partir desta compreensão, os desenvolvedores podem criar páginas e aplicativos navegáveis, fáceis de serem entendidos e que entregam uma jornada adequada para o usuário dentro da experiência desejada.

Se você já caiu num site cheio de problemas, onde ficou com tanta dúvida de como agir, onde clicar, que acabou abandonando, já sabe o que é uma UX ruim.

E na área de alimentos? Faz sentido falarmos sobre uma UX de alimentos – Food UX? Alimentos são produtos físicos, que se pegam com a mão, será que faz sentido falar sobre experiência quando estamos falando de algo tangível?

A meu ver sim – e muito! Se olharmos para o produto como uma oportunidade de experiência para o usuário, encontramos novas camadas de inovação possíveis. E elas podem ir bem além do produto em si.

Para entender as oportunidades de olhar para um alimento do ponto de vista da experiência de consumo, eu fui conversar com o Dr Filipe Campelo, que é professor do Programa de Pós-Graduação em Design da Unisinos, e pesquisa design, comportamento do consumidor e experiência do usuário.

Inovar é muito mais do que lançar produtos

Filipe considera que entender a experiência de consumo é mais do que necessário. Na sua visão, este “deveria ser o ponto de partida para qualquer processo de desenvolvimento, em qualquer ramo, mas de maneira mais expressiva ainda quando falamos de algo tão íntimo ao ser humano como o alimento.” Como ponto inicial, temos que exercitar a empatia para entender os gatilhos que geram determinada experiência.

E por que falar em experiência? Um dos paradigmas mais fortes da inovação em alimentos é o produto: quando se fala em inovação, quase todos os olhares se concentram ali. Mas existem muitas outras possibilidades de inovação, que inclusive podem trazer novos níveis de valor para o negócio. Segundo Filipe, “a ideia de que uma empresa é mais inovadora porque ela lança mais produtos é uma métrica completamente equivocada.”

Entender que a gente só gera inovação desenvolvendo produtos é um equívoco recorrente e uma prática quase que institucionalizada nas empresas”, aponta Filipe.

O pesquisador reforça que a inovação não ocorre apenas por produto, mas também por processo – e nestes processos, muitas vezes estão sendo projetados novos significados, por trilhas de desenvolvimento que seguem um pensamento distinto do atual.

O Design, que é a metodologia da qual o UX é derivado, é um caminho para esta compreensão de que a inovação talvez seja concretizada através de um produto, mas também pode ter outras formas de aparecer no mercado.

Exemplos de outros formatos de experiência de consumo estão pipocando ao nosso redor – e muitos deles foram impulsionados pela pandemia. Contudo, não é apenas a pandemia que impulsionou a entrada das empresas de alimentos no mundo das experiências, o digital.

Como Filipe comenta, as experiências digitais dos usuários com plataformas como Uber e Airbnb têm influenciado e contaminado muito este mercado. Quem usa o aplicativo do Spotify, por exemplo, espera o mesmo nível de usabilidade de qualquer outro produto ou serviço que encontre pela frente, inclusive alimentos – um ponto importante que foi feito pela designer Alissar Diamenti.

A exemplo de plataformas como Uber, modelos de negócio que propõem outros processos de compra estão aparecendo, baseados em delivery e clubes de assinatura, entre outros.

Uma sinalização muito importante, segundo Filipe, pois “eles acabam aproximando interessados e produtores em alguma cadeia de alimentos” e “reduzindo o custo de transação, o que torna muito acessível um produto ou serviço alimentar chegar propriamente ao consumidor”.

Vamos fazer um pequeno experimento mental

Você está desenvolvendo um novo alimento.
E se estivesse desenvolvendo comida? Como isso muda o que faz?
E, agora, se quisesse inovar o ato de comer? Como isso afeta as suas possibilidades de inovação?
Percebe que, quando mudamos a perspectiva de produto para experiência, novas portas de criatividade se abrem?

Eu lhe convido a passar por elas.

Quer construir uma empresa em Eterno Beta? A dica do dia é: aposte na experiência de consumo.

Experiência de consumo em alimentos e as oportunidades de inovação é o tema da minha discussão com Filipe Campelo e Maximiliano Carlomagno, da Innoscience, durante o Happy FoodTech da Tacta Food School.

Ocultar comentários
account-default-image

Comments

  • Allowed HTML tags: <em> <strong> <blockquote> <br> <p>

Plain text

  • No HTML tags allowed.
  • Web page addresses and e-mail addresses turn into links automatically.
  • Lines and paragraphs break automatically.
Publicar